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terça-feira, 1 de junho de 2021

EU QUERIA APENAS AMAR ...

 


         Queria amar sem a agonia de possuir, de guardar, de ter que dirigir, orientar, salvar, resgatar... Amar sem o medo constante de perder, medo do abandono, da rejeição, do desamor!

Queria amar sem carregar mágoas, ressentimentos, raivas... Sem chorar o que foi perdido e o que não foi bastante aproveitado... Amar sem a culpa de não ter amado o bastante, de ter falhado no amor...

Queria amar sem julgar, sem condenar, sem recriminar, sem me mostrar melhor ou superior... Amar com aceitação das nossas diferenças, amar com a curiosidade simples das crianças!

Queria  amar quem eu sou; queria perdoar quem fui, quem eu, apenas, consegui ser... queria me amar com abertura e entusiasmo, com as possibilidades únicas do ser que eu sou!

Queria amar sem passado, sem futuro – amar só no agora, aproveitando a chance de viver, apreciando, seguindo, me deslumbrando com a vida e suas eternas possibilidades...

Contudo, como é difícil apenas amar! Aprendi a amar com competição, com comparação, com medo, com luta, com possessividade, com obrigações, cobranças, com mentiras, desconfianças...  Por tudo isso, aprendi que amar é sofrer!                             

Mas estou acreditando, hoje, que a vida é um eterno aprendizado, ou reaprendizado de Amar – simples, sem regras, sem obrigações, sem complicações...   Amar é apenas estar junto “presencial ou virtual”, no pensamento, no sentimento, na lembrança alegre, sorrindo junto, até quase fisicamente nos tocar... É apenas sentir, ou “dizer” do amor com carinho, quase sufocando de emoção com   tanta ternura; é descobrir a imensa alegria de estarmos/sermos para sempre unidos nessa aventura humana a caminho do Melhor, sem lugar, sem hora, sem prazo, sem tempo... 

Um dia de cada vez, um momento de cada vez, quero estar com abertura e atenção para esse novo modo de amar, porque Amar assim é bom demais!



terça-feira, 25 de maio de 2021

ACUMULADORES

 


           Assistimos, assombrados, casos de pessoas que acumulam quantidades absurdas de coisas e acabam prisioneiras em suas próprias casas!  Em nosso processo de auto descoberta, vale a pena observarmos: Quanto de acumulador eu me tornei?

           Acumular é a necessidade de segurar o que nos encanta (e até o que nos machuca), de se apegar não só a coisas, mas também a pessoas, animais, lembranças, sentimentos, ideias, crenças, posições... que vão se acumulando em nós, em nossas vidas. Esse apego acumulado vai tomando todo o espaço em nós, nos paralisa para a vida e tornamo-nos aprisionados, carcereiros que nos tornamos de nossos apegos, materiais ou não.

           Existem os acumuladores de lembranças, boas ou dolorosas, que os prendem totalmente ao passado. O tempo passa, pessoas e situações mudam, mas eles respondem à vida totalmente presos ao passado, vivendo  um “sonho dourado” irreal ou são acumuladores de raivas, frustrações decepções, desconfianças, que os fecham para possíveis alegrias e amores...            Outros, presos em sonhos a realizar, mas nunca buscados, não ousados, ou em ideias não testadas, eternos visionários.

           Todo esse acúmulo de possibilidades e vidas não vividas, muitas vezes, explode de encontro a situações inesperadas e os lança num terrível vazio! E agora? Como viver sem tudo que era “meu”? Dói muito, mas pode ser a chance de “sair do ponto morto” e finalmente se libertar, reaprendendo um novo viver.  A saída para estar no processo de ir desapegando pode estar no descobrir-se e, compartilhando, aprender um novo modo de ser/ estar no presente, com novas crenças e comportamentos, preenchendo nossos vazios... 

             Acumular é uma forma medrosa, desconfiada, carente e egoísta de lidar com a vida. É um eterno medo de faltar... Libertando-nos e libertando coisas, pessoas, sentimentos, ideias... desapegando, podemos caminhar mais leves e mais livres! 



terça-feira, 18 de maio de 2021

DO ERRO AO PERDÂO

 Os erros alheios são mais facilmente reconhecidos e até perdoados. Difícil, mesmo, é admitirmos e perdoarmos os nossos próprios erros. Como tudo mais, todo esse caminho em nós, é um processo longo...

