Pesquisar este blog

domingo, 17 de setembro de 2017

SONHOS ACABAM




         Sonhos são fantasias maravilhosas, bonitas, gostosas, que nossa imaginação cria para nos oferecer “felicidade”. São o que desejamos de melhor para nós. Eles são coloridos, alegres... Neles tudo se encaixa, tudo é perfeito. Permanecemos jovens, fortes, bonitos... Nossos amores, para sempre frescos, apaixonados... Nossas famílias, compreensivas, amorosas... As pessoas, generosas, verdadeiras, fiéis...   Um mundo perfeito!  Dormindo ou acordados, sonhamos sempre com a perfeição para nossa vida. Idealizamos a perfeição para nossa felicidade e desejamos que tudo permaneça assim. Queremos ser felizes para sempre!
         Mas sonhos acabam! Sonhos  são como balões coloridos que nos levam muito alto e por fim estouram! São como encantos que nos deslumbram, mas nos mantêm aprisionados em sua antiga magia. Um dia a magia precisa se desfazer, porque precisamos seguir. Em algum momento temos que acordar... Afinal, nascemos para viver e não para apenas sonhar.
          Despertar dos sonhos é tão difícil!  Lutamos para não acordar, para não abandonar o que nos fazia tão felizes!  E assim, acordar pode se tornar um processo muito sofrido. Às vezes, somos acordados abruptamente, sacudidos num repente que nos horroriza. São fatos incontestáveis, perdas inesperadas, irreparáveis, com que a vida nos confronta – mortes, acidentes, traições...  Ficamos aturdidos, sem acreditar que “tudo” possa ter acabado.
            Noutras vezes, se resistimos em acordar, os sonhos vão, lentamente, dolorosamente, se transformando em pesadelos, onde, com desespero, tentamos obrigar pessoas e situações a se adequarem aos nossos sonhos para que eles permaneçam. E a agonia se prolonga, até que desistamos dessa insistência e, finalmente, aceitemos acordar.
            A Vida nos chama para outras possibilidades e precisamos despertar!  Sonhos podem, e devem, ser um norte para nossas buscas e anseios. Mas é acordados que vivemos.! É acordados que podemos buscar as promessas de felicidade sonhadas e desejadas. É acordados que podemos aprender a amar as pessoas reais, do jeito único que elas são. É acordados que aprendemos a defender e respeitar quem somos, em vez de tentar nos adequar aos nossos sonhos ou aos dos outros. É acordados que poderemos olhar, com realidade, as pessoas e as novas possibilidades. É acordados que vivemos, crescemos e vamos nos transformamos. Afinal, para isso nascemos!


