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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

HUMILHAÇÃO E HUMILDADE



          Nosso ego, vaidoso e orgulhoso de si mesmo, querendo sentir-se sempre o melhor, o mais especial, quando se vê despido dessa fantasia por nossas falhas ou “derrotas” ante os outros, se sente humilhado.  Humilhação é a dor do ego ferido.  É dor que se mistura à vergonha de nos sentirmos expostos em nossas fraquezas, em nossa simples humanidade e igualdade... “Afinal, eu não era tudo que pensava ser, tudo que queria ser, tudo que eu alardeava ser”...  Nossa humilhação nasce, então, de nos sentirmos “desmascarados” em nossa fantasia (mesmo quando disfarçada) de sermos mais: fortes, ricos, poderosos, belos, inteligentes, bons, justos, merecedores... E, quando submetidos aos “mais poderosos”, humilhados e ressentidos, temos o desejo de sermos tratados, ao menos, como iguais!

            Somos seres únicos, mas não nos conhecemos o suficiente para nos valorizarmos e nos amarmos, por isso, estando em grupo, buscamos sempre valorização pelos outros. Precisamos nos comparar e mostrar que “somos mais”, que temos valor, que somos melhores ou muito bons! Quando isso não acontece, nos sentimos menores, humilhados. Num mundo tão competitivo, ser menor nos assusta e a derrota nos humilha.  Quando derrotados em nossas próprias expectativas orgulhosas e vaidosas, em várias circunstâncias na vida, custamos a admitir e negamos, racionalizamos, justificamos...  Sentimos raiva, vergonha, tristeza e Humilhação!

            Mas esse momento de dor pode ser o ponto de mutação, que transforma fantasia em realidade, pode ser o início da caminhada da humilhação até a humildade. É o primeiro passo para a aceitação respeitosa e amorosa do que somos, do que podemos,  em cada momento. Vamos aprendendo que nosso maior compromisso é conosco mesmos. Vamos desligando-nos das comparações, entendendo e aceitando que cada um é único em potencialidades sagradas e falhas humanas. Atentos sempre a nós mesmos, e em meio aos outros, podemos, algumas vezes, com a abertura da cabeça e do coração, com simplicidade e humildade, ir aprendendo um pouco do tanto que nos falta... 

E quando já iniciamos a descoberta e reforma de nós mesmos, talvez a humilhação mais dolorosa seja aquela que o Mundo nem vê! Vem com a vergonha interior de ter que admitir para nós mesmos que ainda não somos quem queríamos ser, não somos quem já pensávamos ser ou poder... Mas essa dor de nos sentirmos, ainda, tão pequenos, é mais um outro momento para transformar nossa humilhação em humildade, buscando o amor de um Poder Maior que nós mesmos para acolher nossa humanidade e nos ajudar a superar nossas falhas. (7º P) 
           
            Humildade é a delícia da aceitação de mim mesmo em cada  momento da vida. Humildade é a gostosura de viver com simplicidade, de se ver em igualdade, em paz... Humildade é o conforto do reconhecimento do que ainda não sei e é a condição primeira para o aprender.  Humildade é o reconhecimento do que ainda não posso e me leva, cada vez mais, a entregar-me a um Poder Maior Amoroso Paciente, que me traz força e serenidade.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

EGOÍSMO




           Egoísmo é estarmos sob o comando do Ego, da nossa mente racional, condicionada a nos defender do mundo. Sob esse condicionamento, mantemos o foco de nossa atenção e vigilância no mundo de coisas e pessoas que nos cercam e que consideramos importantes para nossa vida material, psicológica e afetiva. Nós as desejamos, ansiamos por elas, nos apegamos a elas e as disputamos. Não admitimos perdê-las! Sob o egoísmo, vivemos em luta com um mundo que nos ameaça  tomá-las e por um mundo que nos oferece tudo o que tanto desejamos.

            Vigilantes em nosso egoísmo, estamos sempre comparando bens materiais, amores, qualidades...  Temos medo de perder e invejamos o que ainda não possuímos. Nossas necessidades e dores nos parecem sempre superiores às dos outros. Nossas carências afetivas acabam por justificar qualquer “ataque” ao que possuem (amores, família, qualidades, admiração, bens quaisquer...)  Afinal, nosso Ego tanto os desejava!  

