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domingo, 16 de janeiro de 2022

O AMOR ACEITA E ESPERA

 


         O Amor  espera pelo tempo de cada um de nós! É preciso esperar para que nós possamos nos encontrar e, realmente,  desfrutar a gostosura do Amar....Mas, o grande desafio a esse Amor maior, é que temos pressa! Não queremos e não sabemos esperar! E não aceitamos nada diferente do desejado.

Amamos o Outro com a agonia de quem quer saborear o fruto sem esperar o tempo que amadurece... Amamos com a possessividade medrosa que aprisiona, que vigia, cuida,  cobra... e, tantas vezes, acaba se afastando do fruto ( do encontro) que não conseguiu amadurecer!

Amamos os filhos com o deslumbramento de quem acredita que criou algo tão mimoso e querido, acreditando que poderemos moldá-los para o melhor, e nos assustando quando parecem trair nossas expectativas mais caras.   Amamos os pais, os amantes, os parentes e amigos com a “certeza amorosa” de quem os vê “perfeitos”, acreditando que atenderão às nossas expetativas e nossas necessidades afetivas! E nos magoamos com a decepção deles serem ainda tão humanos  E nosso amor se ressente, mingua e, às vezes, até morre!   

Somos todos diferentes! Estamos em eterna transição e, a cada momento, demonstramos defeitos e características próprias. Temos capacidades, possibilidades, prioridades diferentes.  Para amar sem agonia, mesmo que com a dor egoísta de não ser a prioridade do Outro, preciso lembrar-me disto a cada encontro. Amar requer aceitar o Outro, qualquer Outro, onde ele está e como ele “é/está” e ter Paciência para esperar seu tempo. Aliás, construir e desfrutar de auto amor requer esta mesma aceitação e espera do nosso tempo.

Ainda amamos em curto prazo, perdidos em fantasias e desejos, ainda amamos com o ego, um amor que é “infinito enquanto dura”! Mas o Amor a nós mesmos e ao Outro,  que nos delicia, respeita, liberta e  alegra, é o que se eterniza num compartilhar contínuo de amorosa Aceitação e Espera!




domingo, 9 de janeiro de 2022

Orgulho, Vaidade, Egoísmo

 


           Como os Mestres nos sinalizam, são esses os entraves principais à nossa libertação e crescimento. O Orgulho, que nos mantem presos no autoengano, a Vaidade, que nos cega e deslumbra e o Egoísmo que tudo nos justifica, porque “temos motivos e somos especiais”. O Orgulho e a Vaidade, disfarçados ou não, andam juntos e têm como consequência o Egoísmo (Eu mereço).

             O orgulho nos faz crer que somos Mais: inteligentes, cultos, fortes, bonitos, espertos ... Mais sensíveis à dor alheia, mais solidários, mais verdadeiros. Nossa dor é maior, merecemos mais atenção! Entendemos mais e melhor os problemas do Outro, da família, do país, do mundo... Somos críticos, julgadores, e até usamos de tolerância condescendente com os pobres de espírito! Vaidosos, usamos de ironia rascante para tornar pequenos os argumentos e as pessoas; satirizamos opiniões, religiões, crenças, diferenças culturais... e com nosso maior saber intelectual, frio, sem vida, tornamo-nos, sem sentir, arrogantes e prepotentes, presunçosos...

             Como acreditamos saber Mais, acreditamos ser os merecedores do poder, das decisões e de maior valorização. Recebemos aplausos que nos envaidecem e nos fazem acreditar ainda mais em nossa superioridade! Temos muito medo de perder esses aplausos que, afinal, reforçam nosso orgulho em nossa autoimagem distorcida. Temos dificuldade de aprender, porque não ouvimos, não refletimos com isenção, porque já sabemos tudo! Temos muitas vezes um discurso de igualdade generosa e condescendente para esconder essas distorções do nosso ego.  Justificamos nosso egoísmo ao abusar e invadir a vida e o direito dos outros, porque “sabemos o que é melhor para todos”! Soberbos, vaidosos e egoístas somos. na verdade, movidos por essas características defeituosas do nosso ego.