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

STATUS E PODER





          Nosso ego foi forjado na luta e para a luta.  Criados assim, naturalmente, numa visão de força/ luta constante e de submissão dos mais fracos, nos comparamos sempre, querendo ser os vencedores, jamais os perdedores. Submetemos nosso valor  ao aplauso  dos outros e buscamos seguidamente esse aplauso, que nos faz sentir superiores e poderosos. Nosso orgulho, nossa arrogância, nossa vaidade e essa busca de valorização, assim se retroalimentam, criando um vórtice que nos atrai, e que a alguns, desequilibra e descontrola, na busca, cada vez maior, de Status e Poder.
          Imersos nesse mundo, educados e condicionados por seus valores tão materialistas, buscamos superioridade em quaisquer grupos onde estejamos : Família, Escola, Igrejas, Esportes, Políticas, Ideologias, Nações... Em relações tão competitivas, quanto maior o status e poder - maior, melhor e mais seguros nos sentimos.!  “Quem é o mais forte? Quem tem razão? Quem sabe mais? Quem pode mais? Quem é mais sucesso? Quem é mais importante? Quem ganha mais? Quem segue o deus melhor e mais poderoso?  Quem tem mais? Quem é o campeão? Quem...”  Por isso e para isso desejamos e precisamos tanto de Status e Poder!
           Nesse mundo de Ter e Parecer, esse Poder parece nos ser garantido pelo Dinheiro e tudo que ele pode comprar e pelo Status, que afaga nossa vaidade e nos garante a inveja que os nossos saberes, a nossa capacidade de aparecer e parecer mais e melhor, despertam naqueles que estão “inferiores”. Comparações, competição constante, impiedade, ansiedade, medo, cansaço... Status e Poder não podem nos dar Felicidade, que é de outro nível, mas, enfim, alimentam e agradam demais ao nosso Ego tão materialista!
            Hoje temos um discurso por igualdade, lutamos por um mundo sem discriminações de qualquer espécie.  Na verdade,  é apenas o início desse caminho. Nosso ego, em muitas questões, ainda se revela faminto de reconhecimento, de status e de poder; ainda supervaloriza e quer imitar modelos de “sucesso mundano”;  ainda se sente muito amedrontado, apegado a supremacias e privilégios para abrir mão deles ou abrir mão de lutar por eles, ainda que os abusos e os excessos dos outros nos horrorizem!.
            Só muito aos poucos, entendendo que a mudança desse modelo falido e atrasado depende da mudança interior em cada um de nós mesmos, poderemos ir reeducando nosso ego, num processo de contínua descoberta íntima. Só uma escuta honesta e cuidadosa de nossas motivações, sentimentos e atitudes, poderão ir  trazendo-nos para nosso próprio valor e poder de seres únicos, sagrados, maravilhosos ... Só esse olhar interior, amoroso, cuidadoso e curioso, poderá, um dia de cada vez, nos libertar da agonia de mendigar e disputar Status e Poder no mundo.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

AGONIA E PAZ



     Existem momentos, que às vezes se prolongam demais, em que nos sentimos presos a lutas cansativas e desesperadas e nos debatemos em contínua agonia! Lutas interiores por questões fora de nós, questões onde somos impotentes, questões que envolvem  os outros e um mundo que nos parece tão errado!

      É quando não aceitamos o passar do tempo, que nos traz tantas limitações físicas e perdas “inaceitáveis”... É quando não aceitamos a desatenção, a indiferença, a insensibilidade, a falta de tempo, o abandono, o desamor daqueles que mais amamos... Ou quando  não aceitamos suas escolhas, quando elas  nos parecem tão diferentes e até perigosas, doentias...  E tão agoniados ficamos que não aceitamos nossa própria dificuldade de lidar com tão grande tumulto interior!

       É quando não aceitamos o tempo em que vivemos, tempo onde só é ressaltado o lado perverso e doentio do próprio Homem – maldades, espertezas, corrupções, agressões à Natureza da qual fazemos parte... Um tempo que faz apologia do feio, das disputas, do subjugar uns aos outros - na família, na sociedade, entre as nações... Um tempo que banaliza o mal, e assim, cada vez menos, ele nos causa impacto e incredulidade!

        Não podemos aceitar!  Lutamos, nos revoltamos com os “erros e errados”... e nos vemos prisioneiros de uma Agonia sem fim!  Idealizamos, queríamos tudo tão diferente! Mas, como fazer tudo e todos serem diferentes? Não conseguimos, por impotência ou incompetência? Como aceitar o inaceitável?

         É porque  Aceitar não é gostar! Aceitar é apenas não lutar contra a realidade, é respeitar o que é possível a cada um de nós e ao mundo, a cada dia... Aceitar é apenas reconhecer  que somos impotentes para modificar os Outros. Aceitar é respeitar outras impossibilidades, para resguardar nosso poder para nós mesmos, para as ações possíveis,para fazer o que realmente podemos...
          A aceitação, lúcida e verdadeira, de tudo aquilo que não podemos modificar, nos faz relaxar e traz tranquilidade. Mesmo com dor e tristeza, ela nos liberta das “missões impossíveis” de “salvar os outros e o planeta” e nos devolve a força para Cuidar de nós mesmos, nos transformar, e poder , com humildade e respeito, colaborar . Assim, vamos substituindo a raiva, a inconformação, a arrogância de tudo julgar, condenar e querer modificar, a depressão, a escuridão e a Agonia do des/espero,  por uma Paz Interior, com Simplicidade, e a Esperança  de sermos, nós mesmos, mais equilibrados e pacíficos num mundo que desejamos mais sadio e amoroso.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

VIDA – MOVIMENTO – AÇÃO



      Estamos vivos e a vida se revela em nós por movimento e ação! Sentimos a Vida se manifestando através de nossas várias dimensões/corpos: físico, emocional, mental, espiritual. Toda a energia da vida que circula em nós, requer movimento livre, que a impulsione e ação, que a direcione, obedecendo à nossa vontade. E é essa vontade, conduzida por nossas crenças, pensamentos, sentimentos  e características próprias de nossa personalidade, que irá direcionar nossa ação.

