Pesquisar este blog

domingo, 28 de dezembro de 2014

O MEDO DA VIDA


Esse medo, alicerçado em memórias dolorosas e em nossos apegos, nos aprisiona em possibilidades desagradáveis e até terríveis, sempre em um Futuro próximo ou distante. Nos momentos em que nos perdemos do Agora, esse medo nos envolve, difuso como uma neblina assustadora, e nos ameaça de todas as formas, com todas as forças...

            É um medo nascido em um mundo agressivo e maldoso, apresentado e comentado pelas mídias num festival contínuo, cotidiano, sobre o que há de pior nos seres e na sociedade. Hipnotizados, nos perguntamos: Como parar? Aonde vamos parar? E temos medo de sair, de ficar, medo de não ver saída... no futuro.

           E remoemos o medo das escolhas e do destino daqueles que mais amamos. Medo de vê-los afastados do nosso convívio, medo de vê-los sofrer, medo de nossa impotência ante suas vidas, medo de perdê-los, medo de sua finitude.

           E temos o medo da falta, das nossas carências, de bens materiais, da saúde, medo da perda da utilidade, medo da perda dos carinhos, dos amores, e medo, a cada despedida, de não voltar a ver quem amamos...  Medos, tantos medos, medo até da agonia dos nossos medos...  E todas as possibilidades ruins que nos assaltam estão ligadas ao Futuro! Quando me ponho a antevê-las sinto muito medo de sofrer e, mesmo acreditando serem necessárias ao meu caminhar, sinto-me acovardada, pequena...

            O Futuro, informe, disforme, solto e sem limites na imaginação, nos assombra e aterroriza. Nossa mente, quando sem freios, nos arrasta em pensamentos aleatórios, soltos, loucos. Viver pode, então, tornar-se um fardo ameaçador e sufocante, com questões que ressoam, sem parar, em nossa mente: E se?...  E quando?...

            A solução em qualquer momento de medo, para qualquer medo, inclusive esse tão abrangente Medo da Vida, é entregar-me ao Agora, focar minha mente e atenção no que estiver fazendo e vivendo naquele momento: andando, trabalhando, respirando... Viver o Agora com simplicidade, fazendo o que posso naquele instante. É um exercício de Paciência, Autodisciplina e Perseverança, onde meu esforço e minha ação são reforçados pela entrega confiante à uma Força Amorosa que nos habita, nos acolhe, nutre e conduz.

            Minha humanidade, ainda tão imperfeita, se deixa levar pela desatenção, se perde nos atalhos assustadores do Futuro e me apavoro tantas vezes com Medo da Vida. Mas acredito que já sei o caminho de volta a Mim, a Deus, ao Agora – ao porto seguro do Aqui/Agora. Busco, através da oração, a sintonia com a força e o Amor de Deus, entrego-me ao momento e o medo se esfumaça... Ele volta muitas vezes e eu, pacientemente, tento repetir e repetir o que aprendi. Acredito que, cada vez menos, o medo me assaltará e cada vez mais estarei atenta, fortalecida e livre para viver.

            A vida é “Só por hoje” – Só por Agora!  

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

A DOCE RESPOSTA


           Há muito tempo atrás (ou será que foi ontem mesmo?) viviam os homens num mundo muito duro, agressivo, cruel, competitivo... Era um mundo dos mais fortes, mais ricos, poderosos... dos que lutavam sempre para jamais perderem o que tinham conseguido e ganharem cada vez mais e mais! Os mais fracos e perdedores sofriam, invejavam e buscavam o modo e o momento de darem o troco e serem, eles também, os vencedores! Lutavam todos por coisas e poder!  Era um mundo de muito sofrimento! E os homens se lastimavam: Como ter segurança? Como ter descanso dessa lura eterna? Como sofrer menos? Como, afinal, ser feliz?

            O Pai Amoroso, criador dos mundos e dos homens, enviou-lhes a resposta, através de um mensageiro, que fosse ele próprio a mensagem, para que todos pudessem entender. E foi essa a sua doce resposta:
- Libertem-se das lutas contra os “maus” e das lutas pelos “bens”; das lutas pelo poder, pelo prestígio, pelas riquezas materiais... Ele assim nos disse e demonstrou: “ Dai a César, o que é de César!” Ao mundo, o que é do mundo! A felicidade não virá desse mundo e suas lutas!  O caminho para a felicidade passa por um “outro mundo”, passa pelo Amor, vivido em um Mundo Interior.  Somos criaturas de um Criador Amoroso, centelhas de seu Amor Maior! Só através desse caminho poderemos nos sentir nutridos e felizes! E esse é um Caminho Interior! Não podemos percorrê-lo pelos outros, nem pelos que mais amamos, nem por nossos inimigos. E a felicidade não virá no fim desse caminho, ela É a vivência desse caminho!  Foi o que Ele disse e viveu, a cada momento entre nós!

              Sua história atravessou o tempo e chegou até nós, mas distorcida, quase como uma maravilhosa lenda ou uma fantasia plena de milagres... Resolvemos adorá-lo e festejá-lo, porque, na verdade, muito pouco acreditamos ser viável aquele caminho, muito trabalhosa a mudança e até hoje nos aferramos e lutamos por nossos bens materiais, por nossa razão, poder, prestígio... E até hoje nos lamuriamos pelo mundo que recebemos e ajudamos a manter... E até hoje tão pouco percorremos desse Caminho Interior. E até hoje continuamos tão perdidos e, olhando para fora, culpamos uns aos outros!

            Mas, ainda insistimos, até hoje, em comemorar o advento do Mensageiro e de sua mensagem! Acredito que buscamos  esse encontro amoroso nos festejos de Natal desejando reafirmar a nós mesmos que esse é o Amor que nos pode fazer felizes. Tentamos, ao menos nesses momentos, uma trégua, às vezes, desconfiada (entre pessoas/países), curtimos as luzes, a alegria, compramos e ofertamos coisas, muitas coisas, damos “festas”, comemos e bebemos muito, queremos nos sentir juntos e solidários... Rimos muito, choramos perdas e saudades... Esse ainda é o Natal das nossas comemorações com o mundo, mas acredito que, a cada ano, a cada Natal, vamos conseguindo, no nosso pequeno passo, em nossa ainda pequena maturidade, acreditar e viver, cada vez mais, aquela doce resposta.

Preciso estar sempre me lembrando que cada dia é uma nova oportunidade de estar naquele caminho. Cada momento de gentileza, paciência, ternura, compaixão, respeito... cada momento experimentando essas faces do Amor me faz sentir a doçura e o poder desse sentimento em mim.  Relembrando-me, somos criaturas de um Criador Amoroso, centelhas de seu Amor Maior e trazemos em nós sementes de sua Luz e seu Amor. Só esse despertar amoroso nos levará à felicidade.  Que esse Natal sirva, mais uma vez, para nos lembrar e tentar viver a doce resposta do Homem de Nazaré: Eu sou (o Amor) o Caminho, a Verdade e a Vida”

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

CAMINHOS INTERIORES


            É uma dádiva, uma graça de Deus, podermos finalmente “ver” alguns tão dolorosos aspectos de nossa humanidade ao sermos confrontados com ela.

            A princípio, não me via; apenas olhava para fora e julgava, condenava, ainda que o fizesse, muitas vezes, apenas comigo mesma. Em minha “cegueira” tola e arrogante, em meu orgulho, sentia-me uma pessoa melhor, superior, generosa, incapaz daqueles erros e mesquinharias.

            Mas, “o tempo não correu em vão” e um dia, pela Graça e Justiça de um Poder Amoroso e pela minha perseverança em aprender a olhar para meu interior, consegui acessar algum nível mais sensato, verdadeiro e amoroso de mim e fui levada a rever algumas de minhas “verdades”, de meus sentimentos e minhas atitudes.

