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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

TRADIÇÕES

Regras ou Sugestões?

O segredo para uma vida com alegria, aceitação e serenidade nos tem sido revelado nos momentos de Encontro que renovadamente temos em nossa Irmandade. Tudo começou, para mim, num grupo especial de pessoas que, como eu, do fundo de tanta agonia, buscavam, senão um caminho para a felicidade, pelo menos a sobrevivência ou uma saída para tanta dor. Naquela época eu tateava perdida numa escuridão sem fim, estendendo a mão em muitas direções, até que, naquele lugar, naquele grupo de pessoas, encontrei apoio, braços que me acolheram, rostos que me sorriram, irmãos que me ouviram.
Foi o início de uma nova etapa onde amar não necessariamente era sofrer, onde viver tornou-se uma eterna aventura de descobrir, compartilhar, amar. Nesses Encontros, comigo mesma e com meus companheiros, aprendi a desfrutar de um amor sem lutas por posse, tão diferente da amargura dos meus desencontros familiares.
Um dia de cada vez, fui descobrindo a possibilidade de estarmos juntos usufruindo a magia dessas trocas em grupo. Tudo isso é resguardado por nossas TRADIÇÕES. Elas visam nos defender, individualmente e em grupos, de nossas dificuldades pessoais para lidar com o Poder. Isso se revela em nossa necessidade de controle, de status, de bens materiais, de termos razão, de sermos os melhores, de nos acomodarmos, de não nos responsabilizarmos... de nos afastarmos de nossos propósitos espirituais de felicidade. As TRADIÇÕES gentilmente nos chamam e alertam, através de sugestões, para uma constante atenção e para o exercício desses princípios espirituais que nos proporcionam relações mais sadias e felizes.
Esses princípios são valores que nutrem nossa dimensão espiritual, são formas de se expressar do Amor – solidariedade, o servir, aceitação, liberdade (autonomia), responsabilidade (autosuficiência), verdade, humildade, respeito, simplicidade... As TRADIÇÕES são apenas sugeridas em respeito à liberdade imprescindível ao nosso crescimento. Elas não devem ser vistas como dogmas, leis ou regras que, embora pudessem mostrar organização, em contrapartida, dificultariam o movimento para descobertas, modificações, para o crescer e florescer de cada um de nós, dos grupos e da Irmandade.
As TRADIÇÕES refletem a sabedoria conquistada através de tentativas, de acertos e desacertos que tantas 24 horas puderam proporcionar a companheiros e grupos. Eles tiveram a autonomia e coragem de escolher como agir, a mente aberta para reformular e aprender e a Boa Vontade de nos oferecer toda essa experiência.
Quando a compreensão de tudo isso vai se fortalecendo em nós, vamos escolhendo a “ obediência ao que é apenas sugerido” porque, já então, aceitamos livremente as sugestões, acreditamos em sua sabedoria e somos muito gratos a esse Legado.