A princípio, e durante muito tempo, negamos que houvesse erro em nossas atitudes, em nossos sentimentos e em nossos pensamentos. Ao nosso ego tudo parecia se explicar: a permissividade egoísta de nossa época, nossas “novas” crenças, a antiga dificuldade de lidar com a dor e o medo, a força de nossos desejos/carências...  Tudo nos era permitido, tudo ainda eram flores!  

Nesse processo, negamos, e depois, nos aprofundamos ainda mais nos erros para fugir das consequências das primeiras escolhas. E tentávamos justificar a agonia, quando  esta começava a nos oprimir, com a nossa própria agonia e necessidades.

Como não somos/estamos sozinhos, acabamos por carregar o peso da dor que já sentíamos e a dor que causamos à nossa volta! Nosso “ego egoísta” estava ficando sem saída; começava a ser confrontado com nossa Consciência Sagrada e as suas defesas começaram a cair... Havia explicação para tudo, mas não justificativas! Veio o Arrependimento, a Tristeza, o Remorso, a Vergonha, a Culpa, Reparações... e a Raiva voltada contra nós mesmos por termos falhado tanto.

Mas nosso ego, ainda atuante e duro, seco, impiedoso, amargo, passou a nos infligir dores constantes, numa auto punição que se eternizava a cada lembrança e não nos deixava o direito de seguir, de amar, de tentar ser feliz... “Não merecíamos, não havia perdão para nós”!  Nosso orgulho e vaidade ainda gritavam com nossa humilhação – podia haver perdão para os outros, mas não para nós, que acreditávamos ter que ser melhores! Continuávamos prisioneiros do passado! 

O Auto Perdão não nos chega através do racional; ele é a seiva que brota do coração, da nossa dimensão espiritual. Ele vive além do ego! Revendo nossa história, nosso coração amoroso precisa nos acolher com carinho e chorar conosco as nossas fraquezas, nossos erros. Ele entende, sem justificar os erros, a nossa humanidade.  Ele nos liberta para continuarmos, melhores, para caminharmos do erro ao aprendizado.  E essa é uma viagem que precisamos estar sempre empreendendo na vida: do ego à espiritualidade, do erro ao perdão. Esse é o sentido contínuo de nossa caminhada.

Tive muitos erros, alguns já reconhecidos, que me levaram a mudanças. Mas alguns, mais pesados, me assombram até hoje, com muita dor e culpa, quando “escorrego” para o passado.  Decidi não me permitir remoê-los, eternizando-os. Volto logo ao presente, procurando ser melhor e me apegar ao ganho maior que estou tendo nesse processo longo, doloroso, mas libertador– a Humildade..


terça-feira, 11 de maio de 2021

INTEGRIDADE


          Todos buscamos e apregoamos nossa integridade, nossa inteireza. No entanto, na verdade, sentimos que somos quebrados, desintegrados, como um jogo de armar infantil com peças que não se encaixam... Queremos armar o jogo da mesma forma que queremos, e precisamos, nos ver e entender inteiros, para dar um sentido, uma visão total, ao que somos. Mas parece que faltam peças ou simplesmente não conseguimos encaixá-las de forma correta! Os pedacinhos de nós, não estão verdadeiramente corretos! Tomam, a princípio, a forma que nos ensinavam as crenças, a educação, em nossos primeiros grupos familiares. Precisávamos aceitá-las e acreditar nelas, mesmo quando sentimos que não se encaixavam, mesmo quando nos constrangiam, nos forçavam... Afinal, precisávamos nos sentir amados e valorizados.

Pela mesma razão, fomos /vamos aceitando e nos modificando sob a pressão de outros grupos. Os pedacinhos físicos, emocionais, psicológicos, que nos compõem vão se modificando, tomando outros recortes e cores, buscando aparentar o que esperam de nós, mas nos distanciando cada vez mais de quem somos e da verdade que poderia nos dar inteireza e bem estar. Vamos abdicando de sonhos, ideias, sentimentos e verdades para nos enquadrar numa tela que não é nossa. Vivemos, em maior ou menor grau, de aparentar o que ainda não somos, porque é o que se quer (e é até o que queremos), porque é mais certo, mais bonito e aplaudido,,,  Mas não é, ainda, o que sou, o que posso!    Buscamos uma beleza que, ainda, não é nossa, sentimos isso!  As peças ainda estão embaralhadas, com pinturas falsas, com formas adulteradas...