         Podemos, no entanto, nos deixar  impressionar e impulsionar por crenças, pensamentos, sentimentos  negativos e também, por orgulho e vaidade, que auto justificamos e que podem nos levar a ações defensivas, agressivas, quase sempre reativas. Interagimos, assim, sempre de forma mal humorada e ácida, mesmo quando disfarçada, observando, julgando, criticando... Esse tipo de ação muito pouco de bom, realmente, acrescenta a nós ou às nossas relações.

         Podemos, também, decidir passar pela vida e suas questões de modo inerte, “sem ação”, bloqueados pelo medo de nos expor, de nos machucar, pelas dúvidas paralisantes, pela preguiça... “deixando a vida nos levar”, sem arriscar, sem nos auto responsabilizar.    Ou podemos preferir nos fechar a tudo e todos, desconfiados, tentando sempre nos resguardar de desilusões, de perdas, de dores... Não temos, então, uma ação nutridora, nem nos permitimos  receber nutrição! Não compartilhamos – sentimentos, bens, ideias...  Nossa inação nos torna carcereiros de nós mesmos, paralisados, paralisando as oportunidades de descobrir e crescer, nos isolando, dificultando nossa caminhada.

         Mas podemos ainda decidir ir rompendo as amarras do medo, da raiva, da vaidade e orgulho, que tanto nos isolam e nos empobrecem, que nos prendem à margem das possibilidades melhores da vida. Podemos escolher uma ação marcada pela honestidade e pelo respeito, que nos aproxime de nós mesmos e de nossas relações.  Podemos, também, com humildade, aceitar nossa impotência ante quaisquer pessoas e algumas situações e buscar a orientação de um Poder Maior para nossas escolhas e as possíveis ações. Podemos ter uma ação criativa ao nos perguntarmos sempre: Qual a minha parte nas questões!  O que posso?

         Afinal, qual é a minha vontade? Que tipo de movimento interior me leva à ação? As atitudes que tomo me trazem alegria, me aproximam? Num mundo tão vivo, onde estamos todos em tão grande interação com a natureza e seus seres, minhas ações influenciam sempre o meu mundo!  De que modo escolho fazer a minha parte?  Minhas atitudes revelam a vida que se movimenta em mim!
E, “ Se nenhuma ação for possível, repousaremos na paz e no silêncio interior que acompanham a aceitação. Descansaremos em Deus!’                        Eckart Tolle

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O Meu Bom Pastor




        Não somos massa maleável e moldável, que qualquer pessoa dê variadas formas, nem somos parte de rebanho, que alguém possa tanger e direcionar.  Nós somos gente e fazemos parte da  Criação de um Poder Maior de Puro Amor e Sabedoria – Ele é Nosso  Pastor!   Com Ele, nada nos faltará!

         Ainda que tudo à minha volta desabe, ainda que muitos daqueles que amo se vão, pelo correr do tempo, pela vida, pela “morte” e eu fique sozinha, Tua presença e Teu amor não me faltarão!

        Ainda que tudo à minha volta, em minha casa, em meu país, em meu mundo, seja divisão, traição, maldade, loucura, desvios, indiferença, crises e tempestades , Teu Amor, Sereno e Tranquilo, não me faltará e eu terei força para esperar pela bonança.

           Ainda que meu corpo se desgaste, se esfarrape, pelo abuso e pelo uso dos anos, ainda que ele esteja, cada vez mais, debilitado, limitado, sem beleza, Teu Amor e Consolo não me faltarão!

