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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Ternura I



É a face doce do Amor. Ela aquece e colore suavemente nossas vidas e relações. O Amor nos faz felizes e ele precisa se expressar através da ternura. Ela é suave, macia, sem asperezas, arestas, lutas ou arranhões. A ternura é um bálsamo refrescante para quem a sente e para aqueles que a recebem. Ela acompanha o carinho, se revela na brandura das palavras, na doçura do olhar, nos cuidados ao chegar, na suavidade do tocar, na alegria e bom humor de estar.
Amar sem ternura é incoerente, não combina! “os brutos ainda não aprenderam a amar”. Quando ficamos ásperos, ressecados, mal-humorados, já não é mais o amor que nos move... ele se distorceu, definhou. Se em nossas relações mais caras perdemos a ternura, na verdade estamos nos perdendo uns aos outros, perdendo a alegria que nos unia, o viço do nosso Encontro. Não adianta ficarmos cobrando ou esperando receber ternura dos outros (cobranças são horríveis, só afastam). Cabe a cada um de nós oferecê-la, vivenciá-la, a cada momento; ternura por tudo e todos, porque é a nós, antes de mais nada, que ela aquece; é à nossa própria vida que ela dá brilho e gostosura.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Limites



Ao contrário do Controle, que invade, , bloqueia, sufoca, nos faz lutar com qualquer arma e artifício até o fim de nós mesmos e de nossas relações mais caras, estabelecer nossos Limites é a condição primeira para o exercício do auto-respeito. É o estágio inicial na construção de nossa auto-estima, é o que nos possibilita amar sem sofrer ou guerrear. É um paradoxo, uma ironia, mas precisamos reconhecer e respeitar nossa unicidade, nossa individualidade, nossas diferenças de história, de personalidade, de propósitos, de possibilidades no momento, para que possamos descobrir que todos somos Um, para que possamos desfrutar do Encontro conosco mesmos, com os outros e com o Poder que nos originou.
Reconhecer nossos limites é necessário para que possamos respeitá-los. Tão acostumados estamos a invadir e nos deixarmos invadir nas tentativas de controlar que precisamos perseverança, coragem e “sabedoria para distinguir” o que posso do que não posso, o que é da minha conta e o que não é, o que é meu do que é seu. Conhecer meus limites, só por hoje e a cada dia, faz parte do processo de ir-me vendo, descobrindo e cuidando; ele é inacabável, desafiador, instigante, mas, quando é feito com aceitação, paciência e bom humor, torna nossa vida uma viagem incrível, com montanhas e baixios, planícies floridas, bosques escuros, oceanos misteriosos, lagos cada vez mais serenos.
Meus limites, a cada momento ou situação, precisam se respeitados antes de tudo e todos – por mim mesmo. Esta é minha responsabilidade, não posso delegá-la e cobrá-la dos outros. Preciso, sim, comunicá-los às pessoas da minha vida, com honestidade, sem manipulações, ameaças ou cobranças. Exercito minha coragem ao me colocar/revelar; preciso aprender a dizer Não com firmeza, superando o medo de não ser entendida, de ser rejeitada, de ser menos admirada ou amada. É todo um aprendizado de ser assertiva, de lealdade, libertação e respeito a mim mesma. É difícil, até angustiante, recaio tantas vezes... mas vale a pena!
Descobrindo, comunicando e honrando nossos limites, vamos naturalmente aprendendo a respeitar os limites dos outros e, só o Respeito garante o espaço necessário para o Amor entre nós.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Controle



Somos todos controladores; fomos ensinados e até adestrados para isso; aprendemos a nos relacionar dessa forma conosco mesmos, com outras pessoas, com situações, com Deus... são crenças poderosas que nos conduzem. Acreditamos que se estivermos no controle faremos tudo ser da melhor maneira, da maneira certa e assim nos sentiremos seguros, poderemos ser felizes. Aprendemos também a controlar nosso mundo interior para nos adequarmos ao que é esperado de nós, para que nossos sentimentos não nos traiam em nossa luta – porque tentar controlar é lutar eternamente. Vivemos em luta interna bloqueando e mascarando pensamentos/emoções e luta externa tentando redirecionar tudo e todos. Acreditamos que o amor nos trás o dever de controlar o outro para seu próprio bem, de escolher o que é melhor para sua vida, de possuí-lo para que não se perca, para que não nos percamos um do outro. Acreditamos que seremos mais amados e valorizados na medida que consigamos manter tudo sob controle, sem perdas ou fracassos. Nossas crenças é que moldam nossas atitudes, porisso somos controladores!
Nossas tentativas de controle se revelam de forma clara ou, às vezes, sutil:,
- quando somos “bons demais” para os outros, escolhendo, decidindo, cedendo, resgatando, facilitando, nos responsabilizando, fazendo por eles o que é de responsabilidade deles... quando concedemos demais, muito, sempre; até mesmo quando deixamos que nos conduzam, que invadam toda nossa vida, na verdade estamos “dando linha” para que nos admirem ou se apoiem em nós, às vezes acomodados, culpados mas sempre devedores,
presos a nós.
- quando, frustrados e impacientes, cobramos: zangando, agredindo, gritando, chorando, culpando, nos magoando, silenciando...