Cada pedacinho precisa ir sendo, primeiro, conhecido realmente por mim, depois lapidado e aceito em sua cor natural... Mesmo relutando, a princípio, com vergonha, medo e dor, acabo por respeitar e amar o modo de ser dessas peças únicas de quem Sou. Começo a ter coragem e uma necessidade de demonstrar quem sou, do jeito que fui, do jeito que sou. “E a Verdade vos libertará...”

          O quadro que eu temia ser feio e desvalorizado agora vai- se revelando inteiro, integro, original, porque é verdadeiro...  Cada vez mais, existe uma coerência entre o que penso, o que sinto, falo e como ajo. Cada vez mais, transpiro no mundo quem realmente sou, só por hoje... Isso é Integridade! 


terça-feira, 4 de maio de 2021

AQUELES QUE NÃO VOS CONHECEM

 


        Uma antiga oração suplica piedade para “aqueles que Vos não conhecem”. Não conhecem a quem? A que?

        Eles ainda não conhecem a Alegria de estar vivenciando o Amor de um Poder Maior. Amor, conforto e Alegria que só Ele pode nos trazer.

        Piedade para aqueles que ainda são totalmente reféns do ego e de sua materialidade. Para aqueles que, insensíveis e egoístas, não conhecem a alegria simples do compartilhar, só a busca de Satisfação de seu ego, eternamente faminto de Mundo, das posses e possibilidades que vêm dele... Para aqueles que buscam, por quaisquer meios, enganando e oprimindo, mais posses e poderes; que buscam desesperadamente status/sucesso que lhes garanta superioridade ante os submissos deslumbrados; que buscam sempre o poder sobre os subjugados, poder que lhes afaste o medo da igualdade.

        Piedade, porque, por não desfrutarem da Alegria de Vos conhecer e ao Amor, vivem uma agonia sem fim, uma ânsia sempre crescente, um “quero mais”, que não sacia essa fome; vivem essa agonia pelo medo contínuo de perder qualquer tipo de posse e poder; são escravos da luta constante pela necessidade de dominar e escravizar...Na verdade, no meio de todo brilho, eles se debatem (ainda) numa longa escuridão, perdidos, insatisfeitos, invejosos, agressivos, raivosos...  Eles vivem sem ser amados e são execrados pela sociedade em geral. Eles estão em todas as classes sociais, nas favelas, nas disputas pelos governos das nações, nas igrejas, nas famílias, nos escritórios... em todos os grupos humanos!  Eles são os que, ainda, não VOS conhecem! 

        E nós? Estamos vivendo um desafio entre nossa humanidade material e nossa origem sagrada, espiritual. Precisamos atender aos apelos pela satisfação de nosso corpo e ego, ainda humanos, mas sem “abrir mão” de nossa nutrição espiritual. Nós já provamos e conhecemos a Alegria sentida ao vivenciar as faces do Teu Amor Maior – o compartilhar, a generosidade, o perdão, a verdade, a humildade na igualdade, a eterna alegria do respeito em viver e deixar viver com liberdade...   Mas, o quanto em nós ainda desfrutamos pouco dessa Alegria Maior? Quanto em nós ainda se deixa dominar por essa fome eterna do ego? Quanto em nós ainda busca o gozo nas pequenas satisfações mesquinhas pela derrota de quem nos fez mal- “Bem feito!”? Quanto em nós ainda se agarra/apega à posse tirânica de coisas e pessoas, à busca de poder e status em todos os momentos, em todas as relações?

        Para aqueles que já Vos conhecem, que já provaram a Alegria dessas muitas faces do teu Amor Maior, as satisfações do ego serão cada vez mais sem sentido... Aos outros, aos que ainda não Vos conhecem, resta Tua/nossa Piedade!



terça-feira, 27 de abril de 2021

APRENDENDO A ESCUTAR

 


       Como é difícil escutar! Como é difícil estar, realmente, aberto e interessado em escutar os outros! Fui condicionada a estar atenta ao que era dito pelos outros, mas, mesmo assim,  para passar pelo meu “filtro” de conceitos, preconceitos, interesses... E atenta para rebater notícias e ideias que não fossem “aceitáveis”. Minha escuta estava a serviço das minhas razões, do meu ego defensivo e combativo. E isso alimentava minhas lutas, minhas dores da impotência e me levava, muitas vezes, a desistir e a me desligar das pessoas .