Sugestões e comentários: mariatude@gmail.com

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Novas Crenças/Escolhas


Vivemos numa verdadeira ciranda em relação a muitas questões que nos vão sendo trazidas pela vida. O movimento da espiral é, às vezes, rápido, intenso ou mais moderado, fraco. Em muitas ocasiões, tentamos tomar atitudes que pensamos serem diferentes mas, na verdade, têm objetivos iguais porque se fundamentam em crenças antigas. (“Preciso modificar o Outro, fazê-lo entender que busco o melhor para nós, para ele; que tenho razão, sei mais, amo mais, lutarei até o fim por nós... e espero mais amor e valor”). Quando não conseguimos as respostas adequadas, acabamos, algumas vezes, por desistir: “pulamos fora” como podemos _ restando um sentimento de fracasso, menos valia/culpa ou culpamos os outros(familiares, amigos, colegas...) e recomeçamos tudo adiante, igual, apenas com outras pessoas, relações, projetos. Achamos que se mudarmos os objetos do nosso desejo, a nossa vida agora irá dar certo mas – nós permanecemos os mesmos!
Há algum tempo vivenciei todo esse processo intensamente. Senti minha vida girando em movimentos a princípio lentos até chegar a velocidades enlouquecedoras que me tiravam o raciocínio, a capacidade de rir, chorar, rezar – senti o horror e o desespero de acreditar que tinha que cumprir uma missão que se mostrava impossível – resgatar um de meus filhos de uma rota auto destrutiva, perversa, adoecida, adicta. Acreditava que tinha o poder e o dever como mãe de modificá-lo, redirecioná-lo, salvá-lo de si mesmo. Não dava para abandonar a luta então resignei-me a lutar contra ele, tudo e todos, por Amor, até o fim. Não via outra saída. E não havia – enquanto minha mente permanecesse fechada, aprisionada naquele modo de acreditar e buscar soluções.
Um dia , em meio a mais uma batalha daquela guerra sem fim, fui convidada a ouvir pessoas desconhecidas, anônimas, que vivenciavam situações semelhantes à minha. Compartilharam comigo suas histórias, sentimentos e esperanças, a partir de um novo enfoque, realista, de quem somos, o que realmente podemos para reconquistar nossa vida e o direito de sermos felizes. Um novo olhar, Novas Crenças, apontavam outra direção e era sugerido que essa caminhada fosse feita através de Passos, Com calma, suavemente, Um dia de cada vez. Procurei Manter a mente aberta, Escutei e aprendi que:
-somos impotentes perante qualquer ser humano, não podemos modificá-los. Não somos incompetentes, apenas impotentes. Se insistirmos nessa impossibilidade perderemos o controle de nós mesmos, de nossa vida e a possibilidade de sermos felizes. “Por minha felicidade sou o único responsável!”. Mas como, onde, encontrá-la?
-quem poderia me mostrar esse caminho senão um Poder Superior/Maior que habita em mim, em tudo? Decidimos crer na Sua sabedoria e nos entregarmos a Ele em vez de querer orientá-Lo, cobrar providências. Solte-se e entregue-se a Deus.
-o bom senso advindo dessa entrega, sua inspiração, me diz: só posso modificar a mim então o amor deve começar em mim para poder chegar ao outro. Preciso aprender a cuidar de mim: descobrir meus dons únicos, ter uma nova escuta de mim, de meus sentimentos. Decidimos iniciar a aventura incrível de nos conhecer, nos aceitar, nos revelar, buscarmos estar prontos para mudar e, com humildade, pedir ajuda para, cada vez mais, nos libertarmos de aspectos que nos entravam, aprisionam. E então, fazer desabrochar nossos dons únicos.
Com disposição, sob um novo olhar, decidimos rever nossa história, nossa relação conosco mesmos e com os outros, nossos acertos e desacertos; buscamos entender o que queremos e o que podemos reparar a cada dia.
Precisamos manter esse novo contacto interior, um dia de cada vez, com ternura e perseverança, com alegria e aceitação. Daí resulta a percepção de que tudo em nossa vida fez parte de um processo maior e encontramos força nessa relação cada vez mais estreita com o P.S para vivenciar as etapas do processo.
Passamos a acreditar que a vida não é uma luta mas uma oportunidade contínua de libertação com responsabilidade e aprendizado do Amor. A alegria que nos advém desse exercício transborda e queremos, precisamos, escolhemos, compartilhá-la com outros. Tudo isso pertence a um novo sistema de crenças que traz novos sentimentos e comportamentos, que nutre nossa dimensão espiritual e nos religa à Origem.
Aceitar ou não é uma decisão de cada um.
Eu aceitei... e a partir daí, tudo mudou!


