Aqui chegamos, numa viagem sem começo
conhecido, empurrados pelo medo, buscando, por instinto, sobreviver. Precisávamos
ser amados e valorizados, precisávamos
ser cuidados, precisávamos Pertencer! Aceitamos as regras do mundo egóico, suas
crenças e atitudes. Nesse contexto, movidos sempre pelo medo, armamos nossas defesas
e fizemos nossas escolhas.
O que devíamos aparentar, como agir e
reagir? Usar a força que não tinha, uma máscara que subjugasse e ameaçasse ou
mansidão subjugada, acomodada... O perigo dessas máscaras é que, aos outros e a
nós mesmos, acabávamos muitas vezes por acreditar nelas, perdendo o contacto
conosco mesmos...
A máscara da luta nos levou a buscar
o domínio sobre os outros, no mundo e nas nossas relações. Tornamo-nos
orgulhosos, vaidosos, porque acreditamos que somos melhores, que sabemos mais,
que devemos e podemos decidir pelos outros, por suas vidas e suas escolhas.
Orgulhosos, invadimos a liberdade dos outros, de forma egoísta, mesmo quando m
nome do amor, para salvá-los
A outra máscara de defesa em meio a
tantas lutas é a da entrega forçada para não brigar. Parecemos mansos e cordatos,
mas muitas vezes à custa de nós mesmos, engolindo sonhos, desejos,
sentimentos...engolindo raivas, invejas, dores dessa traição ao Ser que somos.
Sob tantas máscaras de defesa e
ataque, não temos sido livres e felizes, mas o
decorrer da vida, as experiências de ganhar e perder, os fracassos e vitórias,
as ilusões e desilusões, as novas escolhas e renúncias, vão nos dando a
dimensão de quem realmente somos e do que queremos, vamos nos conhecendo e
aprendendo a nos respeitar e amar... Pertencemos ao mundo, mas esse
pertencimento já não é mais importante do que a pessoa única que Sou! E o respeito que aprendo comigo já inclui também
o respeito aos outros! Queremos ir além da sobrevida apenas animal e material,
queremos uma vida mais rica com aceitação e paz! Já não somos pobres criaturas
arremessadas nesse mundo, lutando para sobreviver e dominar. Estamos
continuando nossa caminhada evolutiva, buscando nos nutrir com experiências
espirituais, com alegrias outras de partilha, compaixão, amizade, solidariedade,
gentileza... É isso!
