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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Aos Nossos Filhos - Carinhos Perdidos



           Hoje sei que o Amor se revela, sempre, no carinho. Mas nosso Amor Maior, aos nossos filhos, muitas vezes não se revelou no carinho! Ele ficou escondido pela seriedade, pela necessidade de nos mostrarmos muito sérios, querendo acertar na “missão sagrada” de moldar, cinzelar, corrigir, salvar, resgatar...  cada um dos filhos tão  amados!  Tínhamos tanto medo de falhar e talvez perdê-los, que, muitas vezes, tentamos esconder nossos sentimentos, nossa insegurança, nossa humanidade tão agoniada e real, com uma armadura séria, severa, zangada, até distante.  Permitimos que uma visão deturpada e assustadora de nossos papéis, abafasse o carinho e a ternura da mãe ou do pai. E, mesmo nesses momentos, tudo que queríamos era abraçá-los e sussurrarmos todo nosso amor! 

          Quando eram pequeninos era tão fácil! Depois foram crescendo, saindo do colo, tendo suas próprias vontades e, mais tarde ainda, na adolescência, teimando, nos desafiando... Assustada, acreditei  que precisava ser mais severa, mais séria, aparentando zanga e frieza.  Queria tanto lhes dar valores legais para a vida, mas acabava sempre os apresentando em forma de sermão repetitivo, enfadonho, sempre cobrando...  Não sabia ser firme sem tanta seriedade, não sabia ser firme com brandura, com ternura!  Agia como juiz e fazia assim vocês se sentirem pequenos, “pecadores”, por suas transgressões, grandes ou pequenas.  Nossa comunicação aos poucos foi ficando cheia de “estática”, de reclamações, de não ditos, sem nos ouvirmos, com vocês fugindo de um “papo”  de final já conhecido.Não sabia educar com carinho com tranquilidade e firmeza!  Hoje sei que quanto mais eu me repetia, até gritava ou criticava, eu escondia um medo enorme de falhar com vocês! 

            Vocês sobreviveram às minhas falhas! Acredito que nosso amor sobreviveu porque o que nos unia foi mais forte que meus desacertos de mãe( ou pai) desastrada, mal orientada, e de seus tropeços  de meninos e jovens. Hoje, apesar de não mais termos um convívio cotidiano, de vocês já serem adultos, eu busco chegar mais juntinho de vocês, com mais alegria e carinho...  Mesmo com tanto atraso e ainda com muita dificuldade, hoje  tento ouvi-los e conversar gentilmente, “sem discursos”, sem críticas, sem cobranças.

            Hoje, entendo minha mãe, também tão séria e à vezes parecendo tão distante e áspera. Era o  modelo...  Hoje, ao relembrar, eu choro pelos carinhos perdidos no tempo, principalmente os carinhos que não posso mais dar àqueles meus amores que já se foram e aos quais só posso abraçar em oração. Tento me explicar aos meus filhos, hoje pais jovens, e lhes dizer que vale a pena aprender a estabelecer limites firmes e claros, a dizer sim e não com honestidade, sem medo... A educar e orientar, sem abrir mão do carinho, para que possam, juntos, brincar, rir, conversar, aprender, ensinar, se respeitar... com toda a ternura que o amor revela. 

sexta-feira, 11 de maio de 2018

UM OLHAR INTERIOR



              Nunca olhamos, com coragem e com verdade, nesta “estranha” direção - a interior. Sempre olhamos para fora, para o mundo exterior, de onde poderia vir o bem e o mal. Aprendemos a estar sempre assim, atentos, para controlar pessoas e situações. Mas a vida acaba por nos confrontar com nossa impotência, desmontando essa tola ilusão de poder e nos atirando na dor e no assombro. Lutamos muito, tentando “retomar” o poder, mas, afinal, humilhados e rendidos, passamos a acreditar que poderia haver uma outra saída, numa outra direção, para a busca de respostas a nossos impasses.
             Amparados amorosamente por alguns que já haviam enfrentado o mesmo desafio, passamos a acreditar na orientação de um Poder Maior Amoroso, que apontava a nós mesmos como o Caminho !  Caminho que nos mostraria as raízes interiores dos nossos males e as possibilidades incríveis que possuíamos para retomarmos o controle de nossas vidas.   Decidimos, então, nos entregar à Compaixão e Aceitação Serena desse Poder para iniciar essa jornada ao desconhecido, ao  Interior de nós mesmos...
             E logo descobrimos como é difícil fugir à censura controladora de nosso ego!  Nossa viajem, a princípio, é muito bloqueada pela repressão, por tudo que negamos pensar/sentir/agir, disfarçado e escondido sob nossas máscaras. Não queremos reconhecer atitudes e sentimentos “errados”, que nos trariam desamor, desprezo, culpa, vergonha...  Não podemos nos desnudar assim, ainda que para nós mesmo! E então, ainda negamos, lutamos, nos desculpamos, mas isso aumenta nossos conflitos,  nos paralisa e só atrasa a viajem!
              Em nosso socorro, para possibilitar o mergulho nesses temidos subterrâneos, contamos com a doce força de nosso Deus Amoroso e a de nossos iguais. Num generoso compartilhar, baixamos as velhas defesas, relaxamos a tensão, aprendemos a valorizar a Coragem, a Lealdade a nós mesmos e a força libertadora da Verdade. A vivência  desses valores amorosos vai desenvolvendo em nós uma Consciência Maior, espiritual, superior e mais sutil do que os valores de luta e disputa de uma consciência menor a serviço do ego. Não somos mais somente instinto, emoções e pensamentos racionais . Estamos, aos poucos, nos deixando influenciar por valores e sentimentos mais espiritualizados. Estamos, sem sentir, iniciando um despertar espiritual.
               Nesse processo contínuo, precisamos estar sempre atentos à simplicidade e à honestidade, para não cairmos no auto engano ficando presos à vaidade e ao orgulho pelo que já conseguimos ou na acomodação com a desculpa de sermos “doentes emocionais”. Esse inventário pessoal é parte importante de nossa caminhada, mas só terá caráter libertador e transformador se for acompanhado de efetivas mudanças em nossas atitudes, a cada momento, em cada situação.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