Sugestões e comentários: mariatude@gmail.com

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O SUPÉRFLUO E O NECESSÁRIO


Nosso modo de pensar e sentir foi condicionado pelo grupo onde crescemos, pelas nossas experiências na vida e hoje, muito fortemente, pela mídia. Pela nossa necessidade de pertencer, fazer parte, ser aceito e valorizado, ficamos fortemente influenciados pelas idéias que absorvemos desses grupos. Ficamos submetidos a modismos, aos anseios dos que visam estimular as competições e os ganhos materiais.
Supérfluo é a distorção, o excesso, o exagero, do que é prazeroso e do que precisamos para viver. É a busca do que é “a mais”: mais consumo de coisas, mais variedades, mais novidades, mais detalhes (nas pessoas e nas coisas), mais títulos, mais poder, mais... Supérfluo é o que buscamos atendendo às imposições da mídia e aos delírios de nosso ego adestrado para acatar o que vem de fora... Supérfluo é o que sobreveste e esconde nossa identidade física, nosso estilo único de seres únicos; que distorce nosso cheiro, nosso corpo, nossa comunicação com as pessoas, com Deus... E esse supérfluo cobiçado, buscado a qualquer preço, nos leva à distração, à desatenção de quem realmente somos e do que realmente precisamos para viver, crescer e ser feliz. E o lema nos lembra: Até que ponto isto é importante?
Necessário é o que respeita e garante nossa existência física, o que satisfaz, com simplicidade, muita atenção e bom senso, nosso ego tão influenciável e o que nutre nossa dimensão espiritual. É atender às nossas demandas básicas e às mais altas de seres espirituais em uma experiência material. Necessário é o que desperta, alimenta, nutre e fortalece nossa espiritualidade: verdade, respeito, bom humor, beleza, compaixão, justiça, generosidade, gentileza, solidariedade...Necessário é o bastante, o suficiente. É o que atende ao ser e não ao parecer; é o que garante que não nos percamos de quem somos e do que queremos.
Para estabelecer minhas prioridades e manter-me focado, é bom lembrar que “estou aqui mas não sou daqui”. Estou de passagem, então, é bom que deixe os excessos de bagagem, que caminhe bem leve. Não quero complicar nem dificultar a revelação e libertação de quem realmente sou.
O Necessário é medido pela simplicidade.”Mantenha-o simples”

domingo, 12 de setembro de 2010

ATENÇÃO E ESCOLHAS


Estar atento é estar vivo. É estar aberto às possibilidades do Aqui/Agora. Contudo, em nome da educação para a vida, fomos condicionados à desatenção com o momento. Aprendemos a estar todo o tempo relembrando o passado (distante ou “ainda agora”) ou conjecturando sobre o futuro (distante ou “daqui a pouco”). A vida, enquanto isso, vai passando, transformando-se na nossa história, perdendo-se a possibilidade de sermos criativos, co-autores de nossos destinos através das escolhas do momento.
A Atenção com o Aqui/Agora, aliada à abertura de nossas mentes e corações, é que torna possível o “dar-se conta”, o entender, compreender, descobrir novos ângulos das questões de nossa vida. Nossas relações se enriquecem quando estamos atentos ao Outro – atentos ao que ele é e ao que ele pode – não ao que queríamos que fosse ou pudesse. Só quando estamos em estado de Atenção podemos realmente usufruir o que é bom, defendermo-nos do que não é, cuidarmos de nós mesmos e de nossos amores.
O estado de atenção é um estado de permanente curiosidade e interesse por nós mesmos( nosso corpo, nossos sentimentos, nossos pensamentos/crenças, para nossa espiritualidade), por tudo e todos que nos cercam.
Fazer Escolhas também é estar vivo, participando ativamente de nosso destino. “O momento da decisão é o mais solitário da vida humana” porque as escolhas, por mais simples que sejam, são de nossa inteira responsabilidade. Elas vão traçando nosso caminho pela vida. Mesmo quando parecemos não optar, deixando aos outros as decisões do nosso destino, isto também é uma escolha. Queríamos tanto a certeza de estarmos escolhendo “o melhor”, “o que vai dar certo”... mas nosso compromisso com a Vida, é só com o que podemos, Só por hoje, Aqui/Agora – e esse compromisso requer Atenção, Abertura e Coragem.