- quando, em nome de um bom propósito, manipulamos: fingindo,
mentindo, “dando um jeitinho”, omitindo, sendo desonestos.
A tentativa contínua de controle interno e externo nos desgasta, tira o viço, a alegria e a espontaneidade. Usamos máscaras, de maior ou menor peso, que bloqueiam sentimentos\emoções, que amordaçam o Ser que somos, que nos distanciam justamente daqueles que tanto buscamos e tudo a serviço dessa luta que acreditamos ser lógica e justa. O nível de energia reprimida em nós e a frustração desesperada de não termos o controle desejado sobre acontecimentos e pessoas acaba por nos escapar e isso se evidencia numa crise de descontrole. A crise libera o excesso, nos restando a sensação de vergonha, culpa, fracasso, desesperança...
Na verdade perderemos o controle de nossas próprias vidas enquanto acreditarmos que temos o poder\dever de controlar a dos outros a qualquer preço. A possibilidade do ganho, da paz, da felicidade está em redirecionarmos nossas crenças, admitindo nossa impotência sobre o que está fora de nós mas reconhecendo e honrando o poder de nos modificarmos e às nossas próprias vidas; substituindo a força e luta desgastante e desleal pela coragem generosa, perseverante e bem-humorada para modificar o que posso ¬ - Eu.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Saudade I



É a agonia do que se foi, das perdas ... Sentimento que nos assalta quando ficamos reféns de um passado que foi bom, cheio de lembranças que ficam nos chamando, prendendo... saudade da infância, da juventude, da saúde e força física, dos momentos gostosos, da alegria dos bons encontros, dos sonhos e ilusões quando ainda eram possibilidades... saudade de nossos momentos de sucesso , das cidades menores, da vida mais lenta, mais curtida, das gentilezas, dos valores ainda não ridicularizados, dos bons tempos... Saudade de nossos pais jovens, dos irmãos ainda crianças, das paixões que nos arrebatavam, que ainda não se haviam desfeito, da douçura de nossos amores antes das decepções, mentiras, cobranças, silêncios...Saudade daqueles que tanto amamos e estão longe do nosso olhar, do nosso toque, do nosso abraço, em outros lugares distantes, em outras dimensões...
Tanto tememos as perdas mas,na verdade, são elas que nos revelam e fazem enfrentar novas realidades. Quando duramente nos lapidam, também possibilitam, uma nova visão de nós mesmos, das pessoas, da vida, desse Poder Superior com seus misteriosos e bons propósitos. As perdas nos empurram para a frente, para crescer e florescer e a saudade tenta nos deter, chama para voltar... Quanto mais tempo se vive, mais longo é o passado, mais perdas e mais saudades. Cuidado para não ficarmos aprisionados, congelados, hipnotisados, mesmo que por doces lembranças, porque Saudade é sempre “lá de longe, no passado” e a Vida está acontecendo Aqui e Agora.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

COMPAIXÃO I



A atitude e o exercício de nos dispormos a olhar o outro com abertura, com boa vontade, para entendê-lo e senti-lo, um pouco que seja, em sua humanidade, em seu momento e suas circunstâncias é que possibilita a empatia e o sentimento da compaixão. Esse exercício favorece também um processo de libertação das nossas prisões internas: necessidade de criticar, de julgar, nossa arrogância, nossas certezas. A compaixão nos leva para além da máscara do outro, da aparência dos fatos. É a nossa humanidade buscando a humanidade do outro. Essa atitude nos vai apaziguando e possibilita os Encontros intensos, verdadeiros, que dão significado e valor às nossas vidas. Somos inundados de uma doce ternura, do desejo de sermos melhores, de chegar mais...É importante entendermos que aceitar, acolher e amar o outro em sua humanidade, com sua história, sua luz e sua sombra, não significa aceitar, acolher e amar seus comportamentos, quando desorientados, agressivos ou maldosos. Comunicar com auto responsabilidade e respeito, gentil mas firmemente, nossos limites nessas situações, deixa-nos livres e preservados para nos compadecermos do Outro.
A compaixão é a chave que abre nosso coração para outras facetas do amor. Impulsionados por esse sentimento poderoso somos levados a agir expressando solidariedade, carinho, gentileza, honestidade, generosidade... A compaixão é a expressão viva, atuante, de nossa dimensão espiritual; ela é o sentimento que revela o sagrado em nós.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Tristeza e Alegria