ENTRE IRMÃOS



          Algumas relações são marcadas por aspectos de amor e de eternas disputas. Assim são os irmãos.  A sabedoria de um Poder e Saber Maior  colocou-nos muito próximos, pelo sangue ou pela união no mesmo ninho.  Certamente houve um propósito sagrado, amoroso, para esse Encontro. Fomos colocados assim, tão juntos, para, desde o início, aprendermos a amar, crescer, evoluir...  Esse é o sentido da Vida

Mas vivemos mergulhados num mundo de comparações, de disputas e lutas por amor, valor, posse e poder, em todas as relações humanas, inclusive na Família. Ali somos envolvidos pela contradição de amar e sermos rivais em nossas relações afetivas mais intensas.  Disputamos com os irmãos desde a infância pelo amor e pela valorização de nossos pais, avós...  Eternas comparações reforçam de modo muito destrutivo as naturais diferenças entre nós: o bonito/feio, o inteligente/bobo, o bom/mau, o melhor/pior, o preferido...   Esse aprendizado contínuo, disfarçado ou não, perverso e tão ameaçador para a auto imagem de cada um, reforça as lutas, o ciúme e a disputa e  leva-nos, muitas vezes, a ressentimentos, a afastamentos, a “broncas” escondidas, e até insuspeitadas por nós mesmos.Assim, vai estabelecendo-se uma relação estranha de amor e desamor. 

            Nossos irmãos são os primeiros companheiros.  Ora professores, ora alunos, testemunhos de nossa infância, de nossas brincadeiras, parceiros de nossos medos e alegrias, de nossos gostos e desgostos... Mas são, também, os primeiros a disputar conosco o amor, as preferências de familiares, os destaques na ninhada... 

            E quando adultos, a disputa ainda se revela! Quem cuida mais, ou melhor, dos pais? Quem merece mais pelos “sacrifícios” e atenção? Mas quem eles, ainda, valorizam mais?!   Ainda somos a ninhada disputando, mas de forma mais amarga...   No entanto, apesar de tudo, quando a dor de situações dolorosas e difíceis atinge um dos irmãos, a ninhada, mesmo  em meio a críticas e amarguras, se mobiliza e se dói. Na verdade, disputamos, brigamos, mas os irmãos meninos que trazemos em nós falam mais alto – nós nos amamos!

            Revendo nossa história, com o olhar e a experiência que a vida nos traz, podemos entender um pouco melhor a nós mesmos e a cada um dos personagens de nossa infância, com suas carências, suas características, suas “inconsciências”, que acirraram as disputas, que nos trouxeram mágoas e, muitas vezes, nos afastaram tanto. Essa compreensão poderá nos fazer aproveitar  a oportunidade que nos foi dada por Deus de termos irmãos, os  nossos primeiros parceiros na vida, para com eles aprendermos a Amar - Amar os mais “amigos e legais” , o diferente, e até o “difícil”, o “rival”... O resgate desses laços entre irmãos nos livra da amargura de uma relação “seca” e distante e nos oferece a gostosura do sentimento de pertencermos ao mesmo ninho. 

sábado, 28 de abril de 2018

QUANDO OS FILHOS CRESCEM E SE VÃO...



       O passar do tempo tudo modifica. É da natureza da Vida o movimento, a mudança. E nossos filhos ( tão nossos?!), finalmente, deixam de ser crianças,  adolescentes e tornam-se adultos obedecendo ao natural chamado do mundo, dos desafios e da liberdade... Então, eles se vão...  E nós vamos ficando na distância, no medo que se percam, na dor ainda tão confusa do vazio que deixaram.
Sem entender ainda direito essa liberdade adquirida (nossa e deles), nos agoniamos, tememos e ainda palpitamos em suas vidas, tentando modificar suas escolhas, às vezes tão diferentes das nossas. E somos informados, gentilmente ou não, que estamos ultrapassando os limites de um outro  adulto.  O confronto com essa realidade, faz doer tudo de novo.

