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domingo, 30 de dezembro de 2012

AMIGOS PARA SEMPRE !



            Nessa época de final de ano, com os sentimentos aflorados, com sensação de fins e começos, de balanços, as boas lembranças chegam mais fortes, insistentes...

            Algumas pessoas chegam, passam e ficam em nossas vidas - para sempre. Com vínculos familiares, ou não, elas ficam para sempre!
 - nossos primeiros encontros, os da infância, os colegas da escola, os primos nas festas em família. Os companheiros de adolescência, com quem dividimos sonhos, medos, segredos e ousadias... Quando os reencontramos, mesmo após muito tempo, retomamos a intimidade como se nunca tivéssemos nos separados!
 - os amigos adultos, companheiros em nossas primeiras grandes dores... e em tantas outras. Companheiros nos Grupos, na Vida, companheiros que estiveram sempre conosco, rindo, chorando, falando, calando, ouvindo...
 - os parentes e amantes que superaram os limites de seus papéis familiares e decidiram nos aceitar e respeitar incondicionalmente; aqueles que quiseram ser mais, eles quiseram ser nossos amigos!

            Esses amores são para sempre! Mesmo quando brigados, zangados, afastados... sempre encontramos um modo de nos perdoarmos e de acharmos explicações (e, às vezes, até justificativas) para as atitudes “erradas”  daqueles que amamos. Pode até demorar, porque insistimos em criar expectativas irreais e as decepções e frustrações doem muito. Mas,
 como “o amor é paciente e é bom...”, acabamos, com maturidade e pela força da amizade, tudo superar. Amigos, heróis ou bandidos, não importa para nós que os amamos.

            A lembrança dos Amigos é sempre doce, leve e terna, mesmo quando doída pela distância, física ou de dimensões, ou pelo tempo que nos engana, fingindo ser longo. Mas, se “O tempo é uma ilusão”, “Longe é um lugar que não existe” e “O Amor é uma ponte para o sempre”, então...
          Amigos são para sempre!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

ENTÃO É NATAL !



           Festa doce, colorida, “alegre”, cheia de ternura, universal... Seu simbolismo de Amor, Amizade, Confraternização, ultrapassa fronteiras criadas por religiões, culturas e povos. Talvez seja porque nasceu do advento de um Mensageiro e sua Mensagem amorosa, uma “Receita Nova” para pessoas e povos, uma Receita de Amor entre todos como caminho para a libertação e felicidade.

            Mas que festa estranha o Natal está tornando-se, justamente, em Família e dentro de cada um de nós!
Travados por uma terrível dificuldade de lidar com nossos sentimentos, de demonstrá-los, nós nos vemos assolados por correntes afetivas em conflito, em confusão... Dentro de nós, de nosso oceano emocional, essas correntes se chocam:
 - correntes lentas, choradas, de saudade... dos que já se foram, dos natais da infância, da espera doce e mágica por Papai Noel...
 - correntes magoadas, chorosas, pelos “presentes” que não ganhamos, pelas expectativas amorosas que ainda não se realizaram, pelas presenças  queridas que cresceram e se dispersaram...
 - correntes poderosas, alimentadas por lembranças que trazem sentimentos de frustração, raiva, ciúmes, ressentimento, pelas doces palavras sempre esperadas, que jamais vieram, por “vergonha” de expressar doçura e amor num mundo tão irônico, aguerrido, defensivo...
 - correntes ansiosas, excitadas, de alegrias e tristezas, infantis e adultas...  –  - correntes de muita ansiedade na luta pelas presenças divididas e disputadas, em famílias partidas, subdivididas...

            Tudo se chocando dentro de nós, aumentado por uma força maior – a da importância desses laços da Família! Às vezes ficamos tão tocados e mexidos, que fugimos para a “solução” simplista, que nossa cultura materialista nos recomenda: “sepulte sentimentos com coisas, agrados, compre mais, mais e mais...”. E mesmo assim nos perguntamos,  atormentados: “Será que tudo isto conseguirá dizer da grande importância que vocês têm para mim? Sempre me fica a impressão que tanto ainda é pouco, barato, sem graça... E talvez vocês não gostem!”
 Brincamos e sorrimos, mas que agonia! Que tolice querer que coisas, mesmo as melhores e mais caras, digam o que não conseguimos expressar com palavras, gestos, olhares - o nosso desejo de ser amado, de sermos especiais para vocês e o quanto vocês o são para nós...
E se os muitos presentes não aquietarem os sentimentos, pode-se sepultá-los sob uma grande mistura de sabores e comidas e finalmente afogá-los em muito álcool!

            Natal – festa que, assim, se torna estranha e dolorida! Mas não é assim que a desejamos!  Não precisa ser assim! Cada um de nós tem o poder de construir seu próprio Natal – com Simplicidade!

Quero desfrutá-lo com aceitação do meu mundo interior, mesmo tumultuado; sem brigas comigo mesma, sem expectativas, sem tentativas de controle da festa, sem cobrança de dívidas antigas de mim, dos outros ou da Vida - apenas com Gratidão pela mensagem Leve, Doce e Amorosa que ele nos traz.
  
            Natal é a reafirmação de uma promessa: a de que, através do Amor, da Gentileza, da Boa Vontade alcançaremos a Paz, Alegria, Felicidade!
 Sejamos coerentes com nosso desejo e decidamo-nos a ter um Feliz Natal!
                                  
“Depende de nós...”

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

E A VIDA CONTINUA...



           A Vida sempre continua! É uma história sem fim, contínua, através do tempo... Ela é eterna! É uma eternidade mutante, constante apenas em seu movimento, sua mudança, suas transformações... Num universo de pura energia divina, nada acaba realmente, apenas se transmuta, se transforma -  em qualquer reino da natureza, inclusive no “reino dos homens”.

            Vivemos hoje uma fase de grande ebulição, quando as transformações parecem ser ainda maiores, mais significativas do que em épocas anteriores. Livros de várias tradições antigas nos apontam predições, maldições, chamados... Sentimo-nos confusos, assombrados, amedrontados, acuados... Ouvimos ameaças de destruição e mortes, como se jamais houvessem acontecido antes; como, se não fosse por isso, pudéssemos continuar fisicamente aqui para sempre e o mundo seguiria imutável!

            Sob essa “ameaça mortal” a nós próprios e ao nosso mundo tangível, concreto, nós nos agarramos fixamente, ainda mais, em nossa materialidade, numa busca competitiva e desorientada por coisas, por poder, dinheiro, pessoas... Agarramo-nos a esses prazeres concretos, imediatos, querendo eternizá-los num gozar frenético do agora, antes que, talvez, tudo se acabe! Esquecemo-nos que o encontro da Felicidade e do Eterno não se dá pelo que é mundano!

            Se olharmos a nossa volta, antes ou agora, veremos que sempre, a todo momento, em quaisquer datas e épocas, transformações ocorrem  na Terra e em nós mesmos, e deixamos esse mundo físico, de passagem. Passamos, mas não acabamos! Somos seres espirituais numa roupagem e passagem física, fugaz... Sempre fomos e sempre foi assim... Passamos, mas jamais acabamos! 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

EQUILIBRANDO PRATOS



            Muitas vezes nos damos conta que passamos a vida como o artista de circo - “equilibrando pratos”! Absorvemos mais do que podemos: coisas, tarefas, empregos, pessoas, suas vidas... e para isso, corremos mais e mais, tentando em vão não deixar cair “os nossos pratos”!

            Tentando o impossível, utilizamos pouco, e mal, as coisas; sofremos com tarefas corridas, nem sempre bem elaboradas ou curtidas; passamos pelas pessoas, superficialmente, sem tempo... Mesmo para as mais queridas, falta tempo, mais atenção, falta um ouvir sereno, um carinho sem pressa, um olhar nos olhos...

            Vemos os melhores tempos irem passando rápido, como numa viagem corrida, quando pouco curtimos a paisagem...
 - a infância dos filhos, suas “graças”, suas conquista, suas dificuldades... sem lembrar que “esse maravilhoso filme da infância não se pode repetir”!
 - as refeições em família (ou não) sempre corridas, interrompidas pelas muitas coisas a serem feitas logo/logo e ligações, muitas, a serem atendidas...
 - as atenções, ternuras e gentilezas que foram sendo diminuídas (ou distraídas) porque, cada vez mais, temos menos tempo, mais afazeres, mais cuidados...
 - os momentos intensos da vida, que se perderam na tensão e agonia da pressa...
E tantas outras corridas para não deixar “os pratos”caírem, tentando controlar tudo...