Afinal estou entendendo que o aprendizado da Escuta aberta, confiável, amiga, precisa começar em mim, com uma Escuta Interior! É um exercício contínuo, porque não estou acostumada, porque é a escuta de meus sentimentos, das minhas reações emocionais em minhas relações e aos fatos do mundo, aos meus pensamentos, que eu mesma crio... É uma realidade nova, onde me confundo, me assusto, com as motivações dessa pessoa interior que ainda nem conheço!

A princípio, reajo com medo, como se me sentisse ameaçado por mim mesmo, pela quebra da imagem que criei de mim e passei ao mundo, pelas crenças que tinha de mim... Reajo com justificativas e desculpas internas para não ter que aceitar o que estou descobrindo de “mal” em mim – crueldade, mesquinharias, covardia, soberba, vaidade, traição, acomodação, omissão...   Mas, atenção! Essa Escuta precisa ser um aprendizado muito amoroso, gentil e carinhoso com minha humanidade! Preciso ir transformando o medo, a repulsa, a censura fechada, a humilhação, em simples Aceitação, com curiosidade, às vezes tristeza , mas até com bom humor!

Escutar, dia a dia, com honestidade e coragem cada vez maiores, os meus “porquês” me leva à descoberta mais aprofundada de quem sou; me leva a um entendimento melhor de minha história. Aos poucos, começo a identificar e a Escutar, também, anseios que vêm de uma dimensão acima do ego e cabe a mim fortalecê-los e nutri-los - Verdade, Coragem, Generosidade, Justiça, Liberdade...

 Esse caminhar interior cria uma intimidade amorosa com minha humanidade e me faz Escutar o Outro de modo mais  compreensivo, sensível, atencioso e generoso com a humanidade dele. É assim! O caminho sempre se faz de mim para o Outro!


terça-feira, 20 de abril de 2021

COM FIRMEZA E SIMPLICIDADE

 


                Quero manter-me firme em meu Bom Propósito, na caminhada pela liberdade e felicidade. No entanto, muitos são os momentos em que vou ficar confuso e tentado a me distrair desse propósito. Novas situações, velhas crenças e vínculos adoecidos, são muito fortes, nos trazem dúvidas e podem nos “amolecer”... 

                 Nas relações, somos desviados de nossas decisões tão duramente tomadas, pelos medos, pela ansiedade, pela acomodação, pelos questionamentos das culpas, pela nossa soberba e vaidade em achar que já sabemos e podemos tudo... Também podemos nos desviar de nossas decisões, quando achamos que podemos facilitar e nos deixamos manipular pelos interesses de outros ou quando decidimos complicar e querer controlar...   Desvios trazem contínuas dúvidas, que nos enfraquecem e às nossas decisões e nos fazem perder o foco de nós mesmos, de nosso Bom Propósito inicial.  

                Decisões sobre nós mesmos são difíceis, porque aprendemos, equivocadamente, que devermos tomar decisões sobre os outros, como controlá-los e direcioná-los. Nosso foco sempre foi externo. Agora estamos tomando decisões sobre nós mesmos, sobre os nossos limites, sobre o que aceitamos ou não aceitamos... Sobre as dificuldades maiores com os nossos desvios de vontade e caráter, que, agora entendemos, nos aprisionam... Como é difícil deixar hábitos, compulsões, dependências físicas, emocionais,  psicológicas, que eram a base de nosso caminhar! Mas, chega o momento da decisão, um momento de solidão, onde entendemos que a responsabilidade sobre nossa felicidade agora é nossa!

     É um novo aprendizado – aprender a ser simples, honesto, flexível, mas Firme em minhas decisões e porpósitos. Simples, sem complicar, honesto,  apoioado na Verdade, flexível – com abertura, entendimento, perdão, mas ao fim, Firme na Decisão.

    Digo a mim mesmo: Seja simples, seja puro, seja firme! Mantenha o foco em si, na certeza do que não pode com o Outro, na certeza do que pode com você, na certeza do amor, companheirismo e força dos que também buscam como você, na certeza do seu Bom Propósito, na certeza da força que sempre receberá de sua Matriz Sagrada, de seu Deus.

Seja Simples para poder ser Firme! Não complique para não se distrair ou desviar! Mantenha-se firme!