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terça-feira, 12 de maio de 2020

COMPANHEIRISMO NO ISOLAMENTO



À princípio, passamos uns pelos outros pelos dias, pela vida...  Em família, no trabalho, na rua, em quaisquer circunstâncias.  Em Família, criamos vínculos de sangue, de paixão; vínculos mais duradouros, mais fortes, de amor, ou não. Estabelecemos parcerias com o casamento, com os filhos e com outros familiares e amigos mais próximos. Sentimo-nos leais, cooperamos, curtimos juntos festas, visitas, passeios e sofremos perdas, doenças...

Mas, as situações de grande crise, põem à prova nossos vínculos mais queridos. Muitas vezes, a lealdade, a alegria e a parceria se partem sob várias pressões, opiniões, decisões alheias à nós.... O grupo se parte e vemo-nos isolados com alguns que ficaram.

Nesses tempos estranhos de confinamento forçado pela  ameaça à própria sobrevivência, vimo-nos muitas vezes isolados em parcerias queridas, mas   nem sempre escolhidas para esse  árduo desafio do isolamento. À princípio, curtimos, mas depois vamos nos descobrindo mais profundamente em hábitos, desejos, atitudes diferentes do cotidiano social... E vêm os momentos de irritação, raiva, estranhamento com os “folgados”, com os que pouco cooperam, com suas neuras ...mesmo nas relações mais próximas.

Nesse estágio do confinamento podemos escolher nos debater, acusar, brigar, silenciar e ignorar uns aos outros, nos condenando à uma prisão agoniada e zangada ou depor armas e aceitar esse outro que só agora estamos descobrindo em profundidade com seus medos, sua aparência mais descuidada, suas vaidades mais esquecidas, seus defeitos tão humanos...

Nada é por acaso! Por que estamos aqui, juntos e confinados? O que a vida quer nos fazer descobrir na relação com essas pessoas?  Continuaremos apenas nos relacionando de modo “familiar”?   Se escolhermos a paz, iremos aos poucos aprendendo a ser parceiros com a igualdade que nasce da dependência mútua. Com pequenas gentilezas, pequenas tarefas em conjunto, medos compartilhados, paciência bem humorada... iremos usufruindo de uma nova parceria, cheia de cumplicidade e camaradagem de companheiros renovados sob nosso olhar.

terça-feira, 5 de maio de 2020

RENDIÇÃO E ENTREGA



Caminhamos num universo mutante, impermanente, infinito, incompreensível à nossa mente humana. Caminhamos arrogantes, mas também muito medrosos, assombrados, assustados com os fatos da vida que confrontam nossa impotência e pequenez ante as decisões e criações de um Poder Maior.  Somos impotentes ante os homens (sua vida, atitudes e morte) e as outras forças dessa natureza da qual fazemos parte . 

         Tentamos continuamente controlar uns aos outros, as atitudes, as ideias, as escolhas... Tentamos prever e controlar os desastres  naturais, (inclusive os biológicos-(doenças, epidemias, pandemias). Assustados, quando nos sentimos ameaçados, lutamos muito até reconhecer nossa impotência. Usamos o estudo e as pesquisas da ciência, as promessas nas religiões...  Sentimos medo, raiva, incompreensão, ressentimento... Brigamos, nos acusamos, nos aproximamos... até nos rendermos. 

         Como tudo na vida, a rendição é um processo. Nesse processo, tão necessário ao nosso descobrimento e crescimento, vamos nos libertando das “certezas” vaidosas e soberbas; vamos nos aproximando e aceitando a humanidade uns dos outros; vamos tendo o vislumbre de nossa pequenez humana e sentindo nosso pertencimento a um Poder Maior de Amor e Cuidados, que nos acolhe e fortalece.

           Vamos, então, experimentando a humildade e nos tornando mais simples. Fortalecidos e íntimos desse Poder Amoroso, sentimo-nos mais confiantes de que em tudo há um bom propósito de crescimento e mais confiantes de que somos cuidados e amados. Assim, vamos nos Soltando das tentativas desesperadas de controle e, mais apaziguados, vamos aprendendo a nos Entregar a Deus.    É assim!   

quarta-feira, 29 de abril de 2020

E EU ? COMO ESTOU ?



        Tudo é movimento e mudança à minha volta! Mesmo “isolados”, estamos envolvidos pelo mundo à nossa volta! Mesmo longe, ansiamos pelo mundo, buscamos notícias, damos palpites, julgamos, tentamos orientar e controlar. Mas, notícias, novidades, nos assustam, porque sacodem nosso mundo interior. Detonam, ainda mais, nossos medos, derrubam ou reativam expectativas, lembranças, revolvem nossos sentimentos... 

         Nossa “zona de conforto”, mesmo quando estamos em meio a dificuldades, é a zona interior onde tudo está arrumado ao nosso modo. Mexer nela é criar turbilhões em nossos pensamentos e sentimentos. Esses turbilhões são as mudanças, que nos empurram para o objetivo da vida: Crescer! Confortavelmente estagnados, cheios de certezas, tudo “arrumado”, aí ficaríamos acomodados. (mas a Preguiça, “pecado capital” assim alimentado, é nociva, porque nos leva à paralização, à morte)...

         Nossas relações com o mundo é que vão nos sacudir e chamar para a vida – a vida interior. O mundo roda, mudam as pessoas à nossa volta, as pessoas mudam, mudam nossas percepções sobre as pessoas e as percepções delas sobre nós. Tudo muda como num caleidoscópio incrível, de movimento incessante.  Mas, o que importa é – E EU ? Como estou , nesses descobrimentos...  

         Não quero me perder de vista! Nas relações mais próximas, mais íntimas (ou não), quando sou confrontada em minha “zona de conforto”,  preciso observar os meus sentimentos,  aqueles que afloram: susto, raiva, incredulidade, desencanto, mágoa, medo...  E o que acredito ser o mais importante: Por que tenho esses sentimentos em resposta às atitudes dos outros, próximos ou não? Esses sentimentos vieram de quais crenças ou certezas, de quais fantasias ou desejos, em resposta a quais carências afetivas minhas? 

         O mundo continuará a rodar, as pessoas a mudar... e eu também, nesse movimento incessante e transformador. É importante desistir de ficar olhando, julgando, chorando e brigando com o que se passa fora de mim. Preciso, sim, estar atenta a mim, tentar me entender, entender a raiz dos meus sentimentos, crenças e fantasias, antes e agora, para não ficar perdida, desorientada, como uma folha na tempestade. 

         Pessoas são pessoas, em constante construção e transformação. Em casa, ou no mundo maior, quero amá-las com lucidez, “desamá-las” com tristeza (sem mágoa), diluindo minha raiva infantil e, principalmente, cuidando e olhando para mim mesma.