Assustada, me pergunto, muitas vezes: Será que já me habituei, me viciei, na adrenalina liberada nessas ocupações corridas e contínuas? Será que estou perdendo a memória ou apenas passei tão rápido por tudo isso que pouco ficou registrado para poder ser lembrado?

Compartilho e tento, mais e mais, me conscientizar de que estamos, todos, cada vez mais perto do fim dessa oportunidade de viver e conviver com quem amamos! A vida continua, mas esse episódio específico se finda! Todos os pratos cairão, querendo eu ou não, independente de minha corrida, da minha tentativa de controle, da minha tola arrogância de achar que, se eu não fizer ou cuidar, como será?... Preciso ser humilde, realista,  pisar no freio, abrir mão, relaxar, para desfrutar dessa viagem e saborear cada momento da vida!       (Mesmo, meu Deus, sendo tão difícil!) 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

MÁSCARAS



           Quem vem lá? Quem são essas pessoas que passam por mim? Quem são vocês, que param, que ficam comigo, que até vivem comigo?
Olho e o que vejo são apenas as máscaras que estamos usando...
Máscaras para a igreja, para o trabalho, para o clube, para a rua, para os vários papéis familiares... Máscaras variadas: sorridentes, amorosas, ameaçadoras, chorosas, indiferentes...Nas ruas, passamos uns pelos outros como robôs sem alma, máscaras impessoais sem olhos, sem vida... Não nos olhamos, pouco nos percebemos ou falamos – estamos todos sós, isolados, defendidos... No entanto, é tão gostoso (terno, suave, confortável...) quando podemos nos mostrar e também vislumbrar um pouquinho do outro – com sentimentos reais e gentis sob nossas máscaras sociais. Por outro lado, também pode ser até assustador nos defrontarmos com o desamor ou ressentimento de alguém, quando, por momentos, esse alguém, por descontrole ou por vontade, revela o que se esconde sob sua máscara.

            Quem vem lá?  Quem é você?  Quem sou eu? O que escondem essas   máscaras?  Atrás de cada rosto existe uma história, existem sonhos abandonados, decepções disfarçadas e medos, muitos medos – medos de infância, medos adultos, medos aprendidos/ensinados, medos familiares, medos sociais... medo de não ser aceito, valorizado, medo de não ser amado.  É muito difícil, triste, solitário, manter esse “Ser de Faz de Conta”, esse viver sempre alerta para escolher a máscara certa para cada ocasião; e o conviver se torna superficial, maquiado, mesmo com quem mais amamos.

            Nesses bailes da vida, quero dançar mais leve, solta, verdadeira. Para isso, preciso ir, aos poucos, conhecendo o que se esconde sob as minhas máscaras. Só assim, me entendendo e aceitando, vou poder ir-me fortalecendo, me respeitando e me libertando desses “esconderijos” de mim. Eles têm me defendido, mas também me afastado de minha espontaneidade, minhas dores e alegrias, de minha luz... e das pessoas!

            Quero ter coragem para me permitir olhar nos olhos do Outro, chamando-o, silenciosamente, para também se libertar, para ousar revelar, quando quiser ou puder, sua humanidade, esse seu mundo oculto que ele ainda esconde atrás de sua máscara.

“Enquanto vou tentando ir libertando-me de minhas máscaras, passo por ti, buscando teus olhos... E te espero e me enterneço com tua humanidade tímida e ainda tão defendida.”

domingo, 9 de dezembro de 2012

A DOR DO OUTRO


           Qual o tamanho da dor do outro? Será que posso medi-la? Posso realmente “entendê-la”? Poso senti-la em todas as suas nuances?

Não, não posso! A dor de uma pessoa é tão única quanto ela mesma! Não importa se já passamos por uma circunstância dolorosa semelhante (traições, discriminações, decepções, humilhações...), por perdas “iguais” – de sonhos, de oportunidades, de relações, dos amores mais próximos...
Na verdade, nada é igual, porque não somos iguais! Cada um de nós tem uma história única; cada fato tem para cada um de nós um peso diferente e reagimos a eles de uma forma absolutamente particular. Uns choram para sempre, outros jamais choram; uns gritam, esperneiam, outros se calam, se sufocam; uns se revoltam, outros se anulam, outros ainda se amansam... Quando comparamos as dores do outro com as nossas, tendemos a minimizá-las e, às vezes, a não nos apercebermos delas .  Em nós, dói mais, sentimos mais de perto! E ficamos tão fixados em nossa dor, que, em alguns casos, egoístas sofridos, nem nos damos conta do peso dela no Outro.

Certas perdas nos atingem de tal modo, que nos trazem mais do que dor – trazem horror, desespero, desesperança... trazem uma sobrevida a princípio arrastada, sem vontade, sem força, fugitivos das lembranças ou reféns de um replay inacabável do filme da perda. Hoje, eu me dou conta que eram tão presentes e intensas para mim, em mim, que me fizeram fechada e insensível à dor do Outro, mesmo do Outro que eu tanto amava! O Outro que morrera, que se fora e me deixara ou o Outro que falhara aos meus olhos e aos do mundo... Não conseguia sequer “imaginar” a dor do Outro!  Daquele que se fora e perdera todos de uma só vez (familiares, amigos, namoradas...), que deixara projetos inacabados, desculpas não pedidas, perdões não concedidos, “felicidades” não alcançadas...  Ou a dor de quem falhou, decepcionou, que tentou, mas não conseguiu se salvar das humilhações, da vergonha... As perdas eram grandes demais e as dores tinham que ser grandes demais, também! Mas minha grande dor e minha tola pretensão me levaram a desconsiderar a dor do outro, me levaram à insensibilidade, à incapacidade de “pressenti-la”.

Hoje, tento olhar para o Outro, qualquer Outro, aceitando sua dor, sem avaliações, sem julgamentos, sem comparações, sem a pretensão de querer resgatá-los dela... Apenas solidários, com empatia e companheirismo.                                                    

Hoje, compartilho com vocês, “Outros”, aqui ou onde estiverem, meu arrependimento tardio, o meu “entendimento” tardio de tanta dor que sua humanidade lhes fez sentir.  Também tardio, o meu sentimento e o meu profundo respeito!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

DE CIMA DO MURO



           Nesse modelo de mundo, competitivo e defensivo/agressivo, onde fomos criados e “orientados” pelos grupos que nos acolheram, ouvimos sempre que a condição para pertencermos e sermos aceitos, fosse na Família, Igrejas, Partidos políticos, clubes esportivos, empresas, etc, seria  escolhermos “um lado do muro”, vestirmos “uma camisa” e ali permanecermos para sempre, fiéis e leais! Isto seria “ter personalidade” e “lealdade ao grupo”. Não poderíamos jamais, “ficar em cima do muro” e mudar... Isto seria uma vergonha, falta de caráter, fraqueza, falsidade...

            Hoje entendo que não posso, não devo e não quero abrir mão da minha liberdade de escolha, do meu direito de modificar opiniões, pensamentos, atitudes... Esta é uma responsabilidade que preciso ter comigo mesma – garantir minha liberdade de escolher. Só assim garanto minha possibilidade de crescer, me transformar, ser co-autora de mim mesma, em vez de ser mera seguidora de “um lado do muro”.

            De cima do muro é que posso ter a visão dos dois lados, dos vários lados, de qualquer lado, da veracidade das “verdades” apregoadas como “certezas”, que um dia escolhi ou me foram passadas, mas que já não me bastam...
 Atenção! Essas “verdades”, tão defendidas e apregoadas, me aprisionam e contaminam sutilmente minha capacidade de ver, ouvir e refletir com isenção e liberdade sobre os vários lados de quaisquer questões! Estar refém de um lado, de uma razão, de uma camisa, de um rótulo, de um “partido” (familiar, religioso, político, esportivo...) na verdade me “parte”, me mutila, me apequena... E me arma, me “militariza”, me torna um militante combativo, guerreiro zangado ou irônico, eterno defensor do mesmo lado, das mesmas visões...  E isso me rouba a possibilidade de ser pró-ativo em muitas questões que poderiam me parecer também justas, merecedoras de atenção e cooperação.

            Tenho direito e necessidade de refletir com liberdade, tenho direito de mudar (ou não) de opinião, de abandonar “lados”, “certezas”, de escutar minhas dúvidas, de não “pertencer” a grupos, a tribos, a modismos...
Não adianta subir as mais altas montanhas, conhecer novas pessoas, paisagens, ler os melhores livros... se minha visão estiver condicionada, emparedada por algum “lado do muro”. Estamos vivos, somos uma Centelha Viva e tudo que vive tem movimento, muda e se transforma. Somos mutantes – a cada momento, precisamos adequar nossa visão e escolhas às pessoas que estivermos sendo. E somente livres, “de cima do muro”, podemos ser leais a nós mesmos e cumprirmos com nossos destinos em busca sempre do Melhor.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

EM FAMÍLIA - OS IRMÃOS



           Irmãos, companheiros primeiros, companheiros no ninho, companheiros de ninhada... Ninhadas pequenas, grandes ninhadas, crias criadas junto, crias criadas separadas – não importa, o vínculo se fez e persiste!

