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sábado, 2 de fevereiro de 2019

UM DIA DE CADA VEZ II



           Esse é um dos lemas mais lúcidos e intensos sugeridos pela sabedoria dos Anônimos. Eles foram desafiados de uma forma muito dolorosa e difícil, daí advindo sua sabedoria.  Se o desafio, a dificuldade, a dor, for muito intensa, viva uma hora, um momento de cada vez. Feche o foco, o pensamento, o olhar, para manter o propósito mais claro.

           Mas, por que é tão difícil seguirmos essa sugestão? Todo o tempo nos perdemos em pensamentos confusos, contraditórios, apressados...  Éramos prisioneiros das crenças a que fomos condicionados. Nossos pensamentos vagavam sobre acontecimentos do passado e fantasias ou ameaças futuras, embora a vida acontecesse no presente! Era uma perda de vida!  Acreditávamos que o propósito maior de nossas vidas era termos sucesso na busca da felicidade, através da valorização e do amor que receberíamos de fora. Precisávamos lutar para ter o controle de pessoas e situações. Era uma idealização! Não podia dar certo! Mas, acreditando que a falha era nossa, lutamos até ao desespero, à desesperança...  Até nos anestesiamos, adoecemos... E agora, como sair das prisões químicas, da dor da impotência?...  Como reverter o espaço perdido e promover a mudança necessária?

            Precisávamos acreditar em novas crenças, baseadas em Realidade! A felicidade virá da libertação das idealizações e da ação possível à minha realidade. Esse é meu propósito e preciso manter o foco em minhas possibilidades. Para isso preciso viver “Um dia de cada vez”. Não devo complicar – “Mantenha a Simplicidade”. Nem devo me perder em outras lutas e mesquinharias. Devo lembrar:  “Até que ponto isso é importante?” Não posso mudar meu passado, não adianta fantasiar o futuro. Não posso controlar o mundo e as pessoas (só posso amá-las), mas posso tentar enfrentar os desafios do meu dia. “Só por hoje” tentarei me organizar e lembrar de fazer “Primeiro as primeiras coisas”, aquelas que no momento Eu Posso. Isso é importante porque assim aprendo a me respeitar  e ser assertivo no processo de mudança, de busca da recuperação de minha auto estima, de minha auto validação.

             Acreditando e pensando assim, mantendo o foco em mim, fico com melhor percepção do que quero, do que posso, do que não quero, do que não posso... Posso fazer melhores escolhas e caminhar mais segura, com mais alegria...

             É muito importante e muito bom, encontrar pessoas que queiram compartilhar esse novo modo de viver assim, no presente. Juntos nos fortalecemos, juntos fortalecemos nosso propósito, juntos reforçamos o foco na mudança que nos liberta, juntos nos descobrimos e descobrimos novos aspectos e possibilidades em cada dia.

             Já foi dito que “cada dia tem seu peso” e vivendo cada um de seus momentos, a cada dia, eu sei que  isso eu posso!

sábado, 26 de janeiro de 2019

DOENÇA E CURA III



        Nossa Humanidade está doente. Sempre esteve? Ou vivemos um momento delicado e doloroso de maior afloramento do mal, dos desequilíbrios e das mazelas humanas. Assistimos com horror nosso mundo!  É como se o mal crescesse e se disseminasse por toda parte, como uma infecção que se alastrasse ou um tumor que  cresceu demais e agora precisasse ser drenado, expurgado. Assustados, temos muito medo desse dreno que se faz necessário para que possamos evoluir  como pessoas, como nações, como espécie.

          Recursos nos são dados para as mudanças, mas pouco aproveitamos. Queremos a cura do mundo, esquecendo que fazemos parte dele, que precisamos nos curar. Revezes na vida acontecem, por uma Diretiva Maior ou por nossas escolhas, mas não entendemos que podem ser remédios para nossa cura, e nos revoltamos! Não entendemos a doença física como último estágio da necessidade de mudar. Não ouvimos nossas dores, também, como um alerta e um chamado.  Olhando para fora, para os outros, apenas julgamos as suas doenças físicas, suas doenças de comportamento, suas doenças da alma, acusando-os ou nos condoendo deles, mas de preferência de longe, nos resguardando em nossos “mundinhos” porque, quando chegamos bem perto da miséria física ou moral é terrível! Ela é suja, feia, cheira mal, e sentimos medo de nos contaminarmos física ou moralmente. Queremos ajudar de longe, queremos que alguém, ou Alguém, tome providências, queremos fugir da verdade de tanta miséria e dor em nosso mundo.  E nos revoltamos, choramos, até nos culpamos...   Talvez porque, na verdade, o Outro, qualquer outro, em qualquer lugar, serve de espelho para nossa própria humanidade com suas dores e agonias.