As dores alheias nos chegam  também  algo distantes, porque nosso Ego não se identifica com o Outro, senão para analisá-lo, desejá-lo ou tentar superá-lo. O Ego não ama. Ele só sabe possuir, se apegar e defender o que é seu! Nosso Ego não costuma desejar o mal para os outros, a menos que eles ameacem nossas necessidades, porque  então, irá atropelá-los.  Sempre que nos sentimos em perigo, nosso egoísmo tende a crescer. Nosso medo insufla nossas defesas e o nosso egoísmo, então, pode tornar-se destrutivo.

Todos nós, em maior ou menor grau, somos regidos pela intensidade de nosso ego e, em maior ou menor grau, somos egoístas. Em nossas relações, em quaisquer relações, desde a Família até às Nações, nosso egoísmo ainda é preponderante. Buscamos defender “o que é nosso” a todo preço e amealhar, mais e mais, bens e poderes e subjugar pessoas (por amor ou não)  para nos sentirmos mais seguros.  Esse é o mundo interior do Ego e o seu reflexo exterior...  Mas, nessa realidade, vamos ficando cada vez mais isolados, aguerridos, defensivos, tristes... 

 O Egoísmo  do Homem já foi maior e mais cruel em outras eras. Já achou natural explorar, escravizar, submeter, machucar, matar...  apenas para satisfazer suas próprias  necessidades e prazeres. Embora ainda assistamos aos delírios agressivos de tantos homens, isto, hoje, já nos causa horror e tristeza. Embora muito lentamente, vamos nos modificando, trazendo outros valores ao nosso ego.

Mas, não adianta brigar com nosso Ego, nem com o ego dos outros!  Não adianta criticá-lo, ameaçá-lo. Se tentarmos, nos esgotaremos e sempre perderemos, porque nossa mente racional  (ego) foi adestrada para racionalizar, justificar e jamais perder. Mas podemos tentar entendê-lo e, pacientemente, generosamente, firmemente, ensiná-lo a depor armas, educando-o  para substituir o disputar pelo compartilhar.  Reconhecendo como o mundo do egoísmo é frio, áspero, cruel e doloroso para todos, cabe a cada um de nós buscar trazer valores espirituais e amorosos para  mundo interior de cada um , “amansando” nosso próprio ego ao experimentarmos a compaixão, a solidariedade, a generosidade, a honestidade, a ternura, a compaixão... 

Como seres, não apenas racionais, mas sobretudo espirituais, poderemos ir sentindo a gostosura de um mundo interior mais gentil, alegre, leve, amoroso... E quando nos descobrirmos  até renunciando, abrindo mão de alguns desejos para satisfazer, por generosidade e justiça, algumas necessidades dos outros; quando abrirmos mão de apegos pelo amor à liberdade dos outros,  saberemos então que estamos no caminho de uma transformação que substitui as paixões e lutas do ego pela gostosura do compartilhar com Amor.

sábado, 5 de agosto de 2017

SABOTAGEM




    Todos nós criamos projetos nascidos de nossos desejos, sonhos e necessidades, os quais temos a firme intenção de realizar. Mas, do desejo e da intenção de nos libertarmos de nossas dependências (materiais, químicas, afetivas ou outras) até a ação que visa concretizá-los, enfrentamos dificuldades que nos chegam de fora e, outras vezes, que nós mesmos criamos. As dificuldades que não “enxergamos”, que solapam esses projetos de forma sorrateira, perversa, disfarçada, são o que chamamos de Sabotagem. Essa é a característica da sabotagem. Atua como uma “rasteira” em nossos sonhos ou projetos mais caros, através do nosso inconsciente ou da nossa mente racional, teimosa e distraída.