Irmãos mais velhos, mais “sabidos”, ora protetores, ora ditadores, invasores, “educadores”, ciumentos da atenção e do amor que passou a ser “dividido”. Irmãos mais novos, implicantes, invejosos de nossa “maior/idade”, das nossas primeiras liberdades... Eram nossos maiores admiradores, só queriam mesmo era serem aceitos como iguais, como colegas e companheiros! Irmãos “do meio”, espremidos, destemidos, lutadores, buscando sempre seu lugar no ninho! Irmãos que a gente critica e briga, mas não quer que ninguém critique! Irmãos eternos “rivais” competindo pelo espaço no ninho, espaço no colo, nos carinhos, na atenção e admiração do pai e da mãe.

Quando nos afastamos, fisicamente, na vida adulta, é o fio da infância que nos mantém unidos. Quando nos afastamos afetivamente, brigados, distanciados, a ruptura desses fios nos faz ressentidos, amargos, quebrados em nossa história...

Os irmãos nos foram oferecidos pela Vida para aprendermos a dividir, a compartilhar... Um Amor Maior nos fez irmãos, nos fez nascer no mesmo ninho, para sabermos, para sempre, que não somos sozinhos... Fomos moldados e curtidos nas mesmas festas de família, nos mesmos passeios, nas mesmas férias... E também nas mesmas crises dos pais, nas separações, nos mesmos medos, nas mesmas perdas...

Conforme o tempo avança, mais e mais, ganham significado esses  laços que nos unem à nossa origem. Cada vez mais sentimos a força desses vínculos, mesmo quando distantes uns dos outros. Os irmãos são a memória, o que ficou de nossa infância, eles são o “restinho” de nossos pais. São as testemunhas vivas do início de nossa história. Eles trazem, como nós, a marca indelével de nosso berço, da Família que nos acolheu nessa caminhada.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

GENEROSIDADE


           É uma faceta do Amor! Aquela que nos leva a priorizar e valorizar sempre o Bem e o Amor nas situações, nas pessoas e em nós mesmos. Ela nos leva a procurar ver, mesmo em quem erra e falha, tudo que nele existe de bom, ainda que muito escondido!

Generosidade é aceitar a diferença, aceitar o diferente, de forma amorosa!
- é ouvir com gentil interesse e se revelar sempre com verdade, permitindo que o outro enxergue minhas humanas dificuldades, facilitando que ele relativize as suas próprias.
- é sorrir com simpatia, demonstrando vontade de estar junto, evitando que o outro se sinta isolado.
- é desejar compartilhar bens materiais, idéias, oportunidades, bons momentos...
- é estar disponível, sair do conforto de si mesmo, ir ao outro, buscar “senti-lo”...
- é valorizar o outro, favorecer-lhe oportunidade, encorajá-lo, “segurando” minha própria vontade de sobressair.
- é ter o cuidado de não iludir, de não alimentar fantasias, de não ferir os sentimentos dos outros, apenas para alimentar vaidades em mim.
- é não cobrar, não culpar, não humilhar, não “ajudar”, fazendo o outro se sentir eterno devedor, ou errado, menor, incompetente...

            Esses são apenas alguns aspectos da Generosidade! Mas, para “transbordar” tudo isto para os outros nas minhas relações, preciso que a Generosidade passe por mim. Preciso entender e sentir a doçura, a coragem, a importância da Generosidade em mim, nos meus momentos. Não a Generosidade que vem de fora, mas a que tenho comigo mesmo. “Que comece em mim” – preciso aprender a ser generosa comigo, para que, generosamente, queira vivenciá-la no mundo, com o mundo.

            Preciso “ver” o que há de bom em mim, com olhar amoroso/generoso, para aceitar, perdoar e poder modificar minhas dificuldades, os meus defeitos. A Generosidade se revela para mim na atenção e cuidado com os meus limites, com as minhas possibilidades em cada momento. Ela não exagera, mas jamais desqualifica minhas dores e meus dissabores. Experimento esse doce sentimento comigo mesma quando aceito quem eu sou, Só Por Hoje, e não quem eu queria ou deveria ser.

            Paciência, bom humor, cooperação, verdade, gentileza, aceitação, disponibilidade... são as maravilhosas companheiras da Generosidade eclodindo em nós, em nossas relações, tornando nosso caminho suave e muito gostoso! Qualquer atitude para ser generosa precisa ser amorosa. A Generosidade é o Amor em ação, trazendo mudança de atitudes e trazendo, principalmente, uma transformação interior.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

ORIGEM E DESTINAÇÃO



           Como tudo no universo, somos todos permeados pela Energia Luminosa de Deus. Somos centelhas de sua Luz, somos singelos “portadores de Sua Luz”. Dela nascemos e é em Sua direção que seguimos. Ela é nossa Origem e nossa Destinação. Uma força irresistível, uma atração incoercível, nos norteia e nos conduz para Ela... Assim evoluímos sempre, sempre...

            Temos, todos, isso em comum. Mas o percurso, a caminhada, é pessoal, particular, porque somos, cada um, uma criação, uma criatura, uma centelha única, original, do Criador! Essa caminhada se faz, então, ao modo, ao estilo de cada um e respeitando o tempo e a possibilidade de cada um. Nela, é de minha responsabilidade o cuidado com a nutrição de minha Luz Interior. Também sou responsável por buscar a direção certa, ou por tomar atalhos duvidosos, porém mais fáceis e cômodos, ou pelas paradas preguiçosas, ou pelo esquecimento temporário do meu destino... E sou responsável pelas marcas que vou deixando... Suas conseqüências, boas ou más, também são minhas.

            Como não nos perdermos definitivamente nesta jornada, tão presos que ainda somos ao mundo conhecido – à nossa materialidade tão defendida e tão disputada? Como abrir mão do concreto, do prazer mundano, aquele que se busca a qualquer preço porque ele é fugaz, passa tão rápido e não consegue nos satisfazer mais completamente, mais profundamente, porque, por mais e mais que o tenhamos, sempre nos falta algo? E como buscar o que, claramente, ainda não sabemos... apenas intuímos, sempre pressentimos?

            Decorrente de nossa Origem, existe em nós, ainda que em surdina, uma Voz que nos orienta, que nos aponta o caminho de “volta à casa do Pai” – à nossa destinação. Ela sempre esteve presente! Nós muito pouco a ouvimos porque nossa atenção e nossos interesses estavam no Mundo.
É uma Voz Silenciosa, que jamais desiste, que tenta se fazer ouvir, mesmo abafada pelas vozes do ego que apregoam o ter, o parecer, o poder, o vencer... Esse ego racional/instintivo, arrogante e assustado, tenta nos impedir de ouvir a “Voz Sem Som” da Consciência Espiritual nos convocando a evoluir... A Voz que traduz “uma intuição profunda para os rumos a serem seguidos” em direção a SER QUEM, REALMENTE. SOMOS.

            Como um filho pródigo à procura do caminho, precisamos, cada vez mais, estar atentos a essa Voz Espiritual Interior; precisamos ouvi-la e repassá-la, com infinita paciência, ao nosso ego, à nossa consciência racional/instintiva, num diálogo amoroso, apaziguando-a, ensinando a gostosura, o deleite, de um viver mais amoroso, mais generoso, mais livre e feliz... Acredito que é para isto que estamos aqui – aprender a ouvir a Voz da Consciência Espiritual a nos guiar nos cuidados com nossa Luz a caminho de nosso destino – a Luz Maior.

domingo, 18 de novembro de 2012

SAUDADE II


                          Dói tanto! Quando consigo, confesso que fujo dela! 
Saudades são filhas das minhas lembranças...Lembranças alegres, lembranças tristes... Lembranças de momentos marcados pela felicidade e de outros, marcados pela dor, até pelo horror... Lembranças de dias frios, chuva fria, temporais quentes de verão, banhos de chuva, risos, trovoadas, sustos...eu menina e, mais tarde, os meus meninos... Elas me trazem saudade do aconchego da família protetora e ainda inteira... São tantas as saudades...!

 - Saudade da infância, dos vizinhos, da escola, dos “amigos para sempre”, da adolescência assustada e atrevida...

- Saudade da juventude ainda inocente que me levava a idealizar, a buscar os sonhos de “peito aberto”, tão vulnerável às lições duras e objetivas da vida...