         Foram momentos de vergonha e culpa, misturados com raiva e, mágoa, com tentativas de ainda tentar desviar ou dividir responsabilidades... Foi o momento em que meu orgulho foi confrontado com meu egoísmo, com meus erros, pequenos ou grandes, negados ou não, mas finalmente admitidos. Foram momentos de humilhação! Afinal, não fui quem eu pensava ser,  não fui como devia ser, como queria ser! Presa ainda à minha soberba/vaidade/arrogância sentia remorso cruel, briguei comigo, me machuquei...Fui meu juiz e meu carrasco, porque só a mim competia esses papéis!

            Então, ainda pela Graça de Deus, pude começar a aceitar meu, ainda, tão pequeno tamanho e a transformar humilhação em Humildade! Transformar remorso em arrependimento e vergonha em tristeza pela dor que tenha causado aos outros.                      AH, meu Deus! Só por Hoje, meu tamanho é esse! Ao ganhar um novo olhar sobre mim mesma e sobre os outros, vem a libertação de ter que ser sempre juiz. Descobri que somos realmente iguais em nossa humanidade ainda tão desorientada e desconhecedores de nossa Luz tão escondida...

            Ah, meu Doce Deus! Tenho que passar pela aridez dos meus desertos interiores, pelos meus venenos escondidos, para desfrutar as doçuras de Tuas planícies em mim! Esse é o caminho da Verdade que liberta e, “um dia de cada vez”, preciso percorrê-lo Contigo.

            Que sei dos caminhos interiores dos outros? O que se passa atrás de suas máscaras, o que se esconde atrás de suas palavras, de seus silêncios e até de seus atos? Que posso saber, se até eles, como eu, ainda se escondem e se desconhecem?

            Preciso da força amorosa de Deus para continuar atenta aos meus desvios interiores. Ainda tento julgar e graduar os erros dos outros, só porque, muitas vezes, ainda me parecem maiores ou diferentes dos meus! Ainda quero me sentir maior e melhor!!! Só a constante “lembrança educativa” dos meus erros para me livrar do orgulho e do autoengano.  É muito bom poder aceitar os confrontos em minha caminhada com Humildade, Bom humor, Paciência, Honestidade... Não quero aprisionar meu caminhar em ilusões, acusações, lutas... nem quero transformá-lo num fardo para mim mesma. Quero atravessar meus caminhos interiores entendendo que eles são rotas para libertação! 

sábado, 13 de dezembro de 2014

DESPERTARES


            Somos poeira das estrelas, pedra bruta da Terra, mas, também, seres animados por uma Energia Pura, Maior, de Amor... e em processo de despertamento. Lentamente, muito lentamente, vamos despertando...

            Nessa curta passagem, nesse “curto viver”, primeiro despertamos  para nosso corpo físico - suas necessidades primeiras e, a cada fase da vida, vamos despertando para suas sempre novas possibilidades, seus anseios adultos, suas dores, seus gozos... até seu declínio!

            Ao mesmo tempo, vamos despertando nossa mente para um pensar racional, intelectual, cada vez mais sofisticado, ainda e quase sempre, a serviço de nossa vida material – tecnologias, poder, prazer, vitórias... Nesse processo de buscas mundanas tivemos nossas emoções e sentimentos bloqueados, direcionados, condicionados, aos fins imediatos e materiais que buscávamos. Despertamos em racionalidade e intelectualidade, mas nos mantivemos estacionados e letárgicos no despertar de nossos níveis mais altos – espirituais... e não somos felizes!

            Hoje, cada vez mais, somos atraídos pela doçura e delícia de um despertar de nossa espiritualidade, pelo despertar de nossa consciência amorosa, consciência que nos liberta, que nos traz alegria e felicidade. Nossa agonia nos confronta com a falência de um modelo tão fortemente materialista, que não é bastante para seres espirituais como nós e nos faz ansiar por um conviver com a ética, com o cuidado atento e carinhoso, com o respeito... de uns com os outros.  A satisfação do corpo e o orgulho com o desempenho  de nossa mente, sozinhos, não conseguem nos nutrir a alma e ela, isolada, não consegue nos fazer felizes!.

            Esse novo despertar, o de nossa Consciência Amorosa, requer Vontade e Coragem para a escolha desse viver, para “soltar-nos” de lutas, rancores, disputas, certezas... e “um dia de cada vez” nos “entregarmos” à Luz que nos alimenta. Não podemos parar! Não conseguiremos parar ou retroceder! Somos filhos de uma Luz Maior que tudo criou, que nos habita e cada vez mais se manifestará em nós. Nossa origem divina nos empurra e nos chama, ainda que tantas vezes relutemos nesse caminhar e tentemos tomar atalhos de vaidade, prepotência, orgulho, preguiça...

            Já nos foi dito: Vós sois a luz do mundo! Precisamos acreditar e Despertar essa Luz em cada um de nós.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

VAIDADE II


           Embora possa não parecer, a Vaidade encobre (e expressa!) uma necessidade sempre presente, consciente ou não, de valorização. Em nossas relações, como a Vaidade engana! Ela quer nos fazer parecer mais e melhor, enquanto disfarça nosso medo de parecer menos e pior, num esforço contínuo para demonstrarmos nossos dons e nosso brilho, a nós mesmos e ao mundo.
           
            Como ainda não temos conhecimento e acesso contínuo e satisfatório, às nossas verdadeiras possibilidades, dons e brilho interior, precisamos sempre, desesperadamente (não é exagero), que reconheçam  nosso brilho e nosso Valor. Desde sempre aprendemos, todos, a manipular e sermos manipulados através da Vaidade, que nos leva a dar ouvidos ao que nos envaidece e a dizer ao outro o que a vaidade dele quer ouvir. 

            Somos seres de relação, nos humanizamos no contato uns com outros, numa eterna busca por Valor e Amor. Se ainda tão pouco nos conhecemos, valorizamos e amamos, ficamos à mercê somente da valorização que possamos receber do mundo. Por isso temos tanto medo que, no contexto onde vivemos (familiar ou social), não reconheçam nossas qualidades, em quaisquer níveis.

            A Vaidade, então, está ligada às necessidades do Ego, necessidade de prestígio, de “sucesso”, de  poder, de vencer, de não perder, de ser mais... no bem ou no mal (não importa, importa apenas que sejamos valorizados). Para isso, a Vaidade nos leva à construção de uma vitrine, uma fachada, muitas vezes falsa ou artificial de nós mesmos, onde ficamos em constante exposição e comparação.

 Assim, a Vaidade nos mantém vivendo e olhando para fora. Somos prisioneiros da necessidade de elogios -  das pessoas ou de nós mesmos, os verdadeiros ou até os falsos, que nos obrigamos a acreditar para retroalimentar as crenças, anseios  ou as imagens ideais que criamos. E pelos mesmos motivos nos deixamos duramente atingir ou até derrotar pelas críticas que agridam nossa vaidade.

À medida que vamo-nos conhecendo com mais Verdade, com defeitos e qualidades, vamos, também, criando uma intimidade carinhosa  conosco mesmos, que nos faz, cada vez mais, tomarmos consciência amorosa de nosso Valor intrínseco como Ser Humano Único... E vamo-nos aceitando, a cada momento, como fomos e como somos, sem “necessidade” de aprovação.

É muito tênue a linha que separa a Alegria Simples e Verdadeira de Ser/ Estar bem, conosco mesmos e com as pessoas, de gostarmos dos elogios honestos e de nos sentirmos felizes com nossos avanços nas várias áreas de nossa vida, da Vaidade que está à espreita e quer sempre nos aprisionar.  Como já foi dito pelo “Mal”, nos manipulando sempre:

- Vaidade Humana, você sempre foi minha maior aliada! 