              É importante observarmos esses aspectos do Orgulho, da Vaidade e do Egoísmo em nós mesmos e na nossa vida de relação nos grupos que frequentamos; Família, Igrejas, Trabalho.    O quanto somos orgulhosos em nossas decisões, em nossas atitudes e escolhas?  O quanto somos levados pela vaidade? Quanto de nossos sentimentos dolorosos existem por nos sentirmos tocados em nosso orgulho e nossa vaidade? O que nos move quando agimos atropelando os outros em seu valor e seus direitos? Por me sentir tão “especial”, consigo avaliar realmente as dores, os medos, as necessidades e prioridades das pessoas?

             Enquanto não descobrirmos esses aspectos em nós mesmos (Orgulho-Vaidade-Egoísmo), estaremos distanciados e teremos muita dificuldade de, realmente, chegarmos uns aos Outros com Humildade,  com Alegria, com Respeito, Igualdade...




domingo, 2 de janeiro de 2022

QUANDO AS PESSOAS CEDEM DEMAIS

 



Ceder por Boa Vontade, carinho, compaixão, solidariedade faz parte do amar e do amor! Mas, atenção, isso pode tornar-se uma forma exagerada de se relacionar!  E  tudo que é demais foge ao equilíbrio! Quando as necessidades e desejos dos Outros nos absorvem, tornam-se sempre prioritárias em nossa vida, em nossos dias, isso demonstra que perdemos a capacidade de cuidar de nós mesmos e nosso foco tornou-se apenas externo.

Vários fatores nos aprisionam nesse desequilíbrio nas relações. Várias crenças nos levam a acreditar que para sermos bons e generosos devemos sempre, e a qualquer preço, pensar nos outros e não em nós mesmos. Cedemos para não sermos “egoístas”!

Acreditamos que, por amor, para sermos amados e valorizados, devemos atender aos desejos, e até aos caprichos, dos que amamos- filhos, pais, amantes, irmãos, amigos... não importando quanto sacrifício material, físico, emocional, mental estejam nos custando.

Cedemos por medo! Medo de perdermos o amor, medo de sermos rejeitados, medo de perdermos nessas disputas afetivas.   Cedemos demais numa desesperada tentativa de Controle!

Cedemos para não nos sentir culpados pelas decepções dos outros. A culpa nos paralisa porque acreditamos que deveríamos ser perfeitos ao atender aos outros, principalmente aos que amamos.

Cedemos por comodismo, para não ter que dar limites aos abusos e aos abusados, adiando sempre as atitudes firmes para o respeito e o espaço que precisamos. 

Mas todo esse sacrifício, tantas vezes doloroso, irresponsável conosco, tem um custo emocional, embora tentemos negar isto aos outros e a nós mesmos. Esgotados, sem receber muitas vezes o reconhecimento que gostaríamos, vamos nos tornando reféns da mágoa, do ressentimento, da raiva... e nos afastando, nos isolando!

Cedemos tanto, sem medida. porque ainda não acreditamos numa nova crença que nos diz- Primeiro Eu! Que comece por mim, e comigo, o cuidado que devo à pessoa única que sou. Nascemos com esse propósito - nos amar, cuidar, conhecer, crescer, nos transformar... Primeiro Eu não é egoísmo! Egoísmo é querer que nos sirvam ou ceder tanto que os tornemos insensíveis e egoístas!  

          Na verdade, precisamos cuidar de nós mesmos, para que, então, sadios e serenos, possamos amar melhor os outros!


sábado, 25 de dezembro de 2021

SEGUINDO A LUZ

 


A tradição nos conta que antigos sábios foram intuídos a buscar uma estrela que os levaria ao advento de um Enviado de Deus com algo muito importante para a Ser Humano – uma Luz de Amor!  Ele veio nos revelar que o caminho para a plenitude humana se faz através de vivenciar em nós mesmos (como Ele) essa Luz .