 - Saudade dos meus alunos que me revelaram a importância de minha “mestria” em suas vidas e me encantavam em nosso convívio, naquele caminhar gostoso, juntos, num  Encontro diário...

 - Saudade de colegas, em outros trabalhos, que dividiam comigo brincadeiras, alegrias, impaciências, companheirismo, em meio às lutas cotidianas, nas longas horas longe de casa.

 - Saudade das “secretárias” que tanto me ajudaram a “levar” a casa, os filhos, a família...

 - Saudades maiores do carinho de meus avós, da tia sempre companheira, de meus pais mais jovens, sempre atentos, cuidadosos, disponíveis para tudo, a qualquer momento...

 - Saudades dos primeiros amores, saudades dos primeiros tempos do último amor, do amor que ficou...

 - Saudades da infância dos primeiros filhos, dos filhos que se juntaram a nós, dos filhos que chegaram ainda depois, tão dependentes, tão próximos, tão meninos... Saudades da chegada alvoroçada e curiosa dos “escolhidos” pelos filhos já adultos, saudade dessas relações se tornando mais íntimas, mais amorosas, saudade da chegada em festa dos netos... A Família crescendo, o abraço aumentando...

- Saudade das férias, das festas de São João, dos Natais, dos lanches sob qualquer pretexto, apenas para ficarmos juntinhos...

 - Saudade das coisas boas que ficaram no tempo... mas, mesmo assim, como dói!

Saudade é o passado gritante, gritando, querendo se fazer ouvir, se fazer sentir, machucando de graça, porque ele não volta! A saudade revive o que não mais podemos viver!
As Saudades mais terríveis, saudades que parecem nos rasgar, dilacerar, no físico, na alma, são as saudades daqueles que já se foram de nossos olhos, de nosso toque, do nosso convívio. Enquanto ainda estávamos todos aqui parecia ser possível tornar realidade, recriar o filme maravilhoso do passado de nossas vidas. Agora não, agora são só saudades... Saudades que me assaltam em repentes, que eu respeito, que me fazem chorar em agonia... Mas, depois, enxugo o pranto e Caminho...  

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O DEPENDENTE QUÍMICO NA FAMÍLIA



O dependente químico faz parte da família! Ele é um membro do grupo como outro qualquer! Perdeu-se essa noção ao longo das lutas dentro da família. Ficou a sensação de que estavam em lados opostos, numa eterna luta pelo controle daquele familiar que estava em perigo, que colocava todos sob constante sentimento de medo, culpa, raiva, frustração, mágoa... que expunha a Família à vergonha!

O dependente químico já não conseguia “viver” sem o aditivo químico e a Família acreditava que, Por Amor, tinha o poder e o dever de salvá-lo. A comunicação distorcida fornecia as armas para essa “missão santa” – cobranças, agressões, mentiras, manipulações... E todas eram usadas e abusadas! E cada vez mais se machucavam, e foram se afastando...

Um dia, premido por uma dor maior e pela graça de Deus, o dependente químico entra “em recuperação”. Mas, recuperação de que? Do passado, de tudo que foram juntos? Não se iludam, não se recupera o passado! Ele passou! E nem tinha dado certo, afinal! Mas é possível recuperar o controle da própria vida, da capacidade de fazer as próprias escolhas, talvez de cuidar de outra forma das relações tão machucadas.

Toda família para recuperar sua função de “nidar”, para recuperar sua “sanidade”, precisa, também, mudar.  O dependente químico precisa acreditar e reforçar novas crenças (e os outros membros, também):
 “sou um ser único, com dons e destino único. Faço parte, mas não sou parte, não sou um pedaço da família; tenho uma direção e história própria. Preciso aprender, antes de tudo, a me auto responsabilizar, a me respeitar, a me cuidar!”
“preciso buscar, com firmeza e paciência, um novo papel nessa organização familiar. Preciso estabelecer limites claros e respeitar os dos outros – isto é assertividade.”
“preciso buscar um novo modo de me comunicar, com honestidade. Dizer do meu momento, das minhas prioridades, do meu amor independente.”

Atenção! Recaídas nas relações, a volta aos velhos maus hábitos de facilitação, dependência e cobrança, podem trazer recaídas maiores! Atenção e firmeza com outros membros que não estejam “em recuperação”, que não tenham mudado suas crenças e atitudes. Eles ainda não podem entender as mudanças do dependente químico na relação! Paciência, compreensão, compaixão... mas atenção e assertividade.. Atenção com cobranças! Familiares “paralisados” tendem a tentar arrastar o dependente químico para seu passado “errado” e paralisá-lo pela culpa. Eles ainda não sabem se relacionar no presente, no Só por hoje, ainda estão congelados na dor, na mágoa, na prepotência...

Atenção! Você e eles estão juntos nessa Família. Um Poder Maior apostou que seria importante para o crescimento de vocês tudo que viveram e o que podem ainda viver juntos. Depende de cada um! Mas sua vida é sua! Cuide dela em primeiro lugar, com carinho, alegria e bom humor!        E seja feliz, “às suas custas”! 


sábado, 10 de novembro de 2012

UM TEMPO



           “O tempo não corre em vão!” Estou tentando aprender a me dar um tempo. Estou, afinal, entendendo que precisamos nos dar um tempo. Não devo dormir no tempo, mas estar acordada, respeitando cada tempo, aproveitando o saber, talvez até a sabedoria, que ele pode me trazer.

            São tantos tempos! Tempo de chegar, tempo para ficar, tempo de partir... O tempo para aceitar o que não quero, o que me machuca, o que me irrita, o que não posso... Preciso de tempos curtos para aceitações mais simples, mas eles variam de acordo com as minhas expectativas, com o tamanho das minhas desilusões, com a força de minha teimosia, da minha negação, da minha raiva, da minha resistência em aceitar. Mas atenção: meu orgulho, com minha arrogância, minha pretensão, minha vaidade, meus melindres... podem ir esticando esse tempo, gastando as oportunidades que a vida me traz, transformando-me numa prisioneira da espera.

            “Me dá um tempo!” – “Preciso de um tempo!” Parece “chororô”, mas é verdade!
- preciso de um tempo para entender e assimilar o novo
- preciso de um tempo para “esquecer” a vergonha...
- para abandonar a culpa e aceitar que falhei...
- para repensar minhas escolhas, para aceitar suas conseqüências...
- para desistir de me apegar às críticas e aprender a gostar, a apreciar, a elogiar...
- para “digerir” minhas experiências e transformá-las em nutrição sadia para minha vida.
- preciso de um tempo para aceitar o inaceitável, as dores maiores... Para entender que, apesar de tudo, precisamos continuar...

            Precisamos, na verdade, de tantos tempos... De toda uma vida de variados tempos para nossas mudanças. “O tempo não corre em vão!” – Quando acordados, atentos, disponíveis, flexíveis, ele se perpetua no Agora e, então, nos vamos nos libertando,  nos transformando.


terça-feira, 6 de novembro de 2012

O MELHOR QUE SE PÔDE



               Um dia, fui a um cemitério acompanhando alguns familiares em visita “de rotina” à sepulturas de parentes. Ao caminhar olhando os túmulos, lendo dizeres de homenagem e saudades nas lápides, fui sendo tomada pela energia do passado, de vidas de outrora, daquelas pessoas que existiram por aqui deixando suas marcas, mais fundas ou mais leves, longas ou ligeiras, mas certamente fortes nos corações daqueles que os amaram. Chegamos a um pequeno túmulo, onde estavam recolhidos os ossos de antepassados dos quais eu ouvira falar, ouvira pedaços de suas histórias. Talvez pela isenção que a distância no tempo nos traz, sem a força da memória e das dores mais recentes interferindo nos julgamentos, pude, de repente, me dar conta de que aqueles nomes representavam pessoas que por aqui estiveram marcando suas presenças com seus sonhos, suas crenças, ilusões e desilusões, suas atitudes, suas lutas, seus sentimentos quase sempre negados e escondidos, buscando acertar, querendo dar certo e tantas vezes errando, falhando... Mas todas querendo ser felizes!
           
            Eu me emocionei, e ainda me emociono, numa atitude reverente ante aqueles nomes do passado porque entendi, senti, que cada um deles fez o melhor que pôde, o melhor que conseguiu fazer, certo ou errado!
Entendi que todos nós, desde o mais remoto passado da História até hoje, todos nós, estamos vivendo e dando à Vida o melhor que podemos, que conseguimos! Acertando, errando, sendo muito bons ou muito maus, amorosos ou odiosos, gentis ou brutos... sendo o que formos, estamos sendo o melhor que conseguimos naquele momento! As conseqüências, os frutos bons ou maus do que fomos, colheremos certamente depois, mas naquele momento, foi o que se pôde!

