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sexta-feira, 20 de julho de 2018

EGOÍSMO II



             Egoísmo é fazermos escolhas e tomarmos atitudes levando em consideração, apenas, os desejos e necessidades do nosso ego. É queremos ser felizes a qualquer preço!  Com a desculpa que preciso defender o que é “meu” e tudo que preciso para atender às minhas necessidades materiais, afetivas, intelectuais...  avanço sobre o espaço e as necessidades dos outros! Egoísmo é cuidar de mim, sem respeitar os outros..
            Meu ego defensivo grita que sou dona do meu destino e do meu corpo, sem respeitar se meu caminhar atropela outras pessoas, sem atentar que, em meu corpo (quando mulher), por força da natureza, outra vida está sendo gerada, outra vida depende de mim.
            Meu ego orgulhoso, vaidoso e medroso defende minha necessidade de valorização através da comparação, da disputa e da superioridade aos outros. Egoísmo é precisar ter mais, mais e mais, mesmo à custa do que resta de menos para os outros.
            Meu ego, com medo de ser menos, defende meu  gosto e minha  necessidade de Poder e Comando, submetendo os que estão mais vulneráveis, mesmo quando pareço defendê-los, mantendo-os frágeis e dependentes, podendo assim, eu mesma, parecer mais forte.
            Meu ego, que me cega, aceita explorar o trabalho e a justa retribuição aos mais fracos, fazendo-me sentir  ainda “generosa” por lhes estar dando trabalho! Meu ego abusa dos que me amam, dos carentes e dependentes do meu afeto, em nome do amor e para encobrir  minhas inseguranças...
            Meu ego, que rejeita diferenças e diferentes para melhor se defender, magoa, humilha, ignora, se afasta, discrimina...
Meu ego defende os meus desejos e, ante minha carência afetiva, que acredita tudo justificar, vai à luta pelo “amor”, passando por cima dos sentimentos e vidas de pessoas ou de famílias que estejam em seu caminho. Nosso ego não acredita em respeito ou renúncia pelos outros!
            Egoístas, não queremos ser maus, não queremos humilhar, explorar, prejudicar ninguém, apenas pensamos que vale tudo para nos fazer “felizes”!  Na maioria das vezes nem notamos que estamos atropelando os valores éticos que admiramos.  Ainda acreditamos que somos justos, generosos, humanos... mas, na verdade,  estamos perdendo a noção desses valores num mundo tão egóico, onde a luta e a defesa tudo justificam.   
            Como diziam os antigos: Ele não queria o ser mau, mas botou fogo na casa do vizinho, porque precisava fritar um ovo!
            Não posso modificar o egoísmo do mundo nem julgar ou modificar  os outros, mas posso estar atenta a mim mesma, revendo minhas atitudes passadas  e buscando superar  meu egoísmo a cada dia, atenta às minhas atitudes em cada situação, tentando pensar, sentir e agir com valores de respeito e compaixão.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

PARCEIROS E ADVERSÁRIOS



            Num mundo de egos em eternas disputas, de toda ordem, vale analisar nossas parcerias.  Nesses “jogos” na vida, vale a nossa individualidade, mas estamos atuando, também, sempre em grupo, sempre com companhias...  Escolhemos algumas e as outras, a própria Vida nos trouxe! E nesse “jogo” estamos numa eterna troca de “passes” com os parceiros, familiares ou não.
            Recebemos “bolas” redondinhas, sob medida para nossos braços e corações! É tão gostoso trocar “passes” com parceiros que nos respeitam, que estão atentos aos nossos gostos e possibilidades, que sorriem, que nos estimulam nos desafios e, sempre com gentileza e carinho, que choram conosco  nas derrotas e  curtem conosco as vitórias... Com eles, nos acomodamos e desfrutamos o que a vida nos oferece.
            Mas essa “partida” tem um propósito maior que o mero e alegre desfrute do jogo!   Somos desafiados por situações difíceis ante adversários vários, próximos ou distantes, que em nada nos facilitam o jogo. Éramos parceiros e muitas vezes nos  transformamos em adversários! Agora eles nos mandam  “bolas tortas”, quadradas, enviesadas, em jogadas traiçoeiras... Outras vezes, nos deixam jogando sozinhos, preferindo outros parceiros... E choramos por que “não devia ser assim”!  Ficamos muito magoados, zangados, ressentidos...  Não queremos mais jogar com eles! Queremos expulsá-los desse jogo da nossa vida.
            Mas não somos os donos da bola e nesse jogo, são esses parceiros/adversários que mais podem nos ensinar a “jogar”.  Esquecemos que essa passagem  deve ser apenas um treino para futuros jogos, cada vez mais importantes e mais amistosos! Precisamos estar atentos para a possibilidade de rasteiras, de traiçoeiros dribles, de jogadas agressivas, de fim de jogo... Precisamos entender as características de parceiros e adversários para aproveitar o jogo. Estabelecendo nossos limites a cada jogada, com uma boa visão dos diferentes jogadores, poderemos explorar possibilidades e prosseguir – curtindo o jogo.  Afinal, jogar sozinhos é mais fácil ,embora mais triste e jogar em equipe é mais difícil, mas pode nos enriquecer e trazer muita alegria... A bola está rolando a cada dia. Cabe a cada um de nós aproveitar!

sexta-feira, 6 de julho de 2018

OS MEUS LIMITES - III



           Eu existo – Eu Sou, em minha unicidade. Sou expressão única e centelha de uma Luz Maior. Sou guardiã e portadora dessa centelha. Sou responsável pelo desabrochar de suas infinitas potencialidades, garantidas por sua Origem Sagrada.
           Mas também faço parte de outros grupos – família, espécie, raça, cultura... humanidade!  E, para não ser engolida, para não me sentir perdida, sem rosto, sem expressão, jogada e repuxada em tantos aspectos pelos grupos dos quais faço parte, num universo em constante transformação, preciso começar a tentar me conhecer, me situar, sentir até onde posso ir em cada momento e até onde posso permitir que venham sobre mim.
           Pensar em Limites é pensar em RESPEITO. Respeito ao Ser que sou, às minhas possibilidades físicas, emocionais, psicológicas... no momento. Infelizmente, ainda atrelo essas minhas possibilidades às necessidades que me cobram e às quais me imponho nas minhas relações!  Esqueço o auto respeito e me deixo atropelar pelo desejo de ser amado e ser valorizado como familiar, amigo, cidadão,... etc.
           O preço do Pertencimento nos é cobrado com o desrespeito a nós mesmos. Foi-nos passado um sistema de crenças onde nos sentimos obrigados a sermos vencedores, a atendermos às expectativas dos outros, a cumprirmos a missão impossível de salvarmos e modificarmos uns aos outros.  Precisamos buscar o equilíbrio entre a necessidade de Pertencer e a responsabilidade de Ser.  Até onde devo? Até onde é absurdo o que se exige ou o que exijo de mim? Até onde posso?
            Para saber esses meus limites, preciso então estar em constante contato comigo mesma, com meu corpo, em minha idade, com minhas emoções, minhas falhas, minha coragem, meus medos, minhas culpas... e meu desejo e direito de ser feliz!
            Aprendendo, um dia de cada vez, a respeitar meu espaço e meu momentâneo tamanho, aprendendo a comunicar esses meus limites aos outros (principalmente aos mais queridos), vou entendendo a necessidade de, também , respeitar o outro, com suas possibilidades de acertar e errar. Assim, ambos, poderemos crescer  cumprindo o sentido maior de nossas vidas.