Tristeza é o que sentimos em conseqüência de pensamentos recorrentes e lamurientos sobre situações do passado ou possibilidades “ruins” no futuro. Quando nos entregamos, ela vai nos envolvendo como um encantamento maldoso, vai nos aprisionando, tornando-nos reféns de passado que, se foi bom não volta, já passou e, se foi doloroso, nos faz ficar revivendo a dor. A tristeza expressa nossa ligação com o sofrimento das perdas e nossa conecção com a escassez, ao que está faltando às nossas vidas.
Quando esses pensamentos me assaltam, tantas vezes repentinamente, trazendo tristeza, estou aprendendo a aceitá-los naquele momento como parte de minha humanidade e me permito, chorando, compartilhando, liberá-la um pouco do meu peito. Seguindo, tento aceitar, mesmo sem gostar, os fatos e as pessoas da minha vida, a realidade como é e não como eu queria que fosse.
Quero ser feliz. É minha responsabilidade então optar por pensamentos e atitudes que me levem a essa direção. Quero trocar as lamúrias do que me falta pelo entusiasmo e alegria do que tenho, descobrindo quaisquer boas possibilidades no aqui e agora. A alegria brota espontânea com as situações “boas”, que atendem às nossas expectativas, conscientes ou não. Mas é o constante exercício dos pensamentos e atitudes positivas e realistas em relação à vida que pode nos resgatar da tristeza e entregar à doce alegria de viver.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Abandono



Abandonar é desistir. Desistir de tentar, de querer, de desejar, de esperar, de dizer, de ouvir, de continuar. Cada aspecto de mim ou alguma relação que abandono é uma porta que se fecha, um ponto escuro à minha volta. Pode parecer mais fácil, cômodo ou prático, mas empobrece meu mundo, fecha tantas possibilidades...
Acredito que desistimos porque abordamos aspectos de nossa vida de forma irreal, rígida, insistindo no impossível, brigando, esperneando, querendo apenas uma determinada saída. Quando cansamos de tanto lutar conosco mesmos, exigindo o que , só por hoje, ainda não conseguimos, sentimo-nos humilhados e desistimos. Cansamos de tanto fazer força na direção errada para mudar os outros, esperando deles o que não podem ou não querem dar... Abandonamos a alegria e o gosto de viver de tanto levar a vida como uma luta constante.
O abandono tem aspectos sutis; às vezes nem percebemos que já desistimos porque o abandono não é apenas físico, o fato de estarmos juntos ou não. Permanecemos em relações para as quais já nos fechamos, amuados, quando nos decepcionamos em nossas expectativas ideais. Não mais ouvimos porque sua fala não é a que desejamos, não mais lhes falamos porque não responderão como queremos.(... se fosse resolver, iria lhe dizer da minha agonia...) Permanecemos muitas vezes juntos (...como pedras que choram sozinhas no mesmo lugar) mas já os abandonamos. Não queremos mais saber quem realmente são, o que podem, o que sonham, o que sentem, porque disfarçam. Permitimos tanta invasão em nosso espaço para ver se conseguíamos fazer a relação do “modo certo” que, não conseguindo, nos ressentimos, fechamos, ignoramos. E o abandono veio como resposta à desesperança.
Abandonar é não mais acolher, não aceitar quem todos somos, só por hoje. É pré estabelecer e pré julgar que o outro não tem razão, que está sempre errado, que não vale a pena ser visto, ouvido ou amado. É desistir sem descobrir ou reconhecer que a luta apenas era errada e travada da forma errada.
Hoje tento não desistir de mim e das relações com as pessoas da minha vida. Procuro apenas mudar minha atitude, reconhecendo e respeitando o que, só por hoje, cada um de nós pode. A vida só é gostosa e vale a pena quando interagimos com amor e “ o amor é perseverante, paciente e bom”. O ganho é irmos descobrindo e desfrutando cada vez mais do mistério maravilhoso e cheio de possibilidades que somos e podemos juntos.