       Começamos a nos sabotar de forma consciente, mas quase imperceptível, quando começamos a minimizar nossos esforços, quando deixamos de estar atentos e de nos informar melhor para a ação necessária. Temos preguiça, temos medo das dificuldades, temos até raiva de precisarmos sair do nosso conforto. Queremos os resultados, mas não queremos nos comprometer. De modo coerente a isso, atuamos negando necessidades, justificando atitudes de descaso, adiando cuidados, procrastinando ações. Mal embasados, nossos “programas” e quaisquer projetos, aos poucos se arrastam e vão apresentando falhas. Sentimo-nos derrotados, recaímos nos velhos maus hábitos, deprimimos e acabamos por tudo abandonar...

       De forma mais sutil, inconsciente e ainda mais perigosa para nossa busca, nós nos auto sabotamos através das “crenças” que carregamos, definindo de forma frágil a nossa autoimagem. São mandados familiares que ficam impressos em nós como verdades incontestáveis: “Você é fraco, todo errado! Puxou a seu pai/mãe! Você não consegue! Deixa que eu faço para você! Você nos machucou tanto! Você errou. Você é culpado, não tem perdão!   E tantos e tantos outros... 

       Carregando essas “vozes” e o peso de um passado com falhas e erros, sobrevém um sentimento de menos valia, uma imensa culpa, que nos paralisa sem que percebamos e corrói nossos melhores projetos. Entramos num processo inconsciente de autopunição, de não merecimento, que justifica tudo que nos fizeram acreditar.

       Outros aspectos de nossa personalidade que nos sabotam, são defeitos que não percebemos (nem admitimos), como o orgulho, a vaidade, a arrogância... Eles nos levam, ao contrário, a desafiar, a testar limites, a ousar mais e mais, a nos exigir demais (porque nos achamos demais!), até derrubar nossos projetos e a nós mesmos.

          Somos muito mais complexos que poderíamos dizer em poucas linhas, Na verdade, para lidarmos com esses “ataques” que sabotam nossos projetos (pequenos ou grandes) na busca da felicidade através de uma libertação interior, precisamos identificar as crenças, os sentimentos, os defeitos de personalidade, conscientes ou inconscientes, que nos são tão nocivos, e que nos movem ou que nos paralisam. 

            Esse processo deve ser como um mergulho em nós mesmos. Um mergulho gostoso em águas mornas, mas cada vez mais profundas, que requeiram estarmos alertas e em movimento. São Passos para um encontro conosco mesmos, encontro que se enriquece nas partilhas em grupos de pessoas que tenham também esse projeto de progressiva libertação interior. 

domingo, 30 de julho de 2017

DESCAMINHOS




           Descaminhos são atalhos que nos distraem, nos atraem, nos seduzem... e nos desorientam, fazendo-nos perder a direção do Caminho. Perdidos, nós sofremos, fazemos sofrer, até que, em algum momento, já modificados, retomamos nosso rumo. 

Às vezes são pequenas distrações, enganos rápidos e passageiros. Outras vezes são atalhos traiçoeiros, que nos fazem perder completamente o rumo, que nos levam cada vez para mais longe de nós mesmos e dos que nos amam.  Estamos, então, muito perdidos, muito longe. Nada nos alcança, nem o chamado dos mais queridos, que nos procuram, nos sinalizam e se desesperam, Como lhes dói não ouvirmos seus gritos de medo, de alerta e susto ao nos ver cada vez mais longe...  Há alguns, os mais perdidos, em escuridão total, sem ter sequer quem os chame ou procure por eles, sem saberem, ainda, sequer, que estão perdidos... E como dói em nós mesmos, quando finalmente nos reconhecemos perdidos, querendo voltar, sem saber como retroceder...

 Os descaminhos fazem parte da caminhada de cada um de nós. Eles nos atraem e distraem, funcionando como desafios colhidos ao gritarmos nossa liberdade. Eles nos levam a crises, a impasses e a vias dolorosas, mas servem para nos burilar, podar defeitos, descobrir novas possibilidades, buscar um Poder Maior e Amoroso... e enfim, crescer. Por piores e mais assustadores que sejam esses desvios, eles têm a função que todos os desafios possuem: exigir que fiquemos atentos, que nos sacrifiquemos e finalmente nos modifiquemos para sermos melhores.

Somos como crianças levadas a passear no bosque, deslumbradas e animadas com a paisagem (Vida), que querem  desfrutar e conhecer tudo, que abandonam o cuidado dos pais, buscando novidades, atraídas pelo canto e encanto dos pássaros, entrando cada vez mais na floresta... até que se perdem!