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

PARCERIAS E DISPUTAS


Nesse nosso mundo materialista, disputado, hostil... aprendemos desde cedo a ir nos entrincheirando, buscando alianças e pertenças a grupos que fortaleçam nossas defesas nas lutas que enfrentamos por dinheiro, prestígio, poder, ideias, afetos... Tudo que poderia nos tornar “vulneráveis”, nós procuramos resguardar, disfarçar, esconder... desde bens materiais até nossos sentimentos, atitudes, sonhos, ideais... Mas nos vemos, afinal, aprisionados em nossas máscaras sociais, em nossas armaduras mentais e afetivas, na defesa de nossas “posições”....

            Hoje, muitos de nós já ansiamos por nos libertar!  Poder ver a nós mesmos, poder dizer de nós, de nossas possibilidades, de nossas características, boas ou más... Poder flexibilizar nossas  certezas e ideologias... sem ter que estar ‘lutando contra’!

            Mas o mundo ao qual pertencemos ainda nos convoca à “lutar contra”, ainda nos mantém distraídos de nós mesmos, de nosso processo de libertação, de descoberta de um novo modo de Ser/Estar - com respeito, com parceria, com atitude... mas sem  “lutar contra”!  Esse mundo competidor nos convoca a carregar bandeiras, mesmo sem necessariamente nos dispormos a vivê-las, cuidando só de implantá-las, levá-las aos outros, buscar adesões -  para mais lutas...  Somos convocados a defender/lutar por dogmas e certezas alheias. Somos assediados, amedrontados e convencidos por informações, novas ou antigas, muitas vezes enganadas ou enganosas. Somos “vestidos”, encapsulados, por novos modismos/discursos  e velhos estereótipos. Somos convocados a aceitar rótulos, a ser parte/pedaço de grupos religiosos, políticos, esportivos, etc... onde perdemos nossa identidade amorosa de filhos de um Poder de Luz  e somos levados a nos antagonizar àqueles que não pensam, não sentem ou não agem como nós.

             Tantas e, ainda, muitas vezes, nos deixamos envolver em novas convocações às lutas! E, porque não nos olhamos, nem notamos como atuamos: - com arrogância, nos sentindo mais fortes, mais responsáveis, mais virtuosos... ? - com acomodação e egoísmo, querendo que outros lutem por nós? Ou que nos sigam nas nossas lutas?
              
              E nem notamos também que, enquanto estivermos envolvidos em lutas externas, não cuidamos de ser mais amorosos e responsáveis conosco mesmos, para, então, podermos amar melhor aos outros, como iguais em nossa humanidade, com respeito, com parceria ... sem precisar ser superior, adversário ou condutor.

            A todo instante, ainda, somos convocados a “lutar contra”, mas, hoje, já não acredito ser esse o caminho duradouro para quaisquer  transformações, individuais ou sociais. A luta desgasta, radicaliza posições, retarda nossa caminhada. Acredito em tomarmos atitudes de parceria, de chegar junto, de aceitação, de compartilhar, de ouvir, de refletir, de nos colocarmos com firmeza e honestidade, com generosidade, igualdade, solidariedade... e seguirmos, com perseverança e paciência, em direção a um tempo melhor, porque já estou entendo que o curto/impaciente  “tempo dos homens” está dentro do Tempo de Deus.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

QUANDO OS “MENINOS” VOLTAM


              A emoção de rever aqueles que tanto amamos nos preenche, avassala, extravasa em lágrimas, expande o peito, aperta e faz doer a garganta, mas faz sorrir entre lágrimas e nos leva a repetir seus nomes, chamando, baixinho ou gritando, porque, finalmente, chegaram...  Rever, tocar, sentir pertinho quem esteve longe e por quem tanto ansiamos, é demais!

 -Rever os pequenos quando voltavam das férias, da escola, dos passeios... já dando saudade, só porque eles estavam longe dos nossos braços, do nosso colo! 
- Rever nossos adolescentes, desafiando regras da família e do mundo, sob constante perigo... e ouvi-los, finalmente, chegando, a chave na porta, voltando para casa, para a “proteção” do nosso amor!
- Rever os mais distantes, perdidos em descaminhos ou afastados por suas escolhas, filhos da nossa insônia, da nossa agonia... Revê-los por instantes ou, ao menos, ouvi-los, receber notícias, de qualquer lugar ou dimensão...
 -Rever os “meninos” já adultos, no mundo, em novas casas, novas famílias...com seus desafios, tristezas e alegrias, com sua eterna pressa... longe do ninho  que construímos e desfrutamos juntos, longe do ninho que os criou e ficou tão vazio deles...          

            Revê-los em qualquer ocasião, mesmo sob tolos pretextos, recebê-los em visitas raras, em encontros sempre corridos... é muito bom, chega a doer!  Se vierem e, eventualmente, por qualquer necessidade, precisarem ficar mais tempo, aí então é demais!  Sentir o ninho novamente vibrante, ver a mesa novamente cheia de vozes, risos, implicâncias, reclamações, gozações... E nós nos preocupando se há falta de alguma coisa que eles gostavam... E nós com a tristeza sem graça de já não saber de seus novos gostos... É tudo tão intenso, quanto tão intensamente os amamos!

            E relembro esses mesmos “cuidados doces e tolos” que meus pais/avós tiveram comigo. E os revejo também querendo arranjar pretextos para falar mais alguma coisa, só para retardar minha  saída.

            Na verdade, nossa função primária de criá-los, já foi cumprida, com acertos e desacertos. Ela já passou, mas não acabou!  Hoje estamos, com toda a ternura do nosso amor, disponíveis para os pequenos reencontros, para acolhê-los em momentos difíceis, para curtir e colaborar quando solicitados, para sorrirmos ou chorarmos juntinhos, para acatarmos os novos saberes que eles nos tragam e compartilharmos alguma sabedoria que tenhamos amealhado pelo caminho.  Acredito que dizer dos nossos sentimentos hoje, pode fazê-los entender mais tarde, quando seus próprios ninhos estiverem vazios, que é “assim mesmo” essa transmissão de amor e saudade entre as gerações.

            E me repito sempre:  Como o Amor é “uma ponte para o sempre”, estaremos sempre indo, mas voltando, através do tempo, das vidas...  Jamais nos perderemos uns dos outros!

domingo, 23 de novembro de 2014

NECESSIDADES E NUTRIÇÃO


            Somos criaturas caminhantes e necessitamos de nutrição para a caminhada.
Nossa dimensão física necessita de água/ar/alimentos, limpos e sadios, na quantidade suficiente, com qualidade e sabor. Também necessitamos fisicamente de descanso e de atender a nossos anseios sexuais. São nossas necessidades básicas de sobrevivência física.

            Mas também precisamos de nutrição em nossa dimensão  psíquica/racional. Necessitamos de auto valorização, de encorajamento de nossas potencialidades, do reconhecimento de nossa unicidade ao mesmo tempo em que precisamos nos olhar com igualdade, em respeito à nossa dignidade de seres humanos portadores da centelha de Deus. Nossa mente racional  se nutre com a aquisição de novos saberes, buscando espaço  para novas perguntas, com o estímulo à busca de respostas próprias, com a abertura para a troca que enriquece.

            Nossa dimensão afetiva e de relação se nutre na troca amorosa com ternura, carinho, no acolher e ser acolhido, no abraço, no toque, no sorriso, no dizer e ouvir de Amor. Ela funciona como uma antecâmara de nossa dimensão espiritual, que requer nutrição mais sutil, diferente daquelas a que estamos acostumados em nosso mundo materialista, agressivo/competitivo.

