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terça-feira, 8 de setembro de 2020

“CERTEZAS” EQUIVOCADAS

 


          O desejo de ser feliz nos persegue (ou perseguimos ele) e por esse desejo fugimos, todos, da dor das perdas e ansiamos pelo prazer e pela alegria.

           Nas relações amorosas em Família, aprendemos “verdades”, que nos servem de base para a busca dessa felicidade. O que nela ouvimos nos prepara para formarmos crenças e “certezas”, muitas vezes delirantes, fantasiosas, equivocadas! Algumas “certezas” vamos perdendo dolorosamente nos confrontos com a realidade da vida, embora com um custo emocional menor do que as “certezas” que envolvem nossas relações amorosas mais básicas, mais intensas.

          A dependência física e emocional que temos no início de nossas vidas nos fazem criar laços de amor/apegado, aumentando ainda mais a força dessas certezas. Acreditamos, e temos mesmo a “certeza”, que nossos pais sabem tudo, que são justos e imparciais, que não irão falhar, errar...  Acreditamos também que nossos pequenos filhos, tão dependentes e amorosos, jamais nos trocarão ou abandonarão, jamais serão “ingratos” com os pais que tanto os amam... E na fase adulta, quando descobrimos o amor/paixão, descobrimos, também, a “certeza” que esse  amor jamais acabará, jamais arrefecerá...

        Temos a “certeza” de que a fidelidade desses laços jamais passará, que tudo se manterá inalterado, que todos estaremos congelados nesse modo de amar e acreditar. Mas o tempo nos arrasta, nos amassa, nos modifica a todos, num eterno moldar... O amor permanece, mas nós, os amorosos e amantes, nos modificamos e modificamos nosso modo de amar e ser amado. As certezas fantasiosas vão se enquadrando nas possibilidades de nossa humanidade  

          Parece tão lógico, mas como é doloroso ser confrontado com a perda das ilusões infantis e juvenis e ver nossas expectativas ruírem ante o absurdo de nossas “certezas equivocadas”. Amamos pessoas em constante transformações e não seres imutáveis, congelados nos retratos, sorridentes e alegres, das nossas fantasias!

          Nossos pais não eram super heróis, mas por isso mesmo, foram ainda mais incríveis...  Nossos filhos, adoráveis meninos perdidos de nós pelo tempo, estão para sempre nos oferecendo a possibilidade de amar, de forma diferente... Nossos amantes apaixonados não conseguiram manter inalterados os nossos sonhos dourados (nem nós os deles!), mas estão, como nós, aprendendo a amar para além da paixão.

         Num Universo em constante transformação fica como única “certeza certa”, um Poder Maior Amoroso Perfeito e Imutável. Todas as mais “verdades” são crenças e percepções humanas, falíveis... São certezas mutantes, que vamos descobrindo e transformando conforme crescemos e evoluímos.

 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

A MULHER E O CUIDAR

 


      Desde o início, a natureza entregou à mulher a função de garantir a sobrevivência física da espécie. A ela foi designado o gestar, o proteger e o cuidar das crias da espécie, machos ou fêmeas, homens e mulheres. Através dos tempos essa função primeira perdurou e a mulher estabeleceu-se como cuidadora.

      Cuidava do conforto físico, da alimentação... Como somos seres mais complexos, espirituais, cuidava de dar carinho e amor, necessidades emocionais tão básicas ao nosso desenvolvimento quanto as físicas ... E para melhor cuidar desses seres em evolução psicológica/mental, começou a ensinar as regras, as crenças e os valores da Família e do grupo social maior.

      Nesse cuidar e proteger do mundo e da dor, a Mulher  tornou-se controladora, invasiva, até às vezes, desesperada... Como dedicou sua vida a esse cuidar dos outros, desenvolveu apego a seus amores, que um dia partiriam e a deixariam no vazio e sem ter de quem cuidar!  Esse é o Cuidar que aprendemos, reclamamos, mas, afinal, também cobramos da Mulher.

      Mas a Vida não pára e tudo se transforma nesse universo em constante mudança e evolução. A Mulher, sempre buscando desempenhar melhor seu papel de Cuidadora entendeu, afinal, que precisa aprender a cuidar primeiro de si mesma, entender melhor quem ela é, do que precisa efetivamente, cuidar com carinho de si mesma, aprender a viver até em solidão, descobrir seus medos, reconhecer acertos e desacertos, vislumbrar novos caminhos e gostos, para crescer, para ser cada vez mais livre...

      Precisa, então, levar esse entendimento à sua nova tarefa de Cuidar, evitando que seus antigos cuidados se transformem em cobranças (silenciosas, ou não), que abafem suas crias e seus amores, que sufoquem suas possibilidades, ensinando-os a caminharem sozinhos sem a necessidade eterna da “antiga mulher cuidadora”, ensinando-os a serem, agora, parceiros(homens e mulheres) na família e na sociedade.     

      Esse é o novo Cuidar da nova Mulher, mas, atenção, seu maior desafio será o desaprender dos antigos papéis, do antigo cuidar !

 

 

terça-feira, 25 de agosto de 2020

O MEU LIMITE IV

 

        Acreditava que não devia haver limites para minha força, para o meu amor, para as virtudes... e que não havia espaço e perdão para minhas fraquezas e erros. Era uma visão idealizada, tola, irreal, do que eu podia, e isso me levava, muitas vezes, à humilhação de eu não ser quem  devia ser ou à conformação e à “tolerância desculpada” de que “é assim mesmo”, “somos todos assim” !

        Acreditava que não deveria haver limites e espaços em minhas relações mais queridas. “Amar é misturar!” e tentar modificar, tentar salvar quem amava. Isso me levava à exaustão e a ser controladora, invasiva, irritante... E me levava, também, com tristeza e frustração, ao esgotamento das minhas relações!

        Hoje, já começo a aceitar que preciso olhar com realismo o que sou e o que posso, só por hoje ou no passado. Quais são as minhas forças (físicas, emocionais, mentais) nesse momento? O que ainda acredito ser possível nessa relação? Entendi, finalmente e totalmente, que sou impotente para modificar e salvar o Outro? Entendi que Posso e Devo estabelecer espaços e limites entre nós, para nos resguardarmos e nos respeitarmos, para preservarmos o Amor?  Ou ainda tento estabelecer limites, tomar atitudes que entendo serem necessárias e exigem um desgaste emocional imenso, mas com o intuito de atingir e modificar o Outro? (colhendo frustrações e desalento...)

         Em meio a tantas considerações, se impõe a pergunta principal: Qual é o meu limite ? Em meio a tudo que estou aprendendo sobre como me comportar nas relações, como guardar espaços, como não facilitar, não invadir e não tentar controlar... preciso estar em contato comigo para me perguntar: Qual é o meu limite? O que Posso, só por hoje? O que devo nem sempre é o que eu posso! Muitas vezes pode não ser o ideal, ou o mais certo, mas é o que Posso!

        Olhar para mim, aceitar o que sou/fui e o que posso/pude, é aprender a ser humilde, ser honesta, a ser respeitosa comigo e me dá forças pra continuar, para me perdoar, para ir melhorando em minhas relações comigo mesma e com quem amo.

         Acredito ser tudo Um dia de cada vez, sem tentar “apressar o rio”, sem desistir de mim mesma, atenta ao meu propósito real e individual, de caminharmos juntos e amorosos, cada vez mais livres