Por quanto tempo? Por quanto tempo, ainda, estaremos (ou estarão) perdidos? Nada mais individual que o tempo necessário a cada um de nós para acharmos nosso bom caminho.  O tempo de Deus é eterno e infinito, mas o nosso tempo depende do quanto somos ainda muito teimosos, orgulhosos, vaidosos, arrogantes, preguiçosos... A nosso favor, iluminando por onde caminharmos, existe a força interior da Centelha Divina que nos habita. Ela traz a certeza de que, enfim, nos encontraremos.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

IRA E “DESCARREGO”




           “Carregamos” emoções e sentimentos agressivos, a nós e aos outros, durante muito tempo, muitas vezes abafados, acumulando, azedando, transformando-se de frustração em irritação, raiva, mágoa, ressentimento... às vezes, explodindo em ira e aos poucos nos implodindo, envenenando-nos a alegria de viver e a leveza em nossas relações.
            Começam, quase sempre, com coisas pequenas, tolas... Coisas que eu “não esperava”, que se contrapunham à minha vontade e expectativa, situações e pessoas sobre as quais eu não tinha controle (embora achasse que tinha), situações e pessoas que eu idealizava e depois me desiludia, porque não eram reais!    Mas, mesmo assim, “Até que ponto eram importantes?”
            E nossa dimensão emocional foi ficando saturada com emoções negativas, que fomos deixando crescer e se acumula, em consequência de nossa inércia, passividade, e falta de atitudes assertivas em nossas relações. Esperávamos (outra ilusão) que os outros se modificassem para que fôssemos poupados de nos posicionar em respeito a nós mesmos.
            Tantas emoções destrutivas aprisionadas em nosso interior por crenças, necessidade de aprovação, ilusões, medo... podem nos forçar a um descontrole emocional, até a Ira, a fúria. Quando o “saco” está cheio, qualquer palavra ou “sacolejo” nos faz transbordar em cima de quem estiver por perto. Nesse momento, fica difícil controlar a nós mesmos! Ficamos rebeldes, desafiadores. Não queremos, nem conseguimos, nos acalmar, pensar e agir com lucidez, ou até mesmo rezar! A Ira nos arrebata! É muito ruim!
Então, em crise, toda a energia que circula em nós parece estar contaminada, atraindo pessoas e situações semelhantes – pesadas e adoecidas emocionalmente.  Ficamos até fisicamente adoecidos, estamos “pesados”, sentimos que precisamos nos limpar, nos “descarregar” desse excesso doentio e negativo. Buscamos limpezas energéticas, que recebemos de fora através de rezas, reick, passes mediúnicos, águas bentas, exorcismos, jorey... Essas práticas nos ajudam na medida em que buscam “queimar” e transmutar essas energias negativas, enquanto despertam energias sadias recebidas através dessas vivências de boa vontade e amor. Mas é necessário que não voltemos a criar essa massa doentia em nós!
É necessário um “descarrego” interior. No momento da crise, da Ira, tenho necessidade, antes de tudo, de me acolher, me aceitar, sem sermões, sem auto censura...  Respeitar meus limites naquele momento, dar-me um tempo para esvaziar e tentar reaver meu equilíbrio... Depois, preciso drenar fisicamente o excesso de energia desencadeado por minha intensa raiva: correr, cansar, gritar, chorar... Drenar psicologicamente, simbolicamente, desenhando, escrevendo, queimando, compartilhando... Após um tempo, preciso buscar o silêncio da natureza para me refazer e onde posso conversar com quem, realmente, me sente e entende – Deus.
           Toda crise nos sinaliza que há necessidade de mudança. É importante iniciar um processo de drenagem contínua desse lixo emocional que criamos com nossas crenças equivocadas, com nossas expectativas idealizadas e absurdas, frutos de orgulho, vaidade e infantilidade e da nossa falta de coragem por não sermos honestos e assertivos em nossas relações. Quando não aprendemos com a crise, somos condenados a repetir, repetir, repetir... até murchar ou “morrer de raiva”!