Nossa dimensão espiritual é/tem uma ligação direta com nossa origem de Luz e para ela temos necessidades mais altas, necessidade de vivermos e de nos nutrirmos com os valores e  os princípios mais altos do Amor.
- necessitamos de Justiça, de sermos justos, mais do que a delícia de vermos a justiça no mundo ou a revolta com a injustiça do mundo.
- necessitamos de Verdade, de sermos verdadeiros/honestos conosco mesmos e com o mundo.
 - necessitamos de beleza, de buscar “ver” o belo em nossas interações conosco mesmos, com pessoas, com o mundo... De escolher o belo em vez de brigar e nos fixar no sujo/feio, que parecem nos aprisionar em tristeza/revolta , que nos deprimem... De fazer a nossa parte , favorecer a visão e construção belo, material ou não, em nós e na natureza da qual fazemos parte... Ver e sentir a beleza nos nutre a alma!
 - necessitamos de Ordem, de organizarmos nosso espaço interior , nossas ideias, nossos sentimento... e naturalmente, nosso espaço exterior. A “bagunça”, o caos, nos sugam energia.
- necessitamos nos nutrir buscando viver a Bondade, a Generosidade, a Compaixão, a Gentileza... conosco mesmos/mundo , em vez de reclamá-los ou querer ensiná-los ao mundo.
- necessitamos nos sentir nutridos pela Paz interior, que só pode nascer da Aceitação do que sou/fui, do que são/foram os outro e  do Perdão...
- necessitamos nos sentir Aqui/Agora para desfrutarmos da nutrição especial da Alegria de Sermos/Estarmos vivos.

            Nesse nosso mundo tão objetivo/prático/material só nos sensibilizamos com a desnutrição ou a obesidade e doenças físicas. Estamos, também, obcecados por nos “empanturrarmos” de saberes/informações, que nos saturem de poder/dinheiro/prestígio e razão. Queremos até cuidar e fazer doações materiais/intelectuais aos mais necessitados, mas somos, nós mesmos, seres bastante subnutridos, de afeto e espiritualidade. E essa dor, essa falta de nutrições mais altas, nos agonia, nos confunde/assusta e nos mantém em estado primário, violentos/ agressivos, arrogantes, vaidosos, em eternas disputas, inconscientes de nossas próprias carências.

            Não há soluções práticas/materiais para essa carência. Essa nutrição “mais alta”, nós não podemos comprar, tomar pela força, receber como doação. Essa é uma carência interior e só nós mesmos poderemos suprir essas nossas necessidades. Só devidamente nos nutrindo nesse nível é que podemos melhor entender, sentir e respeitar as carências dos outros e então chegar a eles como iguais.

            Preciso estar atenta: Como estou nutrindo minhas necessidades, em todas as minhas dimensões? Com excesso ou carência? Cuidar de mim é minha responsabilidade.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

VIBRAÇÃO


           Nós, como todo o universo ao qual pertencemos, somos energia pulsante, sagrada, em eterna vibração. Já, e ainda, somos comandados, quase todo o tempo, por nossa mente. Ela comanda o modo como vibramos a nossa energia, interferindo poderosamente em nosso emocional e atingindo o nosso corpo físico.

Se me deixo levar por pensamentos recorrentes de não aceitação de pessoas e de fatos, fico vibrante de raiva, ódio, de irritação...   Se alimento pensamentos de “inconformação”, de revolta, achando que merecia mais das pessoas e da vida, vou vibrar com mágoa, tristeza, ressentimento...  Se fico pensando constantemente  no passado, refém de lembranças, tristes ou boas, fico, no presente, vibrando com nostalgia, tristeza, pela perda do que passou ou ressentida pelo que foi...  Se fico pensando, remoendo meus erros passados, vou vibrar dolorosamente em culpas, vergonha ou raiva por ter falhado...

Quando insisto nesse pensar tão negativo, em luta comigo ou com o mundo, que me faz vibrar tão dolorosamente, eu me desgasto e permaneço em vibração estagnada, como um “samba de uma nota só” ou um disco rachado, repetindo notas sofridas, dissonantes...que me fazem sofrer e adoecer!

Hoje sei que somos responsáveis pela forma como vibramos nossa energia em nossas diferentes dimensões. É minha escolha o modo como vou ser/estar na vida, o modo como vou vibrar. Não posso deixar que o mundo à minha volta decida por  mim como vou vibrar, embora me seja tão difícil na maioria das vezes fazer a escolha favorável a mim. Afinal, fui condicionada a reagir ao que esse mundo me trazia.

Estou tentando entender ( e me lembrar disso) para ter a escolha/controle de mim mesma, do que quero para mim, de como vou decidir pensar (e vibrar). Estou tentando analisar pessoas e situações sem me deixar prender por julgamentos aprendidos, pré-concebidos por outros, que me levem a vibrar negativamente.


Se tudo está ruim, se estou mal, depende de mim mudar de estação, redirecionar meus pensamentos para livrar-me dessa estática interna que me faz vibrar tão sem alegria. Preciso sintonizar meus pensamentos com a minha Fonte de Energia – com a aceitação, com a simplicidade, com a tolerância gentil/firme com as pessoas... para acessar níveis mais sutis de mim mesma  e desfrutar da vibração gostosa da serenidade. 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

ENERGIA


           Somos seres de energia e a expressamos em várias dimensões: a física, a psíquica (mental e afetiva) e a espiritual. Somos seres em constante mudança na corrente evolutiva universal, impulsionados por nossa energia vital.

 Essa energia, vital/primária/sexual, desde o início impulsionou nossos instintos físicos, liberou reações bioquímicas em nosso corpo, levando-nos à busca de parceiros que garantissem a perpetuação de nossa espécie. Essa mesma energia sexual, também, nos levou a sermos agressivos lutadores por alimento, por território, por melhores lugares na hierarquia dos grupos, pelos parceiros, pela defesa de nossas crias. Toda nossa atenção e energia estavam voltadas para fora – para a defesa e o ataque, para a sobrevivência.

            Evoluindo, tornamo-nos “animais racionais”. Toda nossa energia vital/sexual continuou influenciando nosso corpo físico, embora também tenha ascendido a níveis mais sofisticados de pensamento e sentimento. Essa energia ainda estava voltada para fora, para nossa sobrevivência, ainda que de forma mais sofisticada, intelectualizada, tecnológica, afetiva. Ainda estamos usando nossa energia para a luta, para a disputa por água/alimentos, pela posse de parceiros e da família, por territórios ainda maiores, pelo acúmulo de riquezas materiais ou intelectuais que nos garantam poder, prestígio e, cada vez mais, prazer – todo tipo de prazer! Mas nossa energia vital, que impulsiona nossa caminhada, parece ter-se paralisado nessa luta! Ela está bloqueada, desviando-se de sua função e desviando-nos no nosso processo evolutivo, fazendo-nos “involuir” a estágios bem primitivos, transformando –nos de pessoas em objetos de uso, abuso, descarte... Já não Somos! Só queremos o poder - ter e parecer – a qualquer custo.


            Toda essa disputa constante, quase sempre atropelando a ética, a verdade, a justiça, a compaixão, a solidariedade... mesmo quando em nome dos valores morais, só nos trouxe desamor. Fez-nos agressivos e insensíveis, encouraçados, disfarçados, carentes da nutrição amorosa que necessitamos para nossa dimensão espiritual. E somos seres espirituais, ainda que com corpos/ desejos físicos e anseios psicológicos!  Necessitamos nos expressar nessas outras dimensões, também, através da verdade, da beleza, da justiça, da alegria, do prazer, da generosidade, do respeito... de todas as nuances do  Amor, para que possamos continuar nossa trajetória, nosso processo de sutilização de nossa Energia Vital. Só nesse processo de cuidado e liberação de nossa Energia de Luz poderemos desfrutar não apenas de prazer, mas evoluir para  desfrutar a Felicidade! 


sábado, 8 de novembro de 2014

O JOGO DA VIDA


            Ao nascer, fui atirada à arena do Mundo e me “disseram”:  Jogue! Salve-se! Lute pela sua felicidade! Eu ainda nada entendia, mas comecei a observar e fui aprendendo e aceitando as regras do jogo. Todos jogavam duro, mesmo despistando, fosse por amor ou por poder, para vencer, para sobreviver, num “vale tudo” de mentiras, concessões, cobranças, blefes, invasões.. .que tanto machucavam a todos!

