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terça-feira, 15 de setembro de 2020

MAYA - A ILUSÃO

 


        Estamos vivendo envoltos em Maya, a ilusão, num mundo “real”, aparentemente concreto, material. Na verdade, num universo de pura energia pulsante, onde tudo é mutante e temporário, nos agarramos à ilusão do que vemos de concreto no mundo material. Isso nos dá segurança e conforto, embora nos mantenha à margem e entendimento de nossas outras dimensões, além daquela de nossos corpos físicos.        

Hoje já começamos a ter a percepção de nossos corpos emocional e mental. Mas ainda nos escapa quase totalmente a percepção e importância de nossa dimensão espiritual, nossa principal ligação com o Infinito, com um Poder Superior de onde tudo emana e de onde, afinal, nos originamos. Sofremos de uma “amnésia espiritual” !  

 Vagamos, então, sofridos, revoltados e assustados, nesse “vale de lágrimas” ou nos apegamos desesperadamente aos bens materiais, que, acreditamos, nos trarão, finalmente, alívio das dores ou o conforto para lidarmos com elas. Buscamos assim também, ainda com maior afinco, riquezas e bens que massageiem nosso ego, reforçando nosso orgulho e vaidade com situações de prestígio e poder. Elas nos trazem a promessa enganosa de prazer contínuo e nos fazem sentir acima dos problemas e dos outros.

Mas, num mundo transitório e passageiro, tudo passa. Tudo é Maya, pura ilusão. Tudo a que nos agarramos (pessoas, coisas, sucesso, prestígio, poder...) está passando e não consegue saciar nossa fome de algo maior e diferente, porque somos seres originalmente espirituais, precisamos de nutrição espiritual. Precisamos vivenciar, trazer para nossos momentos o Amor sob todas as suas formas - de aceitação, de compaixão, de companheirismo, de verdade, do carinho, da ternura, da igualdade, da disponibilidade, do respeito, da humildade, da simplicidade...

Esses são os valores eternos e sagrados, que podem nos nutrir como seres espirituais. Só eles têm o poder de nos fortalecer, nos transformar, de nos fazer florescer, e de preencher nossa fome de alegria e felicidade. Tudo mais é Maya, pura ilusão passageira...  

 

 

 

terça-feira, 8 de setembro de 2020

“CERTEZAS” EQUIVOCADAS

 


          O desejo de ser feliz nos persegue (ou perseguimos ele) e por esse desejo fugimos, todos, da dor das perdas e ansiamos pelo prazer e pela alegria.

           Nas relações amorosas em Família, aprendemos “verdades”, que nos servem de base para a busca dessa felicidade. O que nela ouvimos nos prepara para formarmos crenças e “certezas”, muitas vezes delirantes, fantasiosas, equivocadas! Algumas “certezas” vamos perdendo dolorosamente nos confrontos com a realidade da vida, embora com um custo emocional menor do que as “certezas” que envolvem nossas relações amorosas mais básicas, mais intensas.

          A dependência física e emocional que temos no início de nossas vidas nos fazem criar laços de amor/apegado, aumentando ainda mais a força dessas certezas. Acreditamos, e temos mesmo a “certeza”, que nossos pais sabem tudo, que são justos e imparciais, que não irão falhar, errar...  Acreditamos também que nossos pequenos filhos, tão dependentes e amorosos, jamais nos trocarão ou abandonarão, jamais serão “ingratos” com os pais que tanto os amam... E na fase adulta, quando descobrimos o amor/paixão, descobrimos, também, a “certeza” que esse  amor jamais acabará, jamais arrefecerá...

        Temos a “certeza” de que a fidelidade desses laços jamais passará, que tudo se manterá inalterado, que todos estaremos congelados nesse modo de amar e acreditar. Mas o tempo nos arrasta, nos amassa, nos modifica a todos, num eterno moldar... O amor permanece, mas nós, os amorosos e amantes, nos modificamos e modificamos nosso modo de amar e ser amado. As certezas fantasiosas vão se enquadrando nas possibilidades de nossa humanidade  

          Parece tão lógico, mas como é doloroso ser confrontado com a perda das ilusões infantis e juvenis e ver nossas expectativas ruírem ante o absurdo de nossas “certezas equivocadas”. Amamos pessoas em constante transformações e não seres imutáveis, congelados nos retratos, sorridentes e alegres, das nossas fantasias!

          Nossos pais não eram super heróis, mas por isso mesmo, foram ainda mais incríveis...  Nossos filhos, adoráveis meninos perdidos de nós pelo tempo, estão para sempre nos oferecendo a possibilidade de amar, de forma diferente... Nossos amantes apaixonados não conseguiram manter inalterados os nossos sonhos dourados (nem nós os deles!), mas estão, como nós, aprendendo a amar para além da paixão.

         Num Universo em constante transformação fica como única “certeza certa”, um Poder Maior Amoroso Perfeito e Imutável. Todas as mais “verdades” são crenças e percepções humanas, falíveis... São certezas mutantes, que vamos descobrindo e transformando conforme crescemos e evoluímos.

 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

A MULHER E O CUIDAR

 


      Desde o início, a natureza entregou à mulher a função de garantir a sobrevivência física da espécie. A ela foi designado o gestar, o proteger e o cuidar das crias da espécie, machos ou fêmeas, homens e mulheres. Através dos tempos essa função primeira perdurou e a mulher estabeleceu-se como cuidadora.

      Cuidava do conforto físico, da alimentação... Como somos seres mais complexos, espirituais, cuidava de dar carinho e amor, necessidades emocionais tão básicas ao nosso desenvolvimento quanto as físicas ... E para melhor cuidar desses seres em evolução psicológica/mental, começou a ensinar as regras, as crenças e os valores da Família e do grupo social maior.

      Nesse cuidar e proteger do mundo e da dor, a Mulher  tornou-se controladora, invasiva, até às vezes, desesperada... Como dedicou sua vida a esse cuidar dos outros, desenvolveu apego a seus amores, que um dia partiriam e a deixariam no vazio e sem ter de quem cuidar!  Esse é o Cuidar que aprendemos, reclamamos, mas, afinal, também cobramos da Mulher.

      Mas a Vida não pára e tudo se transforma nesse universo em constante mudança e evolução. A Mulher, sempre buscando desempenhar melhor seu papel de Cuidadora entendeu, afinal, que precisa aprender a cuidar primeiro de si mesma, entender melhor quem ela é, do que precisa efetivamente, cuidar com carinho de si mesma, aprender a viver até em solidão, descobrir seus medos, reconhecer acertos e desacertos, vislumbrar novos caminhos e gostos, para crescer, para ser cada vez mais livre...

      Precisa, então, levar esse entendimento à sua nova tarefa de Cuidar, evitando que seus antigos cuidados se transformem em cobranças (silenciosas, ou não), que abafem suas crias e seus amores, que sufoquem suas possibilidades, ensinando-os a caminharem sozinhos sem a necessidade eterna da “antiga mulher cuidadora”, ensinando-os a serem, agora, parceiros(homens e mulheres) na família e na sociedade.     

      Esse é o novo Cuidar da nova Mulher, mas, atenção, seu maior desafio será o desaprender dos antigos papéis, do antigo cuidar !