            Não adianta nos crucificarmos, ou aos outros, pelo mal que fizemos, pelo bem que não conseguimos fazer. Se fomos pequenos, mesquinhos, covardes, se erramos mesmo sabendo que deveríamos fazer diferente, ainda assim, esse foi o nosso tamanho naquela circunstância, fomos o que pudemos ser. Acho importante ter essa percepção do processo de nós todos e poder aceitar, mesmo com dor e até horror, os erros e fracassos do passado para poder perdoar o que fui e aceitar a responsabilidade de tentar, agora, ser melhor, mudar o que puder. É muito importante tentar olhar os Outros e seus erros, passados e presentes, com essa mesma compreensão.

            Na vida de relação, em quaisquer relações, mais próximas e na sociedade, precisamos aprender a estabelecer e respeitar limites, fazer acatar as regras sociais e não aceitar comportamentos destrutivos, maldosos, agressivos.  Mas não posso acalentar a noção de que o Outro é irremediavelmente mau! Temos, todos, a mesma Origem! Ele está revelando apenas o seu tamanho, o que, nesse momento, ele Pode. Não adianta eu me magoar ou me horrorizar, porque isto é o que ele pode, é o que ele consegue ser – agora. A sociedade pode e deve cercear suas atitudes, mas não desprezá-lo!

            A Vida é um continuum maravilhoso em direção ao Melhor. Temos, todos, a oportunidade de estar tentando, com erros e acertos, de recomeçar a todo momento, mudando, nos transformando. Estamos todos nesta jornada, caminhando, Um dia de cada Vez, como podemos.
Um Poder Superior, pleno de Amor e Sabedoria, entende o que ainda somos e podemos e, paciente, amoroso e firme, aguarda o tempo de cada um de nós.  

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

OS MEUS LIMITES


           A única forma de preservar minhas relações, quaisquer relações, é a minha capacidade de estabelecer e honrar os meus limites, não me deixando invadir e desrespeitar. Já entendi que não posso modificar ninguém! Não posso modificar os “folgados”, os invasivos, os manipuladores, os grosseiros, os “espertos” mal intencionados... Não posso, por isso, estabelecer limites e ter controle sobre suas atitudes e suas vidas. Não posso transformá-los em pessoas éticas, respeitosas, gentis, educadas...

            No entanto, se não estou disposta a abandoná-los, se não quero desistir dos “difíceis”, o jeito será EU me mobilizar procurando descobrir, estabelecer, comunicar e honrar os Meus Limites dentro dessas relações.   Para isso, preciso estar em constante atenção comigo mesma. Qual é o meu limite nesse convívio e nessa situação? Acabo por descobrir que meus limites são diferentes em situações diferentes e com diferentes pessoas! Com algumas pessoas tenho maior aceitação, com outras tenho maior dificuldade de comunicar o meu limite – dizer –lhes o que aceito e o que não aceito. Uma vez eu li e hoje acredito: “Eu ensino aos outros como eles irão me tratar”! “O bom cabrito não berra!” Se eu permito que me invadam, não adianta reclamar, me lamuriar, culpar os outros, ficar ressentida, com mágoa ou com muita raiva. O meu espaço, a minha dignidade, a minha qualidade de vida nas relações é Minha responsabilidade.

            Preciso trocar o foco de minha atenção! Em vez de focar o outro e tentar modificá-lo, preciso focar em mim, procurar me conhecer, aprender a ser leal comigo, comunicando às pessoas o que aceito ou não. E para isso preciso, realmente, criar uma “intimidade” comigo, me “sentir” em cada situação, para ver se estou pronta a honrar os limites que quero estabelecer e comunicar. Quando não, devo procurar entender melhor os meus medos e porque me obrigo a “engolir os sapos” que não quero!   Esse assunto de Limites é muito difícil de enfrentar porque aprendi a Amar misturando, invadindo e sendo invadida, sem limites... Também é difícil porque sempre queria agradar para ser valorizada... Queria amor e valorização, tinha medo de ser rejeitada, preterida...

            Nossos relacionamentos são importantes para nosso crescimento e libertação porque eles apontam e nos confrontam com nossas dificuldades. Fico muitas vezes tentada a simplesmente abandonar algumas pessoas, a desistir de me relacionar com elas pelos incômodos, dificuldades e dores  que me trazem. Mas entendo que esta “poda” me levaria ao isolamento e me faria perder essas oportunidades que a Vida me traz através dos “difíceis”. Permanecer nas relações mantendo o foco interno, enfrentando com gentileza, honestidade e firmeza os desafios que o ego do Outro pode me trazer, é a oportunidade que tenho de aprender a me respeitar, me conhecer, me gostar, a ser leal e generosa comigo mesma.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

REJEIÇÃO



            É, talvez, a mais dolorosa experiência dentro da relação humana. Quando nos sentimos rejeitados, sentimos que estão nos negando amor e valorização, as maiores necessidades do ser humano.

Não importa quem nos rejeita ou porque nos rejeita – é muito doloroso sempre! Não importa que tenhamos falhado, que tenhamos “dado motivo” -  dói sempre! Não importa que nos rejeitem em assuntos puramente materiais, comerciais, intelectuais, profissionais – dá muita raiva! E se a rejeição for afetiva – então dói muito mais! Não importam os motivos, quaisquer motivos, que tenham levado pessoas e, principalmente, nossos amores a nos rejeitar – dói demais! Parece-nos o início de um processo de distanciamento, abandono, indiferença... Sentimos a rejeição como negação – de presença, de carinho, de valorização, do direito de Pertencer – à família ou a qualquer outro grupo (afetivo, religioso, profissional, etc). Sentimos que não nos querem, que estamos sendo preteridos, estamos sendo “deixados de fora”! E logo nos comparamos e nos perguntamos com mágoa, humilhação, vergonha e despeito: “O que eles têm que eu não tenho?” E com raiva e ressentimento: “Quem ele pensa que é?” Não importa que desculpas nos dêem; parece doer ainda mais, porque estão nos rejeitando até mesmo a verdade!

Além da dificuldade natural de lidarmos com a rejeição, as pessoas muitas vezes revelam-se duras, impiedosas, indiferentes à sensibilidade do Outro. Elas não conseguem ser gentis, mesmo discordando; não lidam com as diferenças sem competir, sem derrotar, sem afastar, sem rejeitar, sem discriminar uns aos outros por diferenças religiosas, políticas, raciais ou interesses puramente materiais.

Como seres sociais, precisamos ter Pertença, precisamos nos sentir dentro, pertencendo! Mas, em vez de mendigar aceitação e pertencimento, preciso construir minha auto estima e minha auto imagem, preciso desenvolver minha auto confiança, descobrir meu valor, ser leal às minhas razões e aos meus sentimentos, para estar nas relações livremente, de forma positiva (mas sem expectativas), sem sucumbir a quaisquer rejeições, sem que me sinta diminuída.

  Preciso, também, estar atenta e sensível para não descartar simplesmente as pessoas, sabendo o quanto a Rejeição tanto machuca.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

MEMÓRIA I



            Qualquer aprendizado se mantém, se fixa, se completa e enriquece, através da Memória. Não fosse a memória, ainda hoje estaríamos tendo que reaprender, todos os dias, as mesmas coisas: fogo, roda... A memória pode nos trazer a experiência, o aprendizado com os erros de ontem, como base, hoje, paras novas descobertas, para continuarmos... A Memória preserva nossa história pessoal, a de nossos antepassados; preserva a história dos povos e suas tradições, sua sabedoria e seus enganos; preserva, enfim, a história do Homem. Possibilita um olhar mais extenso, mais abrangente, do que fomos, do que somos, favorecendo uma compreensão maior e melhor de nossa caminhada, liberando-nos para novas e melhores escolhas.

            Mas ela não deve servir de corrente a me atar ao passado, trazendo-o repetidamente à lembrança, como um disco rachado, como um replay desgovernado em minha mente. Preciso estar atenta para não me deixar aprisionar a um passado, bom ou mau, que não tem volta. Atenção para que as lembranças não me tragam tristeza e nostalgia das alegrias e gostosuras que não são mais presentes, tornando-me desatenta com as possibilidades do agora. Atenção para não me prender a elas numa busca contínua e fantasiosa, querendo revivê-las hoje. E também preciso de atenção para não usar a memória como um chicote punitivo, relembrando mágoas, humilhações, culpas, ódios... esperando, talvez, uma “volta”, uma revanche ou nada esperando, porque, talvez, já não acredite que mereça.