            Estávamos todos num labirinto, confusos, buscando saídas honrosas, agarrando e descartando escolhas e escolhidos. Esses  logo haviam se tornado adversários naquele jogo tão estranho, onde nos batíamos com tanta dor e era em busca da felicidade!
            
            Eu aprendia a jogar. Não deveria perder! Os outros, mesmo os mais queridos, talvez esses principalmente, precisavam ser dirigidos e controlados, por amor ou sem amor!  Também deveria estar atenta para me defender e, se preciso, contra-atacar. Deveria demonstrar meu valor nessa luta, mas disfarçar os meus sentimentos. Tudo isso tanto me pesava, mas, afinal, era para defender  minha felicidade!
            
             Mas ninguém era realmente feliz! O jogo nos tornava a todos adversários ansiosos e, em eterna luta, nos debatíamos, confusos, num labirinto agoniado, sem saída, seguindo... porque “a vida é uma luta”, é “assim mesmo”!
            
            Um dia, abatida, muito machucada, fui sinalizada que eu precisava me conhecer, me preparar para ser uma boa jogadora num outro tipo de jogo. E venho buscando abandonar o velho jogo de lutas e disputas, que me mantém medrosa, ansiosa, blefando, fingindo, agressiva, aguerrida, sofrida... e, afinal, sempre perdedora na quimera de ser feliz!
         
            Esse “jogo” se inicia, na verdade, com um “quebra-cabeça” que vou resolvendo comigo mesma, “quebrando” crenças aprendidas e atitudes ensinadas pelo meu ego adestrado para as lutas do velho jogo.
         
          Agora já entendo, a vida não é um jogo, mas uma caminhada... E me foi sugerido que eu utilizasse como instrumento Passos que, como bússola de muita sabedoria, me manteriam na direção certa – de mim mesma- para que eu não me prendesse em velhos atalhos e não me perdesse em antigos descaminhos... Essa caminhada de descobertas, de portas abertas, única e pessoal, deve ser feita com atenção gentil e cuidadosa, com paciência e boa-vontade, com bom humor e amor, com respeito, lealdade e honestidade...  comigo mesma! Essa é primeira direção! Essa é a minha vida!
          
           E então vou me aprontando para “jogar” com o mundo. Mas não me serve mais o velho jogo! Agora não quero oponentes ou adversários, não quero me envolver em lutas. Não quero disputar, estou aprendendo a compartilhar, sem vencidos e vencedores! Agora quero parcerias e parceiros... E quando os parceiros só souberem jogar o velho jogo, preciso exercitar minha coragem para lhes comunicar, com honestidade, gentileza e firmeza, quais são as regras aceitáveis em nossa parceria.
         
            Um dia de cada vez, mesmo com as dificuldades de desaprender as velhas regras, com as recaídas em disputas, sei que quero para mim um viver mais livre, amoroso...e compartilhado!
         
            A Vida não é um jogo! É uma incrível jornada...

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

CO-DEPENDÊNCIA


            Depender de um dependente! Depender de quem já não é dono de si mesmo, dono da direção do seu caminhar, de sua própria vontade! Estar atrelado a algo/alguém  desgovernado, sem oriente, sem orientação... Ver os obstáculos, os abismos... tropeçar, ver que vai cair, sofrer, até adoecer e morrer, mas acreditar  que não pode  evitar!

            Chorar, sofrer, se desesperar pelos descaminhos de quem amamos! Mágoas, frustrações, raiva, vergonhas, culpas... por tudo que tentamos para corrigir sua “rota” e nada conseguimos! Falar, explicar, tentar convencer, ameaçar, agredir, suplicar, se desesperar... e nada adiantar!

            Mentir, omitir, disfarçar, inventar, se desesperar pela “falta de diálogo”, pela impossibilidade de nos comunicarmos, se desesperar pela distância cada vez maior! Sentir-se em meio a um nevoeiro escuro e angustiante, perdidos uns dos outros, em desencontro, em eterna agonia, buscando um entendimento que não acontece...

             Envergonhar-se por ser cúmplice de tudo que rejeita, numa tentativa final de “proteger” o dependente das consequências de suas atitudes adoecidas. Deixar-se manipular e submeter por uma culpa escondida, sentir raiva e depois mais culpa pelo sentimento que “não deveria” sentir!

              Desesperar-se, culpando-se por haver fracassado na missão de querer e acreditar no impossível – viver a vida de alguém- mesmo que para salvá-lo de sua prisão, mesmo que por amor!   E nesse querer impossível, ficamos ambos acorrentados, numa luta onde “vale tudo”. E escorregamos  num mergulho mortal para o fim do amor, da felicidade, da própria vida... Co-dependência é isso: desespero e desesperar-se!

              Mas, por que essa submissão enlouquecida, que adoece e mata? Por que insistimos até o fim, mesmo sem nada adiantar?

           Porque amamos e acreditamos que esse é o nosso dever! Porque acreditamos que precisamos dar conta de “nossa missão” e para tanto podemos e devemos mudar o outro. Por que não podemos “abandoná-lo”. Porque acreditamos que “Amar é sofrer”!

            E também porque acreditamos que cuidar do Outro, viver a sua vida, é que dá sentido à nossa própria vida!  Porque, muitas vezes, precisamos que precisem de nós para nos sentirmos amados e importantes! Porque precisamos fazer bem o nosso papel para nos sentirmos valorizados... Se não, teremos sido incompetentes, teremos fracassado!

            Temos muita dificuldade em mudar nossas crenças sobre nossos papéis nas relações. Contudo, se não mudarmos algumas dessas  crenças, jamais conseguiremos mudar nossos sentimentos e comportamentos!

           Preciso reconhecer que eu e o dependente somos duas pessoas  únicas e diferentes, ainda que nos amemos muito! Somos seres naturalmente desligados, ainda que ligados por laços de amor! O que nos iguala é a mesma Fonte de Luz da qual nos originamos, a mesma necessidade de caminharmos e o mesmo direito de viver e aprender com os desafios de nossas próprias vidas. Somos impotentes para modificarmos uns aos outros, quaisquer outros!

            Somente quando começo a entender e aceitar essa nova crença, posso começar a me libertar, e libertar o dependente, da minha desesperada tentativa de controle. Preciso da força da minha Luz Interior, de filho que sou de um Poder Maior, e da força de pessoas que, como eu, estão na mesma busca de libertação. Ainda temos dúvidas, confusões, um grande medo e tantas cobranças de nós mesmos, do mundo e um do outro!  Estando em unidos em Grupos é que poderemos fortalecer nossas novas crenças, liberar nossos sentimentos e nos encorajarmos a novos comportamentos.  


            “Co-dependência, nunca mais!”


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

A MINHA PARTE


           Por mais que me doam as injustiças, a violência, o mal, a insa nidade do Mundo... e por mais que eu queira tudo tão diferente do que vejo de absurdo e errado, eu não tenho o poder de modificá-lo!  E não adianta julgar, culpar, acusar, desprezar... não adianta tentar convencer, levantar bandeiras, militar, se engajar nas lutas pela modificação dos outros...O caminhar de cada um de nós é único e o caminhar do Mundo reflete esses nossos passos, as nossas escolhas.