        Eles formam suas próprias famílias, educam e orientam seus filhos, às vezes de modo tão diferente, parecendo que nosso modo era todo errado!  O tempo passou e já nem sabemos de suas pequenas rotinas, de seus novos gostos... Têm novos amigos, novos encontros e festas, das quais não fazemos parte. Agora nós os visitamos, somos visitas em suas casas, mesmo quando eles nos tratam com muito carinho e atenção. Visitas combinadas de antemão, porque eles têm suas rotinas. Mas visitas devem guardar alguma cerimônia, por respeito e delicadeza. Como isso nos confunde e dói!

       Eles nos trazem netos que aquecem nossos colos vazios. Netos que tanto amamos e dos quais, muitas vezes, cuidamos, mas sem poder esquecer que são filhos deles, não nossos, e precisamos respeitar suas diretrizes. Querendo participar mais de suas vidas, queremos colaborar (física, financeira e afetivamente) mas com o cuidado de não nos impormos ou invadirmos. É tão confuso, difícil e doído... 

         Quando nosso tempo de pais de filhos pequenos e/ou  dependentes já passou, é urgente entender e aceitar o novo tempo, os nossos novos papéis nessa relação tão intensa e amorosa com nossos filhos. Temos nossos próprios novos desafios  a enfrentar: casamentos desgastados e esquecidos no afã de cuidar de filhos, novas relações, a descoberta de gostosos lazeres,  de talentos insuspeitados... Temos tempo para desfrutar de novas e antigas amizades e para retomar o papel mais esquecido de cuidar de nós mesmos.Viva intensamente e deixe-os viver!

sábado, 21 de abril de 2018

FACILITAÇÃO E AJUDA



          São termos usados naturalmente, quase como sinônimos, assim como cuidar... Em nossas relações mais próximas, queremos sempre facilitar a vida de quem amamos. Facilitação tem a característica de ação prática, rápida, eficaz, para superar as dificuldades do Outro com os desafios de sua vida, criados ou não por ele mesmo. O que nos move é o ego, com suas crenças, seu amor possessivo, seu controle... Acreditamos que somos responsáveis pelo Outro, por suas escolhas, suas falhas, pelo resgate de sua vida e felicidade. Amamos e queremos ser amados. Precisamos mostrar eficiência em cuidar deles, salvá-los...
          Muitas vezes tomamos essa atitude de proteção e resgate desde a infância de nossos filhos e continuamos pela adolescência e vida adulta! Não queremos que se frustrem, que se machuquem, sem perceber, talvez, que dificultamos seu crescimento e a descoberta de suas possibilidades. Acreditando, também,  em sua “incapacidade” de resolver seus desafios, tomamos a frente das situações e nos dispomos a resolvê-las. Afinal, nós sabemos o que é melhor para eles!   Com os mais idosos, que tanto amamos, também tomamos a atitude de facilitador, condenando-os à inatividade e a “um resto de vida” sem sentido, rotulados que ficam como inativos, incapazes...
            Quando somos facilitadores sentimo-nos protetores, generosos... Não percebemos que nossos “cuidados” são invasivos e acabam por sufocá-los, atropelá-los. Nós assim nos sobrepomos a eles, abafando-os, anulando-os, humilhando-os. Não notamos que nossa facilitação está dizendo:  “Eu sei mais, sou melhor! Você é menos, é incapaz... Você não pode, não consegue!”   Nosso ego sente-se poderoso, nossa vaidade cresce por sermos fortes, generosos e reconhecidos. Mas para manter todas essas atitudes, lutamos, nos cansamos, nos vitimamos, cobramos, magoamos e nos magoamos...  No Outro, essa constante facilitação alimenta o medo, a insegurança, a menos valia,  a raiva, a acomodação, a manipulação...  A Facilitação é o boicote da vida do Outro, apenas para evitar que soframos com suas dores!
             E a Ajuda? Para ajudar preciso entender e respeitar os limites entre mim e o Outro.  A ajuda é um gosto e uma necessidade da Alma. Ela se revela a partir do Respeito ao Outro e  na disponibilidade discreta, sem exagero, amiga. Ela se faz sentir na sensibilidade que escuta, no carinho do toque, na presença...  A Ajuda é o Amor respeitoso que não invade, que se nutre de Verdade, que não aceita manipulação, que segura a ansiedade e o medo de sofrer pelo Outro, que apenas coopera, que espera com respeito o seu tempo e se mantém confiante no caminhar do Outro.
             Facilitar é fácil, principalmente quando “não me custa”. É regido pelo Ego e seus valores materiais e imediatistas.Ajudar é de outro nível. É regido pelos valores espirituais do  Amor.