O Mundo era, como hoje ainda é em tantos aspectos, primitivo, agressivo, corrupto, injusto, falso, mentiroso, egoísta... mas o doce Senhor da Luz jamais lutou contra  todo esse mal, embora tenha sido sempre Firme em suas convicções, assertivo, verdadeiro...     Nada deixou escrito, mas sua vida foi uma cartilha simples do caminho a seguir! 

O Natal parece chamar a Atenção disto para nós todos! A cada dia, a cada desafio, em casa, na família, no mundo, não lute contra, não seja do contra, não se perca nas lutas contra as trevas, não se contamine de ódio torcendo contra...  Não se preocupe ou desespere porque a Luz afasta qualquer escuridão. Seja honesto e firme, sem rancor, sem raiva, sem desprezo sem soberba, sem vaidade ou arrogância...Apenas verdadeiro, porque a Verdade vos libertará!

É Natal! Tempo de relembrar sua incrível e doce revelação! Busque sempre e valorize o Bem!. Seja generoso e solidário, seja justo, positivo, leve e  simples... Apenas siga o rastro de Sua Luz!


sábado, 18 de dezembro de 2021

O QUE SE TEM PARA HOJE

 


            Idealizamos o que desejamos para nós, para nossas relações, para o Mundo, para a Vida... Mas Idealizações nada têm a ver com a Realidade! Então, quando os fatos se apresentam diferentes dos sonhos, reclamamos, nos magoamos, nos ressentimos, cobramos uns dos outros, da Vida, de Deus. Mas não adianta chorar, espernear, “emburrar”! Com isso, apenas ficamos cegos e perdemos a oportunidade de ver e saborear o que nos está sendo oferecido!

            Nossas relações são como uma banca de trocas. O que o Outro me oferece? Quem ele é? Qual sua história, suas dores, sua força, suas agonias escondidas... E sua generosidade, suas qualidades, muitas vezes também escondidas?  O que tem, realmente, para me oferecer?  E eu, com minha história e características, o que tenho a oferecer? O desejo de todos é ser feliz, mas o que, realmente, podemos oferecer uns aos outros?  Não funcionam as reclamações por “propaganda enganosa”, pela perda de ilusões e expectativas ideais, nem pelos enganos e mentiras... Reclamações, lamúrias e cobranças apenas geram agressividade, muita mágoa, desgaste, cansaço, infelicidade....

             Afinal, se quero ser feliz, preciso parar de brigar com as pessoas da minha vida e com as consequências de minhas escolhas. É reconhecer: O que tenho, o que posso, o que o outro tem e pode oferecer! A cada dia, a cada momento, quando me irritar ou exasperar, preciso me perguntar:  Nessa relação, O que se tem para hoje? O que queremos, o que podemos?  É Pegar, com paciência, boa vontade, aceitação, olhando com justiça o Outro, buscando trazer alegria e carinho para minha vida e para minhas relações... ou Largar, abandonar tudo, as possibilidades boas da relação, de crescer nos desafios,  e então continuar a vagar chorosa e perdida atrás de novas ilusões.

              A cada dia, preciso “botar o pé no chão”, na Realidade, nas circunstâncias do momento - amores, dores, sucesso, fracassos, perdas e ganhos... e ver o que a Vida me oferece - Hoje. É como um banquete com pratos de todo tipo, nos dando oportunidades reais de escolher, criar, saborear, aprender, compartilhar, servir... Preciso sacudir fantasias e gritarias e, com coragem e boa vontade, me perguntar: O que se tem para hoje?




sábado, 11 de dezembro de 2021

P O D E R

 


          Poder, Potência, Superpotência, Impotência...

         Somos ínfimas centelhas de um Poder Superior de Puro Amor e, talvez por isso, somos tão fascinados pelo Poder.  Contudo, tão primários ainda somos, que só sabemos percebê-lo e usá-lo, através de nosso ego.