            Em todo esse contexto, hoje tão confuso, egoísta e materialista, eu me assusto, sofro, busco com agonia sobreviver e até ser feliz, mas, na verdade, o que me cabe é tentar fazer, sempre da melhor maneira- a minha parte!

           Se a violência me assusta, preciso usar meu bom senso e cuidado nas relações com o mundo, tentar apaziguar meu coração e não me deixar envolver pela raiva e pelo ódio para o revide, que eterniza a luta – essa é a minha parte!

           Se a injustiça e a mentira me indignam, quero estar atenta às minhas atitudes para não cair na acomodação e no cinismo de me desculpar ou tudo desculpar achando que na vida, no mundo, “é assim mesmo”... Se todos mentem, países e pessoas, preciso estar atenta à Verdade em minha vida, em minhas atitudes, em minhas palavras, no olhar para mim mesma - ter Honestidade comigo - essa é a minha parte!

            Se a fome, a miséria, as doenças, os abusos com os mais fracos... grassam no mundo e à minha volta, se me sinto com raiva, triste, deprimida, impotente para mudar tudo e todos, preciso ser mais humilde e objetiva e Eu ajudar no que Eu posso, da maneira que Eu puder- essa é a minha parte!
            Se me sinto abusada, maltratada, incomodada, por pessoas agressivas, competitivas e invasivas, pessoas que eu não posso modificar, preciso ser assertiva com elas e respeitosa comigo – essa é a minha parte!
            Se tudo e todos se perdem numa materialidade agressiva e agoniada, numa busca frenética e desesperada por mais e mais coisas, sensações, prazeres, saberes, que não os preenchem como seres espirituais que são, preciso observar e buscar a suficiência e o meu equilíbrio entre o material e o espiritual em minha vida – essa é a minha parte!

            Se me incomoda e irrita o egoísmo das pessoas, seu orgulho, sua arrogância, vaidade e prepotência em quererem dar ordens, instruções, em justificarem ser controladoras porque sabem mais, são melhores, mais merecedoras... Preciso estar atenta às minhas próprias atitudes nesse sentido – essa é a minha parte!

            Se me mantiver, com humildade, atenta a mim, se não tiver a pretensão e presunção de querer julgar e modificar o mundo, estarei descobrindo, a todo momento, em todas as questões, como posso efetivamente fazer a minha parte! O que for conseguindo, será muito gratificante para mim e fará esse Mundo um pouquinho menos confuso, agressivo, desonesto...

            E estar repetindo isso para mim mesma é, também, fazer a minha parte!

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

RESPONSABILIDADE


           Foi-nos repassada a crença  absurda, irreal, ideal, de que somos responsáveis pelas escolhas, pelas decisões e pela felicidade das pessoas, principalmente daquelas que amamos.   Em consequência, acreditamos que temos o poder e o dever de controlar seus pensamentos, sentimentos e atitudes, sempre que acharmos necessário, quando entendermos que estão tomando rumos “errados” ou quando possam estar afastando-se de nós. Nós os acusamos , tantas vezes,  de irresponsáveis, quando, na verdade, nós assumimos as suas responsabilidades, invadimos  suas vidas... ainda que com sua aquiescência!

            Por tudo isso, por tantas “responsabilidades” com a vida dos outros, simplesmente nos tornamos irresponsáveis com a nossa própria vida e culpamos tudo e todos por nossa infelicidade!  Preciso entender que tenho responsabilidade no trato com a natureza, animais e pessoas( principalmente com as mais dependentes - crianças, idosos, adoecidos...)  Nesse trato, preciso ser verdadeira, gentil, amiga, solidária, respeitosa... no modo como estou e como compartilho nossos espaços. Com você, sou responsável por não agredir ou dificultar seu caminhar, por não humilhar, não abandonar...  Mas não sou responsável por você!

            Sou, sim, a única responsável pelo meu caminhar. Não posso delegar, jamais, essa responsabilidade aos outros (quaisquer outros), à vida ou acusar Deus de não ser cuidadoso comigo. Sou responsável por minhas escolhas, por minhas atitudes, pela honestidade com que me vejo, pelo modo atento e cuidadoso como me trato, por guardar meu espaço com lealdade e respeito a mim, por demonstrar aos outros como aceito ser tratada em qualquer relação.  Cuidar de mim, modificar-me para melhor, para ser mais livre... essa é a minha responsabilidade  primeira. 

            Cada um é depositário e portador da Centelha de uma Luz Maior e pelo cuidado comigoEu sou responsável!

domingo, 19 de outubro de 2014

ASSERTIVIDADE


       É a “arte”, a atitude, de descobrir, estabelecer, comunicar e honrar os meus limites. Por é tão difícil? Por que, quase nunca, sequer tentamos? Por que nos assustamos e nos ofendemos quando alguém é assertivo conosco em nossas relações?
Entendo que é porque acreditamos que não é certo, não é delicado, não é o esperado! Porque podemos magoar, zangar, afastar... as pessoas! E se elas nos deixarem? E se elas se decepcionarem conosco? E se elas deixarem de nos valorizar e amar?!

         Aprendemos que deveríamos “aceitar” ou, pelo menos, “engolir” situações, quaisquer situações, mesmo de abuso, para sermos aceitos, queridos...para não perdermos o controle das pessoas e das situações, pela “paz”, pela continuação da relação.

Acreditamos que para amar e sermos amados (pais, filhos, amigos, companheiros...) deveríamos misturar vidas, opiniões, opções, espaços, sentimentos, crenças, ideias... Deveríamos nos unir numa só pessoa/grupo, nos adequarmos aos desejos de cada um e caminharmos pelos caminhos uns dos outros. Aprendemos a olhar para/pelos outros, para agradá-los, cuidá-los... antes e em lugar de nos ver, nos entender e cuidarmos de nós mesmos! Parece bonito, mas é incoerente, antinatural – não dá certo! Vivemos prisioneiros do medo da perda!
           
E que tola pretensão querer entender e cuidar dos outros, quando nada sei de mim- do que sinto, das minhas necessidades tão abafadas, mascaradas, disfarçadas de mim mesma! Como ser/estar verdadeira e serena, com meu interior irritado, magoado, ressentido, de tanto “engolir sapos”...
 Como respeitar os outros, se não me respeito?  E submetendo-me, acabo tentando submeter os outros pelas mesmas armas de segredos, mentiras, manipulações...  Vendendo, muitas vezes, a imagem de pobre vítima amante da paz, lançando culpas...

Como ter relações verdadeiras se me relaciono apenas através do que mostro e não do que sinto? Temos muito medo da Verdade – de dizer ou de ouvir!  E de tudo que sacrificamos e a que nos submetemos por esse medo, nos resta a triste constatação que estamos cada vez mais afastados e ressentidos...
           
Para ser assertivo preciso me dedicar ao exercício de conviver com as minhas “verdades”, perder o medo de me ver e escutar, aprender a ser honesta comigo mesma – aprender a sentir os meus limites a cada momento, em cada situação.  Esse contato contínuo e verdadeiro vai revelando-me o que sou, como estou, o que quero, o que posso, o que não quero, o que não posso... Esse “descobrir de mim” vai criando uma intimidade amorosa que me leva a me valorizar, a vencer o medo de ser quem sou , a querer me respeitar,  a querer me revelar...