            Preciso escolher como vou utilizar minha Memória. Ela pode ser minha aliada para vôos maiores, servir de degrau para atingir novos patamares ou se transformar em minha prisão. Estou tentando não repetir comportamentos que minha memória sinaliza o quanto foram negativos -  dos mais simples, materiais, dos hábitos que me prejudicaram, até aos outros, às atitudes mais complexas, que envolveram emoções, sentimentos e tanto sofrimento causaram.

Atenção! Se perdermos a Memória do que aprendemos com o passado, teremos que repeti-lo indefinidamente!

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domingo, 21 de outubro de 2012

SOZINHA, NUNCA MAIS!


            Quando acreditamos que temos o poder e o dever de modificar  alguém muito amado, podemos estar iniciando uma viajem enlouquecida e enlouquecedora, muitas vezes sem volta, porque esta é uma Missão Impossível! Mesmo que seja para “salvá-los dos desvios”: álcool, drogas, delinquência .. Mesmo que seja por um amor maior: de pais, de filhos, companheiros, amigos... ainda assim, é uma Missão Impossível!

Acreditando-nos responsáveis pela vida e felicidade do Outro, acreditando-nos culpados pelo fracasso de nossa “Missão”, buscamos fugir da dor, sufocando medo, vergonha, frustração, raiva, humilhação, mágoa... A princípio, buscamos forças em nosso orgulho, acreditamos “ter que” sermos suficientes para lidar com quaisquer desafios.  Nosso orgulho se revela na arrogância desorientada com que, mais e mais destemperados e desesperados, seguimos distribuindo culpas, ditando regras, orientações, cobranças, agressões... Ainda orgulhosos (e humilhados), querendo esconder “nosso problema”, vamos enredando-nos numa verdadeira rede de segredos, mentiras, manipulações. “O problema é meu e tenho que resolvê-lo do meu jeito!”  

            Na medida em que as mais desesperadas e diversificadas tentativas de controle se mostram infrutíferas, aumentam as frustrações, a raiva, as mágoas... Sentimo-nos melindrados pela Vida que não parece reconhecer nossos esforços, nosso valor... Caminhamos para o desespero e desesperança, sufocando nossa dor, nossa confusão, sob um discurso de “tudo bem”, “já não estou nem aí”. Nesse processo, discutimos com os familiares, fugimos de contactos com o mundo, num terrível processo de desencontro, caminhando para uma dolorosa solidão. Sou “eu/comigo” e tudo contra!

Mas é sob a pressão dessa mesma dor que nossas defesas se estilhaçam e nosso grito sufocado e humilhado acaba por se deixar ouvir e, só então, nos permitimos ser acolhidos, aceitos, ouvidos, consolados...
Somos seres sociais. Humanizamo-nos no contacto com outros seres humanos. Nós nos descobrimos, consolamos e encorajamos no compartilhar com aqueles que enfrentam desafios semelhantes aos nossos.

 Em minha história, companheiros de Grupos Anônimos acolheram minha dor, abraçando minha solidão tão sofrida. Compartilhando, entendi que não posso modificar ninguém, por mais amado que seja; que não posso resgatar ninguém de seu próprio caminho, que isso é Respeito pela alteridade do outro e o Respeito é a primeira e principal faceta do Amor. Entendi que sou impotente para modificar o Outro, mas tenho poder para Me modificar; que não tenho a responsabilidade pelos caminhos do Outro, mas sou responsável pelos meus caminhos, pela minha vida!
Com eles, conheci a aceitação e o respeito quando me ouviram; quando ouviram minhas verdades, meus segredos, minhas mentiras, meus acertos e desacertos, meus medos, minha insegurança ... E sempre aplaudiam minha coragem! Senti-me valorizada e fui descobrindo meu próprio valor.

            Nesse doce compartilhar, descobri um Poder Superior sempre presente e disponível para me consolar e fortalecer, para me fazer entender o amor de outra forma.  Hoje, estou buscando substituir invasão, cobrança, agressão, manipulação... por respeito, aceitação, verdade, assertividade. Também estou trocando orgulho, inveja, melindre, humilhação... por humildade, compaixão, generosidade, gentileza. Estou reaprendendo a me relacionar, a estar junto com alegria e a buscar serenidade e paz, mesmo nos momentos de grande dor.
Hoje, entendo que, juntos, aprendemos/ensinamos.
Hoje, sei que não estou só, que é muito bom e enriquecedor saber que pertenço a um Grupo de Mútua Ajuda, que pertenço a muitos outros grupos humanos e que, todos juntos, pertencemos a um Grupo Maior, a um Amor Maior.

            Aprendi que, “Sozinha, nunca mais!
                        (esse é um lema Anônimo)

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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

ATENÇÃO COM O MEDO



           Como tudo na vida, também o medo tem uma medida certa. Emergindo em resposta ao alerta emitido pelos nossos sentidos, passando pelo crivo de nossa inteligência, o medo revela-se o aliado valioso que nos sugere cuidado, atenção, prudência, em momentos de perigo real e imediato. Ele faz “detonar” em nosso corpo hormônios que nos favorecem a fuga ou o enfrentamento das situações de risco.

            Quando, porém, ele aparece em resposta à crenças e pensamentos irreais, derivados de terríveis expectativas futuras ou horríveis lembranças recorrentes, de ameaças nascidas de fantasias torturantes, ele torna-se, ele próprio, um perigo para nós!
Na medida em que vamos entregando o comando de nossa mente, o medo, como resposta, vai levando-nos a construir sofisticadas, variadas e poderosas defesas, físicas, psíquicas e químicas, que nos cercam, cerceiam e acabam por nos aprisionar! E lá, de dentro de nossas defesas, continuamos com medo, continuamos a buscar defesas mais seguras e vamos ficando isolados, sós, cada vez mais desconectados de um mundo que nos parece tão perigoso e tão maldoso... E, cada vez mais, também, incapacitados de amar, de trocar, de compartilhar, porque tudo e todos representam algum tipo de ameaça!

            Um ego/mente desgovernado traz muita dor e mais medo! É preciso, então, entrarmos em contacto com uma dimensão mais poderosa, que possa nos trazer proteção, equilíbrio, que nos conecta com a realidade, com o aqui/agora, que nos faz sentir a força necessária para enfrentarmos as dificuldades de cada momento, até mesmo as imaginárias. Essa dimensão, a Espiritual, tem o poder de nos acalmar, de trazer segurança interna e serenidade. É ela que nos liberta, que afugenta nossos medos!

            Atenção com nossos medos, atenção com os pensamentos que os detonam! O processo do descaminho de nossos pensamentos é sutil, é enganoso... Ele se faz, muitas vezes, aos poucos, criando pequenos medos, repetidos medos, variados medos, dando motivos à mente que os criou para justificá-los, para iniciar a construção das defesas (rituais, interdições, manias...) e buscar o uso dos químicos que os anestesiam. Somos convidados, enfim, a sermos prisioneiros de nossas “zonas de conforto” e segurança! Atenção para não nos tornarmos permissivos e acomodados!

            O medo é um alerta! Atenção para ele: o momento é de perigo real ou apenas uma distorção de minha mente?  É preciso firmeza e perseverança para fazer a minha parte, a minha “lição de casa”, não viajar nas hipóteses, buscar sempre a lucidez do real que se apresenta.  É preciso o bom senso e a energia de nossa dimensão espiritual. E é preciso perseverança e boa vontade para buscar sempre essa conexão.  
Essa é minha responsabilidade!

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sábado, 13 de outubro de 2012

HOMEM, QUEM É “VOCÊ” ?



           Queria te conhecer, queria te entender. Queria chegar mais próximo de quem “você”, realmente, é. Aprendi a amar o que revelas sob máscaras tão antigas quanto o próprio Homem, tão duras e resistentes quanto armaduras de aço, que se transformaram em fortalezas protetoras e promotoras de tua virilidade e força. O modelo que te aprisiona, que o mundo te ensina e cobra, é o do macho guerreiro e aguerrido, é o do competidor que não pode, que não deve perder: a fêmea, os filhos, o território, os bens... Que deve ser provedor, duro, forte, disciplinador, algo distante, fingindo indiferença, cinismo, esperteza... É um modelo antigo, de uma fase instintiva, quase animal, que continuou a ser seguido e cobrado, mesmo adiante, numa fase racional, mas ainda baseada na luta e na força.