         É um poder materialista! Obcecados, buscamos senti-lo e saboreá-lo no Mundo, através do Sucesso, que nos fascina e traz aplauso; da riqueza e do status, que nos valorizam; da força que subjuga... Buscamos exercê-lo em família, nas igrejas, no trabalho, nas sociedades... Queremos sempre mais poder!  Na luta por empoderamento se massacra os fracos, os simples, os submissos, os injustiçados...    É uma luta constante para demonstrar nossa potência e até nossa “superpotência”, nossos super poderes, que parecem gritar ao mundo “Ei, eu existo”  ou “Sou mais e melhor “Eu mando, você obedece!” “Eu Posso!”

Cuidado ao lidar com o poder através do ego! Ele se justifica nas “crenças”, no abuso, no egoísmo e nos torna soberbos, vaidosos, arrogantes, insolentes, esnobes, prepotentes...mesmo nas nossas relações mais próximas e queridas.  Mas, a Vida num processo que busca nosso equilíbrio, humildade e crescimento, acaba por nos confrontar com nossa Impotência ante situações de perdas irreversíveis, materiais, afetivas, morais...

Nosso ego vai aprendendo então que nosso poder maior é para ser exercido conosco mesmos. Aos Outros, podemos dominar, subjugar seus corpos e seus caminhos, mas não temos o poder de realmente modificar seu pensar seu sentir, suas escolhas. Podemos, pela força, dirigir sua vida, mas não podemos impedir sua morte, suas dores, suas perdas...

Esse confronto com nossa impotência ante o mundo e o Outro, vai abatendo o poder de nosso ego, ainda que com muitas lutas, raivas, “inconformações”, teimosias, dores, humilhações... Vamos aprendendo a nos conectar com um outro Poder, Superior, Espiritual, que nos fortalece, nos consola, nos ampara, tanto nas alegrias quanto nas dolorosas causas, apontando sempre caminhos mais justos e respeitosos para nós mesmos e para nossa vida de relação com o mundo.


sábado, 4 de dezembro de 2021

ATITUDES


    

         As atitudes que tomamos derivam de nossas escolhas, conscientes ou não! As escolhas são feitas sob a pressão de nossas crenças familiares e culturais, que influenciam pensamentos, sentimentos, desejos... e por nossas características individuais: orgulho, vaidade, ira, egoísmo, ousadia, medo... ou generosidade, tolerância, compaixão, senso de justiça...

         Como vivemos em grupos, pertencemos a grupos, familiares ou não, próximos ou distantes, esse pertencimento nos faz influenciar uns aos outros pelo que somos, dizemos ou pelas atitudes que tomamos. Somos movidos por todos esses fatores!   Na maioria das vezes, somos inconscientes disso e preferimos só analisar e julgar as atitudes alheias!

          Acredito ser mais importante, hoje, nesse processo de auto descoberta, pensar nas razões que me levam/levaram a tomar uma determinada atitude. Foi medo, covardia, arrogância, egoísmo, paixão, insensibilidade, inconsciência das possíveis consequências para os outros ,...?

         Uma atitude tomada é como “uma pedrinha jogada num lago”. Parece simples, mas as “marolas” que vão se formando à nossa volta não param de crescer! Agressividade, morte, abandono, separação, rejeição, traição... vão tendo desdobramentos em todos à nossa volta! Também atitudes de amor, carinho, honestidade... podem marcar fortemente pessoas, relações e destinos.

         Não podemos saber realmente quais os desdobramentos, em nossa vida e nas dos outros, das nossas atitudes. São muitos fatores individuais e sociais, mas podemos, ao analisar nosso passado/relações, passar a ter um cuidado maior com nossas escolhas, evitando atitudes intempestivas em momentos de fortes emoções, ou para atender motivos egoístas, ignorando a onda de dor e confusão que trarão aos outros, queridos ou não. As dores que elas causam, principalmente em quem amamos, poder ser racionalizadas e perdoadas, mas jamais esquecidas!

          Temos uma responsabilidade mútua em nossa vida social. Embora só possamos  modificar a nós mesmos e às nossas atitudes, precisamos sim, ter um cuidado amoroso com elas!