Sugestões e comentários: mariatude@gmail.com

domingo, 5 de setembro de 2010

LIBERDADE – UM PRINCÍPIO ESPIRITUAL


Somos seres vivos, espirituais, “mutantes”, em processo contínuo de aprendizado, crescimento, evolução, aperfeiçoamento. Para tanto todos necessitamos de Liberdade. Só realmente crescemos quando temos liberdade para escolher, acertando e errando, podendo compreender... Sem essa oportunidade nada aprendemos, apenas seguimos ordens, regras, aceitamos soluções prontas e repetimos modelos – mesmo quando são bons modelos. Quando somos comandados e direcionados não crescemos, não nos tornamos criativos ou realmente aprendemos, tornando-nos, sim, meros repetidores, adestrados, ainda que para um bom propósito.
A importância do que não nos é imposto, do que nos é apenas sugerido, é que ficamos com a oportunidade de escolher, assimilar e depois assumir as conseqüências de nossas opções. Não restam mais as desculpas, as culpas alheias. Na Liberdade está implícita a auto- responsabilidade por nossas crenças, pensamentos, sentimentos e comportamentos, por nosso caminhar no mundo. Nos grupos humanos ( Família, Igreja, Escola, Empresas,Nações, etc)onde a liberdade individual é cerceada em nome da boa ordem, do poder e crescimento material e até moral, as riquezas, o poder e o sucesso podem até se acumular, mas os indivíduos mantêm-se infantilizados, tornam-se meros fantoches, abrem mão de si mesmos, de sua natureza ímpar, esquecendo sua origem sagrada de seres espirituais.
A Liberdade desfrutada nos conduz por experiências de acertos e erros aonde vamos aprendendo e exercitando a Humildade, a importância de ouvir com abertura, de falar com Honestidade, de reconhecer falhas, de refazer caminhos... A ânsia de liberdade nos leva ao auto-respeito e a sermos respeitosos com os outros, aprendendo a amar sem controlar e sem se deixar controlar, a amar sem sofrer e sem fazer sofrer, a “viver e deixar viver”
A Liberdade é um princípio espiritual porque ela emerge com a força e beleza da luz desta nossa dimensão. Ela nos faz sentir realmente seres espirituais, criaturas únicas, caminhantes responsáveis por nossas próprias histórias, conscientes de nossa origem e destinação sagradas.

Sugestões e comentários: mariatude@gmail.com

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

MANIPULAÇÂO


De todos os descaminhos da comunicação, é a manipulação a arte final a serviço da luta pelo controle dentro das relações. A disputa vira um jogo que não aceitamos perder. Acreditando na justiça de nossos “bons motivos”, fazemos uso de mentiras, omissões, disfarces... Fazemos uso, na verdade, das pessoas, utilizando-as com total desrespeito para atingir nossos objetivos em nome do amor, para o bem...ou não.
Manipular é acreditar que os fins justificam os meios.
Nesse jogo jamais nos revelamos inteiros, de cara e coração abertos, descobertos. Usamos muitas máscaras, tantas quantas forem necessárias às várias situações que precisam ser controladas. Desde a mais tenra idade aprendemos a nos comunicar manipulando, conseguindo as vantagens que buscávamos, materiais ou não.
Com a prática, refinamos a “arte” de trazer o outro para nossa área de controle, bajulando, concedendo demais, fingindo concordar, dizendo ao outro o que sabemos que ele quer ouvir, escondendo aspectos de nós ou dos fatos que poderiam desagradar,
fingindo nos deixar manipular, rindo ou sério, sorrindo ou chorando... é a arte do parecer em vez do ser. E quando nos sentimos ameaçados de perder o controle do outro, usamos outras armas que lhe provoquem raiva, culpa, medo, criando silêncios e “climas” que geram insegurança, ameaçando, fustigando com palavras, chantageando suas emoções... paralisando-o na disputa.
Com essa crença de tudo valer pelo amor, pela justiça, pelos nossos direitos, continuaremos competindo, lutando e jogando dentro das relações. O preço é que nos desgastamos, nos frustramos, magoamos, somos magoados, até chegarmos, muitas vezes, ao abandono, quando já não nos interessamos mais pelo outro porque só colhemos Desencontros. E então paramos de jogar e o descartamos!!
Nossas relações mais queridas, mesmo quando aparentemente boas, se estão alicerçadas e mantidas com manipulações, são castelos de areia que não resistem à nossa necessidade intrínseca de valores espirituais como respeito, auto respeito, verdade... E são esses valores que verdadeiramente permitem o Encontro pelo qual tanto ansiamos.

Comentários e sugestões: mariatude@gmail.com