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quinta-feira, 25 de julho de 2024

EXERCÍCIOS

 


Ação é Vida! Estar em ação demonstra a vida, garante a vida... Não nos deixa sucumbir à inércia, à inação, à paralização, à morte.... Mas, como temos tendência à inércia (“ Deixa!, já sei!, já fiz”!...), para  garantir a vida e nos mantermos ativos em  todos os nossos vários aspectos, é importante estarmos atentos e dar continuidade e aprofundamento à ação  através de exercícios constantes.

Existimos em vários níveis – físico, mental, emocional, espiritual..., mas, de modo geral, entendemos a importância de cuidarmos com mais atenção e aprimoramento de nosso condicionamento físico. Num mundo material, nesse caminhar material, é nosso corpo que primeiro nos chama a cuidados por sua constante mutação (possibilidades, talentos) e por seu desgaste no tempo (envelhecimento). São exercícios constantes em ginásticas, esportes, competições a serviço do ego, treinamentos para superar perdas e distorções, treinamentos para descobrir e aprimorar talentos...

Em nossa dimensão mental, racional, intelectual utilizamos nossa ação no exercício do aprendizado de técnicas, estudos de todo tipo, que nos trazem melhor desempenho profissional e melhores ganhos, valor, poder e status...Tudo ainda muito a serviço do ego.

Mas, em nossa dimensão espiritual, que pode nos dar alegria, nutrição para a alma, ainda temos pouca ação e menor ainda cuidado em exercitar essa ação. São ações tão simples que, ainda ligados ao ego, não nos apercebemos da sua importância para a felicidade/gosto e propósito em nossas vidas e nas dos outros! Exercício de Escutar e Acolher o Outro, de ser Verdadeiro/Honesto/Justo com os Outros, de Sorrir e Abraçar com Carinho, exercício da Paciência, exercício de Perdoar...

Acredito que o Exercício principal é a continua revisão e reflexão de nossas atitudes e de nossos sentimentos/pensamentos a cada dia. Só esse Exercício de contacto constante conosco mesmos, pode nos garantir uma ação cada vez mais ativa, positiva e nutritiva em nossa Vida.


domingo, 7 de julho de 2024

NÃO BASTA SABER !

 


Como usas o teu saber? Para o bem ou para o mal? O que fazes efetivamente com o teu saber? Saber mais te faz sentir superior àqueles que “sabem menos”? Como medir? Em nosso mundo competitivo e material Saber Mais está ligado ao nosso ego, alimenta nosso orgulho, nossa vaidade, nos leva ao egoísmo, está aliado ao Poder.

Usamos assim nosso Saber para construir, para destruir, para dominar, para escravizar, para ajudar, para humilhar... Acreditamos que sabemos mais o que é melhor para os outros (em família ou no mundo) e isto é justificativa para querer lhes tirar o direito de escolher, de errar, de aprender, de descobrir, de triunfar por eles mesmos...

Muitas vezes, sabemos tanto que nem percebemos o quanto estamos sendo esnobes, arrogantes com nosso Saber! Sabemos tanto, mas não conseguimos aprender fora dos livros, no compartilhar uns com outros!  “Eu já sei!“ E quantas vezes “sabemos tudo”, mas ante alguns desafios da vida, que ameaçam nossa autoimagem e vaidade, nos perdemos, falhamos e erramos...Nosso Saber é frio racional, muito pouco enriquecido de humanidade e facilmente nos leva ao seu mau uso ou ao vazio existencial...

Sozinho, o cérebro não responde às dores e questões de nossa alma. E quando eu acho que sei tudo, esse Saber, vazio dos nossos sentimentos,  não traz respostas aos nossos medo,  às dores de nossas perdas... Não explicam nossa inveja, nosso egoísmo, nossas fraquezas... É quando descubro o quão pouco sei de mim e de nossa humanidade.  