           Ainda que eu atravesse, me perca e me demore pelo “vale da morte” dos descaminhos humanos, Tu sempre estarás, amoroso, disponível e paciente, me acompanhando e aguardando eu me encontrar.

           Ainda que eu me veja confusa, decepcionada, amedrontada, comigo mesma e com o mundo, Tua Sabedoria, paciente e confiante, não me faltará e sempre encontrarei força, orientação e coragem  para continuar...

         Contigo, em Teu Amor, nada realmente nos faltará. Somos centelhas de Ti! Carregamos, em cada um de nós, a semente, ainda tão embrionária, de Tua Perfeição!  Teu Tempo, como Teu Amor e Sabedoria, é infinito! Passo a passo, caminhamos para Tua Luz, a nossa Meta, em passos ainda tão vacilantes, trôpegos, demorados, mas encorajados e confiantes que Nosso Pastor Não nos Faltará!

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

HUMILHAÇÃO E HUMILDADE



          Nosso ego, vaidoso e orgulhoso de si mesmo, querendo sentir-se sempre o melhor, o mais especial, quando se vê despido dessa fantasia por nossas falhas ou “derrotas” ante os outros, se sente humilhado.  Humilhação é a dor do ego ferido.  É dor que se mistura à vergonha de nos sentirmos expostos em nossas fraquezas, em nossa simples humanidade e igualdade... “Afinal, eu não era tudo que pensava ser, tudo que queria ser, tudo que eu alardeava ser”...  Nossa humilhação nasce, então, de nos sentirmos “desmascarados” em nossa fantasia (mesmo quando disfarçada) de sermos mais: fortes, ricos, poderosos, belos, inteligentes, bons, justos, merecedores... E, quando submetidos aos “mais poderosos”, humilhados e ressentidos, temos o desejo de sermos tratados, ao menos, como iguais!

            Somos seres únicos, mas não nos conhecemos o suficiente para nos valorizarmos e nos amarmos, por isso, estando em grupo, buscamos sempre valorização pelos outros. Precisamos nos comparar e mostrar que “somos mais”, que temos valor, que somos melhores ou muito bons! Quando isso não acontece, nos sentimos menores, humilhados. Num mundo tão competitivo, ser menor nos assusta e a derrota nos humilha.  Quando derrotados em nossas próprias expectativas orgulhosas e vaidosas, em várias circunstâncias na vida, custamos a admitir e negamos, racionalizamos, justificamos...  Sentimos raiva, vergonha, tristeza e Humilhação!

            Mas esse momento de dor pode ser o ponto de mutação, que transforma fantasia em realidade, pode ser o início da caminhada da humilhação até a humildade. É o primeiro passo para a aceitação respeitosa e amorosa do que somos, do que podemos,  em cada momento. Vamos aprendendo que nosso maior compromisso é conosco mesmos. Vamos desligando-nos das comparações, entendendo e aceitando que cada um é único em potencialidades sagradas e falhas humanas. Atentos sempre a nós mesmos, e em meio aos outros, podemos, algumas vezes, com a abertura da cabeça e do coração, com simplicidade e humildade, ir aprendendo um pouco do tanto que nos falta... 

E quando já iniciamos a descoberta e reforma de nós mesmos, talvez a humilhação mais dolorosa seja aquela que o Mundo nem vê! Vem com a vergonha interior de ter que admitir para nós mesmos que ainda não somos quem queríamos ser, não somos quem já pensávamos ser ou poder... Mas essa dor de nos sentirmos, ainda, tão pequenos, é mais um outro momento para transformar nossa humilhação em humildade, buscando o amor de um Poder Maior que nós mesmos para acolher nossa humanidade e nos ajudar a superar nossas falhas. (7º P) 
           
            Humildade é a delícia da aceitação de mim mesmo em cada  momento da vida. Humildade é a gostosura de viver com simplicidade, de se ver em igualdade, em paz... Humildade é o conforto do reconhecimento do que ainda não sei e é a condição primeira para o aprender.  Humildade é o reconhecimento do que ainda não posso e me leva, cada vez mais, a entregar-me a um Poder Maior Amoroso Paciente, que me traz força e serenidade.