Preciso dizer de mim! Preciso ser leal a mim e, com a mesma honestidade que usei comigo, preciso comunicar aos outros quais são os meus limites, minhas possibilidades e disponibilidades na relação. Estou então estabelecendo e, corajosamente, honrando os limites do respeito a mim e à minha vida. É uma alegria poder “ver” meu próprio crescimento a cada momento que consigo ser assertiva, porque descubro que estou aprendendo a me valorizar, a me amar, a cuidar de mim... Amo as pessoas, mas “Que comece por mim”

Ser assertivo é aprender a viver com a Verdade, um princípio espiritual... É nos libertarmos dos medos que nos apequenam...  

E cada vez entenderemos melhor o que nos foi prometido:

...E a Verdade vos libertará!

terça-feira, 14 de outubro de 2014

OPINIÕES


            As opiniões exprimem nossa apreciação sobre qualquer assunto – naquele momento!

Somos seres vivos, portanto, seres em aberto, flexíveis, mutantes, mutáveis, em constante transformação... e nossas opiniões, reflexos do nosso pensamento, precisam ser coerentes com o que somos e atestar que estamos vivos – em movimento –  de olhar e escuta com amplitude, retificando-as  ou ratificando-as, mas certamente enriquecendo-as com novos aspectos apreendidos.

Quando dizemos ou pensamos: “Já tenho uma opinião formada...” apenas dizemos que estamos fechados, teimosos, congelados em nosso orgulho e enrijecidos naquele pensar, tantas vezes herdado ou manipulado!

De qualquer forma, as opiniões são um “instantâneo” de cada um de nós e por isso precisam ser respeitadas. Não devem ser discutidas, ironizadas, comparadas, disputadas – qual a melhor, a mais certa, a mais honesta... Não devem ser transformadas em munição para o convencimento, em uma disputa que só nos afasta, só nos enrijece em nossas posições de ataque/defesa, cada vez mais prisioneiros de nossos egos.

Numa visão maravilhosamente promissora de crescimento, num contexto de humildade, igualdade e cooperação, buscando, com gentileza e abertura, a solução de propósitos em comum, podemos desfrutar da experiência extremamente enriquecedora de compartilhar opiniões.  Nesse contexto, cada um por sua vez colaborando com suas opiniões, escutando com mente aberta, podendo refletir e enriquecer ideias, temos a oportunidade de nos sentir “pertencendo” e coautores de nossas soluções.

Minha opinião, sozinha ou uni/direcionada, mesmo quando bem embasada, fica empobrecida nesse meu olhar “caolho”. A troca, não a disputa, é que pode nos enriquecer e nos fazer sentir participantes de uma Consciência maior e melhor. A discussão fere, agride e nos mantém entrincheirados em nossas razões e opiniões. O Compartilhar, ao contrário, nos enriquece e aproxima .

 Mas, se não for, ainda, possível essa troca inteligente e generosa, que cada um fique com a sua opinião – sem disputa, com respeito.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

ESCOLHAS


          São nossas primeiras e eternas manifestações de individualidade e responsabilidade na Vida. Escolhemos, ainda que inconscientes, ser bebês mansos, manhosos, rebeldes... Nossas escolhas, quaisquer escolhas, vão construindo nossos destinos. Não importa os caminhos tomados, eles foram nossas escolhas! Não importa tudo que nos ensinaram, se acreditamos ou contestamos, foi nossa escolha! Até o que fomos “obrigados a engolir”, a fazer ou não fazer... foi nossa escolha como reagimos a tudo aquilo! E tudo que nos foi passado como verdade desde que nascemos, é de nossa escolha continuar acreditando ou não! Mesmo quando subjugados pela força (física, afetiva, econômica, psicológica), ainda assim é de nossa escolha como lidaremos com o que a realidade nos apresentar. Mesmo quando resolvemos não fazer escolhas, quando delegamos nosso direito a outros, isto também é uma escolha.

            Esse é o livre arbítrio que um Poder Superior Amoroso Sábio nos legou. Podemos tudo, somos livres para qualquer escolha – e, junto, nos é deixada a responsabilidade, a oportunidade de aprendizado, com as consequências de nossas escolhas nas relações afetivas, religiosas, políticas, sociais... Esse é o propósito maior de nossa vida!

            No entanto, nos foi ensinado que o Mundo é que seria “culpado” por nossa felicidade ou infelicidade! Por isso culpamos os amores, parentes, amigos, inimigos, os religiosos, os políticos, a sociedade... por nossas dificuldades, sem pensarmos em nossas próprias escolhas, tirando de nós a responsabilidade por nossas escolhas anteriores.     E nos enganamos muitas vezes quanto ao que nos motiva em nossas escolhas. Gostamos de fantasiá-las de “pelo bem dos outros” quando, tantas vezes, estamos resguardando nossos privilégios, nosso poder, nosso medo das consequências de caminhos mais trabalhosos ou que nos exporiam mais às criticas do mundo.

            Por respeito, não devo forçar, manipular ou tentar convencer os mais dependentes, os mais confusos, aqueles que ainda não sabem de seu próprio poder de escolha. É covardia, abuso, prepotência, arrogância, presunção, desrespeito... mesmo quando em nome do “bem” ou do “cuidado”!  Não quero, tão pouco, ser manipulada ou “forçada” em minhas escolhas. Não quero abrir mão de minha liberdade e responsabilidade de escolha, não quero abrir mão de ser quem sou. Essa é a minha vida!   


sábado, 4 de outubro de 2014

DELEGAR


            Por que nos sobrecarregamos tanto? 
Vivemos num queixume, pensado ou falado:  “Tudo acaba por arrebentar em minhas costas! Mas, se eu não fizer, quem fará? E, de que jeito farão?”  Quantas vezes nos sentimos assim? Abafados, desgastados, magoados pelo descaso dos outros, pelo não reconhecimento do nosso esforço, pelas cobranças injustas, pelo abuso, pelos elogios manipuladores dos mal acostumados...

            Hoje começo a ver que somos os únicos responsáveis por nossos papéis nas relações em Família, no Trabalho... papéis de vítimas exploradas ou sobrecarregadas. Preciso aprender a desapegar do poder, do controle; preciso aprender a DELEGAR!

            É um difícil aprendizado porque requer que abra mão do poder de ser quem faz tudo, quem decide tudo e do modo que me pareça melhor. É abrir mão da pretensão de ser a que pode “salvar” familiares, amigos, a humanidade em geral!...É abrir mão da presunção de ser a que sabe mais e a que tem mais bom senso. Abrir mão da prepotência de exigir que seja do “meu modo”. Abrir mão da vaidade de ser incensada, mais valorizada... mesmo que como “pobre vítima sacrificada”, esperando migalhas de amor e valor!  Estes são ganhos tortos, aos quais, infelizmente, nos acostumamos...

            Delegar, então, passa a ser um exercício de libertar-se da ansiedade de ocupar-se demais com os assuntos da vida dos outros para aprender a cuidar de você, buscando transformar-se para melhor, sua maior responsabilidade na vida. É um exercício de atenção gentil e carinhosa consigo mesmo ao respeitar seus limites físicos/psíquicos/espirituais.  É um exercício de generosidade e respeito com os Outros porque, mesmo quando “não me custa nada”, não tenho o direito de tirar-lhes a oportunidade de enfrentar e aprender com seus próprios desafios, para poderem se sentir úteis e capazes. É, também, um exercício de confiar e fazer escolhas coerentes com aptidão e possibilidades, no momento, entre pessoas e tarefas, mantendo disponibilidade para cooperar, sem críticas e sem interferências.