            No entanto, escondida do mundo (e de ti mesmo) está tua imensa riqueza, toda tua beleza. Tu a escondes porque ela está em desacordo com o molde tradicional que te ensinaram. Nela estão, quase blindados, sem ter voz, tua humanidade, teus sentimentos, tua emotividade, tuas decepções, teus medos, tua insegurança, tuas vergonhas, tuas mágoas, tristezas... E teus gritos e lágrimas de dor, abafados, disfarçados. Lá está, também e tantas vezes freada, tua capacidade de amar com entrega, com confiança e inocência, tua vontade de ser gentil, meigo, doce, alegre, pacífico, verdadeiro... Lá está tua espiritualidade tão reprimida!

            Nesse jogo de poder com cartas tão marcadas, nesse modelo castrador de ti mesmo, modelo que subjuga os mais fracos, surge hoje uma nova mulher, tua eterna companheira em toda a história. Antes submetida, amordaçada e, aparentemente, submissa... Hoje, lutando por libertar-se desse seu papel pré escrito, com novas posturas, estabelecendo regras diferentes. Essas mudanças trazem novas possibilidades para a mulher... e para “você”, Homem.

Essa nova mulher exige de ti um novo papel, num território tão desconhecido e assustador! As chefias são contestadas, a força agora deve vir de outras fontes, que não as físicas e materiais. Há um desafio para que exponhas tua afetividade, num ataque à armadura que te aprisiona. Mas esse desafio é a oportunidade de libertação! Só esse novo Homem poderá libertar o antigo.

            Quero contracenar contigo nesse novo ato. Quero poder rir e chorar contigo, quero te ver e te amar sem máscaras, descobrir quem é o meu filho, o meu pai, o meu companheiro, o meu amante... Quero compartilhar sonhos, sentimentos, emoções, projetos, desafios... Quero saber quem é “você”, para poder, realmente, amar a pessoa única que tu és!

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terça-feira, 9 de outubro de 2012

ESPIRITUALIDADE II



          Os valores morais podem variar no tempo e de acordo com as culturas, mas os princípios espirituais são perenes, atemporais, universais. Eles se sobrepõem às épocas, são comuns a quaisquer povos, costumes e religiões. Eles são comuns aos seres humanos em geral e emanam de nossa dimensão mais interior e profunda, de nossa origem sagrada, onde habita o Silêncio, o Divino.  Nossa dimensão física caracteriza-se pela forma e a dimensão psíquica (ego) é a voz tagarela que nos prende ao mundo da forma, enquanto a dimensão espiritual não pode ser validada pelos sentidos físicos, ela é a ausência da forma, é um espaço interior onde o “Espírito brilha através de nós, neste mundo”, e Ele é o Amor, Ele é a Presença.  

            Viver nossa Espiritualidade é estarmos, cada vez mais, conscientes dessa Dimensão espiritual, do Sopro de Deus em nós. Esta é ainda a  dimensão  bloqueada, desconhecida, esquecida, mal nutrida, negada, até ironizada... E nós temos um desejo essencial, uma necessidade básica, do Amor que, em suas várias facetas, é a própria natureza dessa Dimensão! Esse Amor que está ridicularizado, pervertido, banalizado, em nosso mundo materialista, racional, intelectual, esse mundo que só nos ensina a importância da busca pelo dinheiro, pelo prestígio, pelo ter e pelo saber, pelo poder... Nessa busca, no entanto, algo maior nos escapa, porque o Amor está na origem de tudo e todos e só vivenciando-o podemos dar um significado melhor às nossas vidas e nos sentir plenos, felizes...

            “Estamos aqui para descobrir dentro de nós mesmos essa Dimensão que é mais profunda que o pensamento”. Nela existe uma “semente de plenitude” pronta para germinar e nos fazer florescer.  Para acessá-la, à nossa Espiritualidade, preciso admiti-la, reconhecê-la intelectualmente, ter a percepção de que existe em mim algo de uma ordem mais elevada que a racional. Para validá-la, preciso ter a experiência pessoal de um deleite interior que me trazem os momentos de compaixão, de verdade, de alegria, de generosidade, de solidariedade, de justiça amorosa, de beleza, de ternura, de gentileza, de gratidão... Preciso desfrutar de um tempo de silêncio interior, quando me desligo temporariamente do Ego/mente, para sentir-me pertencendo a algo maior e em comunhão com uma força espiritual que me faz desfrutar a Serenidade!

            “Nossa verdadeira natureza é calma”, como um oceano. Na superfície (corpo/mente) existem lutas e tempestades, mas em profundidade existe a calma. Em nossa Dimensão Espiritual existe a força e a serenidade de um Oceano de Luz.
“Nos momentos de agonia e tempestade é importante se lembrar desse fundo calmo que está em nós e fazer da tempestade uma ocasião de passagem para uma nova consciência, um novo existir! É o momento da conversão, de retornar ao nosso próprio eixo, à natureza (espiritual) que nos é própria!”

            Espiritualidade é a vivência do Amor, do Sagrado...
E “A presença do Divino em nós não destrói o humano. Ao contrário, ilumina e estrutura nossa humanidade.” Jean Yves Leloup

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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

ABUSO



            Quantas vezes ao dia nos sentimos vítimas de abuso? Estamos condicionados a entender o abuso, principalmente, quando ligado a abusos físicos/ sexuais. Na verdade, sofremos abusos num âmbito muito mais abrangente e praticamente todo o tempo: pela falta de educação e civilidade das pessoas em geral – os zangado, os arrogantes, os ansiosos, os apressados... É um “salve-se quem puder”! Sofremos pelas deformações do nosso modelo materialista, que privilegia o lucro a qualquer preço, a competição, a correria, porque “tempo é dinheiro”, e a esperteza, que usa propaganda, mesmo enganosa, porque ela é a “alma do negócio”! Sofremos abusos psicológicos, afetivos, pelas pessoas que amamos, que nos ameaçam, sutilmente ou não, de desamor, de desvalorização, de rejeição, de nos preterirem, caso não atendamos às suas expectativas! Sofremos abusos desde a infância, uns mais, outros menos, com as ironias, os deboches, as pancadas, em família ou não, como forma de domínio e poder, nos fazendo sentir desvalorizados, humilhados, impotentes...

            É cansativo, desanimador, irritante, massacrante, termos que estar sempre vigilantes, ameaçados e abusados de tantas maneiras, atacados de tantas direções, acuados como animais num mundo que, assim, se nos afigura como uma selva perigosa! E o mais terrível é que vamos aprendendo a reagir à altura, aprendendo a “dançar conforme a música”. Tornamo-nos, então, sob variados aspectos, muitas vezes, os que abusam, os espertos, os manipuladores, os agitados, apressados, agressivos, violentos, covardes...

            Não tenho o poder de modificar as pessoas e nem o “Sistema”, mas não devo, e também não quero, tudo justificar como sendo normal, repetindo: “é assim mesmo!”. Muitas vezes o normal não é o natural, não é o correto, o justo e o ético; não é o que favorece sermos felizes. Preciso estar em contacto íntimo comigo para “ver” o que acredito, o que quero, o que posso. Preciso desistir de reagir, de “dar o troco”, de me adaptar ao que é tão perverso! Preciso aprender a parar, pensar e agir com assertividade e generosidade. Desistir de reclamar em OFF, lamuriando-me junto a outros agredidos e revoltados, e tomar uma atitude firme, dentro das minhas possibilidades – fazer o que posso, fazer a minha parte, pequena que seja. Isto me faz sentir atuante, com lealdade a mim e respeito a nós.

Não quero me deixar absorver e passar a fazer parte de um Sistema abusivo e tão desumano. Esta seria minha maior perda, o maior dano resultante desses abusos.  Evitar isso é minha responsabilidade!

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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

NESSA PASSAGEM I



             “Somos seres de passagem”... Minha gratidão a tantos de vocês que por mim passaram, que povoaram minha história, compartilhando comigo essa passagem.

 - a vocês, que me receberam, me acolheram, me amaram; que me fizeram sentir a delícia da ternura, do carinho...

 - a vocês, que me acompanharam rindo, brincando, brigando, competindo, amigos ou não; que me ensinaram, com doçura ou com dureza, que foram meus mestres, desde a infância, na Família, na Escola, no Trabalho, na Rua, no Mundo...

 - a vocês, que dividiram a cena comigo, ora protagonistas, ora aceitando serem meros coadjuvantes... Trocando papéis comigo: palhaços, mártires, heróis, mestres, bandidos, aprendizes...

 - a vocês, que me aplaudiram, que me vaiaram, que me repudiaram, que me decepcionaram, que me traíram, que foram traídos, magoados, que me perdoaram, que não me perdoaram... mestres perfeitos e involuntários que a Vida me propiciou.

 - a vocês, que deixaram tão cedo a cena, que passaram tão rápido, que deixaram tanto vazio, uma saudade sem fim...!

