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terça-feira, 9 de junho de 2020

VÍTIMAS



           Ao longo de nossa vida, muitas vezes nos sentimos como vítimas, nas relações ou da vida. É interessante notarmos se isso acontece em algumas situações eventuais ou se nos vemos sempre assim.  Vítimas sentem-se prejudicadas e reagem conforme seus temperamentos.  

         Existem as vítimas raivosas. Elas se vêm sempre prejudicadas nas relações e reagem com  muita raiva, com cobranças... porque  não lhes fizeram a vontade, não entenderam ou não aceitaram suas ideias, não lhes  dão o devido valor!   

        Existem as vítimas eternamente magoadas, lacrimosas, “emburradas”, de “pele fina”, “delicadas”, esperando muito (dos filhos, companheiros, amigos...) e achando que não recebem tudo o que merecem...

        Existem as vítimas levemente ofendidas, surpresas, por não lhes darem o valor e tudo o mais que elas se acham merecedoras. Afinal, elas se vêm mais “especiais”! 

       Existem as vítimas “humildes”, humilhadas, sempre sofridas, querendo “colo” ou piedade, exalando culpas a todos em volta, subentendendo culpados... 
      Existem as vítimas das “injustiças” da vida, invejosas dos que recebem tudo que deveria ser delas...

      Existem vítimas de muitas nuances, de muitos porquês. Toda vítima quer amor, atenção, valorização, mas emana uma energia pesada e só consegue incomodar, irritar, afastar... Usam sua “vitimação” para manipular pela “pena”, pelo medo de desentendimentos, pela “culpa” dos mais felizes, pelos cuidados exagerados que exigem dos outros...  Elas cansam!!!

       Quantas vezes nos sentimos neste papel ? Foi apenas um momento ou nos acomodamos nessa visão torta, equivocada e adoecida ? É importante nos vermos em nosso interior e em nossa relações para sairmos desse triste papel, ou para não cairmos nele! É  importante usarmos nosso poder para construirmos uma nova auto imagem, para deixarmos esses clichês pesados, para sermos mais livres. Afinal, “vítimas não se recuperam”, nem recuperam suas relações.

terça-feira, 2 de junho de 2020

A G R E S S I V I D A D E




           A Agressividade é a resposta que damos ao medo que acompanha sempre a nossa insegurança. É uma resposta instintiva, biológica, de “animal” ameaçado. Ela se apresenta revestida pela raiva, pela ironia, pela ameaça física ou psicológica mas, embora aparente força, com ameaças, gritos, “rosnados, indiferença, ela esconde sempre o medo.

Ficamos agressivos e ciumentos quando nos sentimos ameaçados de ser preteridos, de perder nossos “objetos” queridos/amados de posse  (companheiros, filhos, pais, amigos...) Ficamos agressivos com as crianças, com aqueles que nos amam, com os subalternos, quando vemos ameaçado nosso “poder” sobre eles. Ficamos agressivos quando nos vemos ameaçados de perder a razão em qualquer disputa, de perder nossa valorização como  vencedores e donos da verdade. 

          Nossa vaidade, nossa arrogância, nossa soberba, nossa onipotência, nossa manipulação, são sempre atitudes agressivas, controladoras dos outros, tentativas de demonstrar superioridade. Também nossas críticas e constantes reclamações, elas escondem o medo de nos descobrirem iguais, ou até menores, dentro dos grupos aos quais pertencemos...

         A Agressividade de nosso mau humor constante, é reveladora de nosso medo e desconforto nas relações. Elas servem como aviso de que quero distância, porque algo está me amedrontando, assustando ou incomodando, algo que estou sem coragem de comunicar e modificar. E então, como nossos “primos” animais, rosnamos, mostramos os dentes...  

        Somos agressivos em nossa apatia, em nosso tédio, com a vida e em nossas relações. Temos medo do vazio doloroso de uma vida sem propósito, nos sentimos confusos e perdidos e culpamos e atacamos os outros...  Somos, também, agressivos em nossos pensamentos, quando remoemos situações e fantasias que reforcem nossos medos e raivas. 

Muitas vezes não nos damos conta desses medos e apenas reagimos, instintivamente, agressivamente, lançando-nos em brigas e lutas dolorosas, afastando e machucando relacionamentos, esnobando possíveis amizades... Precisamos, cada vez mais, ter atenção com nossas atitudes agressivas e uma escuta cuidadosa dos medos que as originam. Não precisamos ser controladores e carrascos de nós mesmos, mas, apenas nos entender, conhecer nossos medos, para podermos modificar nossos comportamentos agressivos.  


terça-feira, 26 de maio de 2020

A TORTURA DO MEDO



          Como crianças fascinadas e hipnotizadas por histórias de terror, seguimos ouvindo e compartilhando notícias ou previsões terríveis, que nos lançam em caminhos desesperados, sem saída...  Nossa mente é que comanda as emoções e o corpo e ela, muitas vezes, fica desgovernada, solta, à deriva ou obcecada,  assombrada, com visões de um futuro certamente doloroso. 

          O medo, então, nos invade e aprisiona. Ele não para, não diminui, sempre alimentado por pensamentos alarmantes, repetitivos, distorcidos. Quaisquer fatos simples e corriqueiros transformam-se em sinais de tempestades futuras. Se alguém sai, talvez não volte! Talvez seja a última vez que nos vejamos! Um pigarro, um espirro, uma tosse, talvez seja a terrível pneumonia! Uma criança febril, talvez seja o início uma doença fatal! Um filho calado e “na dele”, talvez seja o prenúncio de uma recaída...  Só pensamos o pior, convivemos com o pior e temos muito medo de atrair o pior! O medo nos açoita todo o tempo! Temos medo do nosso medo e do medo dos mais queridos! Queremos fugir, queremos uma saída!

 Nosso corpo, despertado pelo medo, prepara-se para uma possível luta futura e nos inunda, no presente, de adrenalina. E essa adrenalina fica no corpo, retida, querendo uma resposta, criando um campo de luta interno, nos agredindo, nos adoecendo, nos matando, sob esse stress contínuo.

Como nos livrar desse carrasco invisível, mental, que nos lança hoje no horror de um possível e terrível futuro? Somos seres espirituais, e nossa liberdade de seres sagrados, reside em nossa dimensão mental mais alta. Preciso cuidar dela, defendê-la de influências externas que me infundam pensamentos nocivos (noticiários, fofocas, “novidades”, filmes, estatísticas fúnebres...)  Preciso estar atenta a ela, preciso afastá-la dos desvios irreais do futuro, preciso mantê-la, ocupá-la positivamente na realidade do Agora, onde reside o meu poder.  E quando estiver difícil, pedirei socorro e reforço a um Sereno e Amoroso Poder Maior, sempre à minha disposição para me acalmar, me tranquilizar...