            Como tudo que vive, estamos todos em processo. A Cura está acontecendo também nesse processo, às vezes, muito doloroso e muito mais lento do que desejávamos. Parece que o mundo está parado ou até em retrocesso, mas, acredito, estamos a caminho do melhor.  A Cura de nossa Humanidade, segue em seu próprio tempo e depende do tempo de cada um de nós.  Não posso curar a doença  dos falsos, dos maus, os bandidos, os alienados, os drogados, os corruptos...Não posso curar a raiva dos injustiçados, a tristeza dos depressivos, a agonia dos desesperançados... Só posso observar e ir curando tudo isso que, em qualquer grau, existe em mim.  Somos convalescentes em graus diferentes, mas jamais terminais, sem solução.

            Precisamos de Sensibilidade Amorosa para acolher as mazelas dos Outros, de Humildade e Aceitação para enxergarmos as nossas próprias, de Paciência e Perseverança em nosso próprio “tratamento” e de Fé, a certeza, de que a Cura Maior nos aguarda.

sábado, 19 de janeiro de 2019

EM BUSCA DA ALEGRIA



       Como somos seres multidimensionais, temos necessidades em nossas várias dimensões. Estamos mais atentos e cônscios de nossas dimensões mais básicas e, em razão disso, procuramos alimentar nosso corpo físico, saciar nossa fome de desejos e  emoções e trazer cada vez mais informações para nossa mente racional.  Esquecemos, no entanto, de atender às nossas necessidades mais altas de seres espirituais ( Justiça, Beleza, Generosidade, Compaixão... Alegria) e, subnutridos nesse nível, não somos felizes!
        Essa Alegria é diferente de euforia, de risos e gargalhadas que acompanham nossos ganhos, nossas gozações, nossos aplausos e conquistas do ego. As alegrias do ego são efêmeras, vêm de fora, ficam sujeitas às oscilações e destemperos de nosso mundo e nos levam do riso ao choro...  Elas já não nos bastam e, nas correrias cotidianas, nas lutas do mundo buscando “felicidade”, perdemos a Alegria e acabamos ficando muito sérios, secos, amargos e  tristes!
         A Alegria que hoje busco, é mais sutil, embora não menos intensa. Ela é de outro nível, menos física e racional, mais espiritual. Ela  traz um sentimento de conforto, sereno, solto... Sentimento que alimenta nossa alma e que vem sempre acompanhado de ternura.  É um estado de gozo suave, leve, que nos acende e aquece o interior e faz a vida brilhar dentro de mim.
         Mas onde buscar essa outra Alegria? Como é um atributo e um alimento espiritual, precisa ser buscada nas coisas e momentos de Simplicidade, num curtir leve e gostoso, com um olhar deslumbrado e curioso de criança.  É parar para apreciar o vento nas árvores e no cabelo, para curtir a chuva leve e fria no rosto, saborear comidinhas gostosas, compartilhar casos engraçados (sem ironia ou deboche), se permitir conversas sem pressa, de coração aberto, olhando nos olhos do outro, acolhendo... É parar para ouvir e ver o mundo incrível e maravilhoso das crianças... É se permitir desfrutar  a companhia serena e amiga de animais...  Também nos trazem essa Alegria os abraços apertados, sem pressa de acabar...  E sair pela manhã cedinho, cumprimentando estranhos, desejando-lhes “bom dia”, sorrindo!     É parar para ouvir músicas leves e suaves e “Só notícias boas”...  É parar de remoer coisas ruins!  O mundo à nossa volta é infinito de possibilidades para me trazer Alegrias.
           Estou descobrindo como é difícil buscar essa Alegria terna e doce, engraçada e Cheia de Graça, num mundo onde me acostumei a brigar com o outro, a lutar pelo outro  e até a rir... do outro! Estou entendendo que a Alegria só acontece no Agora, nos momentos Simples à minha volta. Depende apenas de mim, de perseverar em manter-me com coração aberto, atenta ás coisas boas e simples da vida, antes que só me restem algumas lembranças de momentos já passados.