 - a vocês, que se demoraram bastante, me cuidando, me acompanhando, me orientando.

 - a vocês, mais próximos, tão intensamente próximos e amados... Vocês que são minha Alegria maior, mas também a Dor maior, pela perda e pela consciência das vezes que lhes falhei, que os fiz sofrer, pelas vezes que não os ouvi, que não os compreendi...

 - a vocês, que dançaram comigo essa mistura confusa de ritmos que nos traz a Vida... Tem sido através dessas danças e contradanças que tenho tido a oportunidade de descobertas, de reformular crenças, conceitos, sentimentos, atitudes, a oportunidade de ir me libertando.

            Momentos como esse, quando me sinto tomada pela consciência de tudo isso, são momentos em que as emoções afloram intensamente e se misturam: saudade, alegria, ternura, gratidão... É um momento que me faz sentir em “estado de graça”!

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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

VAIDADE



             É a face do Orgulho que me leva à necessidade de mostrar, exibir, reafirmar, que Sou Mais. A vaidade nos leva a sermos escravos de uma eterna comparação com os outros. Precisamos demonstrar aos outros, ou reafirmar a nós mesmos, que somos mais e melhores. Vivemos nos comparando e temos muito medo de descobrirmos algum aspecto nosso onde talvez sejamos Menos! Quando isso parece nos ameaçar, tendemos a uma atitude de despeito (desvalorizando o outro) ou de inveja (raiva surda pelas conquistas ou possibilidades do outro). A Vaidade, um sub produto do Orgulho, anda, assim, muito mal acompanhada pela Comparação, pelo Despeito, pela Inveja, pela Arrogância, pela Pretensão... Em maior ou menor grau, esses e outros aspectos do Orgulho existem e coexistem dentro de nós, disfarçados, escondidos, minimizados e justificados pela necessidade de lutar e competir que aprendemos no processo de nutrir nosso ego, de reforçarmos nossas defesas.

            Lutamos todo o tempo para, vaidosos, podermos exibir nossa superioridade em bens, beleza, força, poder, prestígio... Isso é coisa mesmo de ego, mas chegamos ao absurdo de querermos ser superiores até em aspectos espirituais!!! Esquecemos, ou desconhecemos, que a espiritualidade é interior, individual, não admite comparação e disputas!  Mas, inconscientes disso, nos comparamos e ficamos orgulhosos, nos sentimos vaidosos de nossa bondade, caridade, simplicidade, até de nossa humildade!!! E usamos, então, uma máscara, inconsciente ou não, de “falsa modéstia”.

            É interessante observarmos que a vaidade é diferente da Simplicidade, da Alegria natural que sentimos por possuirmos bens materiais suficientes, sem exageros; da Alegria pelo gozo de podermos usufruí-los, enquanto por aqui estivermos, sem necessidade de ostentação; da Alegria natural ao reconhecermos nossas qualidades físicas, intelectuais, morais e espirituais, sem comparações, apenas a Alegria...

A Vaidade tem foco externo, necessita de comparações, disputas e exibições, para que nos sintamos confiantes, orgulhosos e satisfeitos com nossa superioridade. Isso pode até nos trazer prazer.

A Simplicidade tem foco interno, advém da aceitação de Ser, é Interior, gera Serenidade e Alegria... Ela transborda, generosamente, de nós para o mundo, nos fazendo querer compartilhar o que temos, o que sentimos, o que Somos. E isso nos traz Felicidade!

             Fomos ensinados a cultivar, ainda que dissimuladamente, a Vaidade. Em nosso processo de crescimento e libertação, precisamos descobrir e atravessar a diferença sutil entre nosso olhar Exterior ou Interior.
Um (a vaidade), nos prende ao prazer sempre disputado. Outro (a simplicidade), nos leva à libertação e à Felicidade.

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domingo, 23 de setembro de 2012

MELINDRE



          “- Tenho muita sensibilidade, tenho “pele fina”, sou delicada... As pessoas deveriam perceber que somos “especialmente” especiais, que tudo nos toca e sensibiliza mais! Não somos como qualquer “casca grossa” insensível! Precisamos que tenham cuidado para não ferir nossos sentimentos, tão delicados! Somos melindrosos e facilmente, às vezes para sempre, nos sentimos machucados, feridos, melindrados!”

            Estas são tentativas de explicar e justificar nossas mágoas, nossos melindres nas relações. Esta é a resposta que nosso Orgulho( a percepção deformada de nós mesmos) nos induz a ter. Acreditamos, então, mesmo inconscientemente, que somos mais especiais, mais merecedores de cuidados, de atenções, de gentilezas...
Nossos melindres denunciam nosso orgulho! É muito importante podermos observá-los, sem justificá-los ou banalizá-los, para podermos descobrir esta característica em nosso caráter!

            Expectativas altas, muito altas, sobre como devemos ser tratados porque somos “especiais”, as mágoas constantes, os ressentimentos eternos e escondidos, até de nós mesmos, denunciam nosso melindre e... nosso orgulho. Num mundo competitivo, grosseiro, individualista... torna-se fácil escondermos de nós mesmos esse aspecto, pela agressividade e falta de gentileza dos outros.

            Talvez possa nos ajudar observarmos delicadamente e em profundidade, aquelas nossas mágoas que resistem ao tempo e à nossa compreensão dos fatos e dos outros; mágoas que persistem, mesmo depois de havermos “perdoado”. Elas se escondem bem fundo, intocadas e isoladas, disfarçadas pela nossa “compreensão”, mas ressurgem, com uma raiva surda, quando relembramos os fatos que as originaram! E só então descobrimos que ainda estamos melindrados! Que sentimos raiva e mágoa por não terem reconhecido que éramos “mais merecedores”!

            O Melindre, como um aspecto do Orgulho, depois que o identificamos e entendemos, requer nossa constante atenção (com bom humor e paciência) para não “viajarmos” de novo, esperando cuidados sempre especiais para com “a nossa pessoa”.

É importante substituir essa “pele fina” melindrada e orgulhosa por auto respeito, expresso pela responsabilidade de estabelecermos, comunicarmos e honrarmos nossos limites nas nossas relações, estando também atentos às limitações, às possibilidades dos outros.

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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

MATERIALIDADE



           Uma historinha: um homem saltou de seu carro caríssimo, último modelo, em frente ao clube onde pretendia exibi-lo a seus amigos. Nesse momento, um caminhão desgovernado passa arrastando a porta do veículo. Horrorizado, o homem gritava e se lamentava... Um guarda correu e tentou chamá-lo à realidade, dizendo: “O senhor se desesperou tanto pelo prejuízo do carro que nem reparou que, junto com a porta, seu braço também foi arrancado!” E o homem, mais horrorizado ainda, gritou: “Meu Deus, o meu rolex!!!”  Isto é materialidade!

            É o excesso de identificação com os valores materiais, através dos quais buscamos, continuamente, prazeres, acolhimento e valorização social.“Precisamos” desfrutar, possuir, ter, exibir... para nos Saciar e Parecer!

Identificamo-nos, em excesso, com nosso corpo quando o usamos( e abusamos) como arma de sedução, prazer, força e poder... E, mais tarde, o rejeitamos, nos envergonhamos dele, quando, já gasto e envelhecido, não nos serve mais para esse propósito! Essa mesma identificação excessiva com o mundo material nos faz reféns da necessidade de possuir. Possuir pessoas que nos amem, nos valorizem, não nos abandonem... Possuir bens, quaisquer outros bens (desde terras, fortunas...até objetos da moda), pelos quais chega-se até a roubar e a matar...porque, muito mais que beleza e conforto físico, esses bens simbolizam status, nos dão visibilidade, prestígio, poder...

Estamos nesse mundo físico e competitivo. Nosso ego a ele se adaptou inteiramente para melhor nos “defender” dos outros e melhor lutar pela satisfação de nossos desejos. Nessa disputa, explorando nosso corpo e subjugando nossos sentimentos, o ego até nos proporciona prazeres e vitórias, mas não consegue nos dar Felicidade, porque estamos aqui, mas não Somos inteiramente daqui, não pertencemos definitivamente a essa dimensão! Todo esse materialismo disputado e desfrutado, não consegue nutrir nossa dimensão Espiritual/Amorosa. Não a alcança porque o ego oferece e busca os bens materiais; ele fala o idioma do Ter e do Parecer, mas nós, Seres Espirituais, ainda que numa passagem material, precisamos de muito mais do que a materialidade pode oferecer, precisamos ouvir, acreditar e compartilhar os Valores e a linguagem do Amor...

Precisamos aprender a Ser, descobrindo e vivenciando tudo que realmente somos, para sermos felizes!

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