            Delegar, nesse sentido, é desprender-se do controle, aprender a confiar, é saber distinguir o que é meu do que é do Outro, o que eu sei do que o Outro também pode saber ou aprender. Só assim, menos sobrecarregados, mais livres,  humildes e generosos, poderemos compartilhar  serviços e saberes,  nos  valorizar e enriquecer uns aos outros. 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O CADEADO E A CHAVE


          Sentimo-nos, tantas vezes, cerceados, paralisados, em nossa caminhada rumo a um viver melhor!  E nos perguntamos:  Quem me prende? Quem bloqueia a amplitude do meu olhar para novos horizontes? Quem me incita a uma luta constante, que me desgasta, que me tira a “graça”?  Durante tanto tempo procurei os culpados à minha volta, até que, finalmente, pude entender que era eu mesma a carcereira, a senhora das chaves - que eu era prisioneira de mim!

            E então precisava descobrir onde estavam as algemas que me impediam de ser e estar melhor, comigo mesma e em minhas relações. Entendi que o orgulho não me permitia enxergar minhas tantas outras dificuldades. Minha presunção, minha pretensão, minha prepotência, minha vaidade, minha arrogância... mesmo quando disfarçados dos outros ou ignorados por mim mesma,  me isolavam e me  cegavam  em minhas “certezas”. Como estar “juntinho”, próxima, se estava acima, se entendia mais, se falava mais alto, se era melhor e por isso deveria orientar e controlar ?  Descobri que esse orgulho detonava a raiva que sentia por não aceitar situações de impotência ante as pessoas, ante os fatos, ante a vida, e a raiva me tornava impaciente, irritadiça, até agressiva, afastando os outros  e adoecendo meu corpo. Roubava-me também a alegria de um desfrutar suave e carinhoso com  as pessoas que amava e impedia a troca de ideias, que nos enriquecem nas relações. Pude notar que, quanto mais isolada eu ficava, deixava que meu olhar para os ganhos materiais ou afetivos dos outros se tornasse cheio de amargura invejosa, disfarçada pelo despeito. E tentava preencher o vazio de alegria acumulando, com usura, sem compartilhar, coisas, pessoas, saberes... numa gula sem fim e numa busca contínua e insaciável por prazer. Ao descobrir tudo o que me aprisionava nesse “mal viver”, descobri também que precisava vencer o desânimo, a preguiça, para iniciar as mudanças que libertam!

            Mas entendo que não devo brigar ou repudiar minha humanidade ainda tão iludida, tão defensiva, tão agressiva... tão imatura.  Preciso sim, com firmeza, honestidade, com paciência carinhosa e bem humorada, iniciar o reconhecimento e abertura dos meus cadeados, porque eu sou a chave de mim!  Preciso ir desmontando a falso/tolo autoengano de soberba e superioridade e, sem humilhação, sem precisar parecer, sem  medo, poder desfrutar a tranquilidade simples ser humilde e igual, de ser gente como qualquer gente, de poder acolher ideias e pessoas e admirá-las, sem comparações, críticas e azedumes...Preciso ir descobrindo a gostosura do com partilhar e substituir  a   disputa por cooperação, para sentir-me, realmente,  pertencendo nas relações!  Quero exercitar a gostosura do desfrutar, saboreando, com temperança, os prazeres da vida.

            Aqueles são alguns dos cadeados que nos atam à luta, ao vazio, à agonia. Essas são as chaves que podem abri-los e os ganhos que nos esperam, que a vida nos promete, se nos dispusermos a romper a inércia, a acomodação e usarmos, com boa vontade, de nossa “coragem  para mudar”. A aceitação de minha humanidade e a perseverança em libertá-la para patamares sempre melhores, me traz serenidade e libera minha capacidade de amar.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

INSTRUIR E EDUCAR


           Estamos acostumados a pensar nestes verbos em relação ao Outro – nós atuando sobre os outros. Mas, primeiro é importante pensá-los em relação a nós mesmos, porque tudo começa EM MIM!

            Instruir – Vivemos sob o jugo de um mundo racional, mental, egóico, onde somos instruídos para a luta, para competir por ganhos materiais e poder, para descobertas técnicas que requerem cada vez mais informação. Recebemos instruções desde que nascemos e aprendemos a valorizar tudo que possa nos abastecer de mais saberes, desde os mais simples/básicos até os mais sofisticados e eruditos. Aprendemos que quanto mais e demais “saberes” e especializações tivermos, mais seremos valorizados, teremos mais prestígio, bens materiais...  Seremos, talvez, até “amados”!  E nesse mundo tão materialista é o que parece contar. Vivemos a era da informação/instrução porque esse é o caminho que nos mantém mais aptos a “vencer na vida”!

            Esse caminho da instrução tem uma direção que vem de fora (do mundo) para dentro de mim. “Aprenda”, repita, memorize, enriqueça-se com mais técnica, mais novas informações, destaque-se, vença, seja mais, saiba mais, tente mais... tente até ser feliz! Tudo se inicia na família(com “papos” unilaterais e corridos de instrução), continua “mais formal” na Escola, pela TV, nas Igrejas, nas Empresas, nas Especializações... No entanto, atenção! Somente, e tanta, instrução acaba por criar “linhas de produção” de saberes, adestrando nossos pensamentos e comportamentos, ignorando nossos sentimentos, bloqueando nossa criatividade, fragmentando nosso olhar e percepção em infinitas especializações, querendo talvez transformar-nos em super homens, mas tão pouco humanizados, num mundo tão sofisticado, desamoroso, frio, violento... 

            Educar – tem uma direção contrária. É levar para fora as minhas potencialidades e compartilhá-las com o mundo, com ética/respeito e verdade... Para isso preciso primeiro conhecê-las e às minhas dificuldades internas que as entravam.  Educar a mim mesma é ter uma atenção amorosa comigo, valorizando quem sou e, com paciência, ir modificando as distorções agressivas-defensivas do meu ego arrogante e competitivo. É buscar os valores éticos/espirituais que podem redirecionar, humanizar e trazer respeito amoroso à minha relação comigo mesma e com o mundo.

            A partir desse meu processo interior contínuo, posso entender que Educar  -  na Família, na Escola, na sociedade em geral, é ter disponibilidade para o processo do “descobrir-se” do outro, compartilhando experiências, estabelecendo e honrando com respeito os limites de cada um em suas interações com pessoas e situações.  Educar, assim, é valorizar nossa unicidade, nossa  individualidade, querendo realmente escutar suas ideias, seus sentimentos, respeitando suas possibilidades em cada fase de sua vida, sugerindo e trocando valores éticos para que possam   vivenciá-los no mundo material com toda a instrução que estiverem recebendo. Educar é ser o exemplo, um parâmetro, em nossa interação, de auto cuidado, o que certamente favorecerá a construção de sua auto estima.

            A instrução nos traz saber, mas somente sua utilização com a  ética que é trazida pela Educação poderá nos levar a sermos mais responsáveis, respeitosos, amorosos, mais aptos a utilizar tanta informação de modo a sermos mais felizes. Tanto a Instrução como  a Educação fazem parte do desenvolvimento e da evolução humana. E elas precisam acontecer, sim, tanto na Família quanto na Escola e por consequência na Sociedade. Não adianta reconhecermos que nós mesmos recebemos mais instrução do que educação, porque, já então, restava à Família pouco tempo para se verem/ouvirem, presos que estavam todos ao sistema herdado de estudar o que mais que pudessem, trabalhar muito para ganhar muito e comprar muitas coisas uns para os outros, para terem poder e serem invejados e “respeitados”. Não adianta nos horrorizarmos com a violência de uma sociedade sem amor e valores, nutridos que fomos pela mídia materialista, abandonados que fomos num “jogo de empurra” entre a Família e a Escola! Todos reclamam e criticam, mas “Quem me Educa?”  

            Não posso mudar ninguém, nem esse Sistema equivocado que nos “engorda” de coisas e carências afetivas. Mas não quero eternizá-lo, nem passar adiante esse modelo. Só posso mudar a mim! Então, cabe a mim cuidar de mim, me educar e compartilhar – educando- levando aos outros o melhor de mim.