Só o exercício da Vaida sob a ótica desses questionamentos irá desenvolvendo em nós a Sabedoria. O processo de evolução precisa ser mais consciente e  nos fazer entender que toda essa informação tão grande que buscamos pede também uma transformação maior em nosso Ser, integrando valores para além do ego, como o Amor e Respeito... e levando-nos ao espiritual, à Sabedoria.

            Fica a pergunta :Que fazes do teu Saber? Como usas o teu Saber? Para sobrepor-se aos outros, ou acolher nossas dores e nos educar?


sexta-feira, 21 de junho de 2024

ARREPENDIMENTO - EXPIAÇÃ0 - REPARAÇÃO


 

Todos erramos. Em nosso caminhar pela vida fomos tantas vezes egoístas buscando a satisfação de nossos desejos a qualquer preço sem pensar nos custos físicos e emocionais que impingimos aos outros e até a nós mesmos. Muitas vezes fomos primitivos, inconscientes e inconsequentes nessa busca. Nossos medos, nossas carências, nossa voracidade por sensações novas e intensas, o orgulho e vaidade ( muitas vezes ainda insuspeitos por nós mesmos),  nos levaram a agir como animais soltos, instintivos, tangidos pelo prazer físico e emocional, sem alma, sem freios e sem regras...

No entanto, o tempo na vida nos confronta com as consequências de nossos atos. O tempo não corre em vão... O custo físico, a dor de nossos atos em quem amamos, o despertar de valores adormecidos que possam nutrir nossa alma de seres espirituais... Nesse despertar vamos conhecendo o Arrependimento. Vem de uma visão mais refinada e amadurecida de nosso passado, de nossas crenças, atos e atitudes. Sem arrependimento continuaríamos encalhados em cada curva de nossa história...

O Arrependimento nasce com Dor! É o nascimento de uma nova fase de nós mesmos, é uma parto doloroso e muito longo na medida em que relutamos em admitir nossos erros por vaidade, orgulho, egoísmo e medo das culpas... A culpa traz para nós a agonia da Expiação.  Ela é marcada pelo açoite constante do Remorso, pela paralização na dor. Nada muda em nós, mas acreditamos que estamos purgando nosso passado e que somos mais virtuosos porque, ao menos, agora sofremos muito!  Crenças num Deus imperdoável, o orgulho e a vaidade, ainda nos comparam, nos enganam e nos aprisionam numa expiação sem fim ou sem finalidade, vazia...

Erros, Despertar/Arrependimento, Dor/Culpa/ Remorso, Expiação... Todos fazem parte do nosso caminhar, do nosso passado, do nosso processo de aprendizado, do nosso evoluir... No entanto, vivemos hoje na eternidade dos momentos no presente. Não podemos ficar prisioneiros de um passado que já cumpriu sua missão.

Hoje, vivendo mais amadurecidos e responsáveis, entramos no processo de Reparação, que nos leva a um novo proceder. Não podemos modificar o passado, mas usaremos o que dele aprendemos para reparar atitudes, reconhecer falhas, nos desculparmos, nos relacionarmos conosco mesmos e com os outros de modo diferente. O processo da Reparação nos liberta, nos faz sentir atuantes, responsáveis por nosso presente!


domingo, 9 de junho de 2024

O TRABALHO, O SERVIÇO E O SERVIR


 

Sabemos que existe Vida quando há movimento, quando há ação. Vivos, estamos todos em movimento e buscamos naturalmente uma ocupação física, mental... Precisamos nos sentir vivos, ativos ... Descarregamos energias, físicas, emocionais, mentais através dos  nossos movimentos, em nossas ocupações, em nossos trabalhos.  O trabalho nos faz sentir ocupados, produtivos, criativos, realizadores...

Somos motivados ao trabalho por pressões externas, necessidades de vida e sobrevida, por desejos, por sonhos... Mas, em todo esse movimento em que nos lança,  o trabalho traz transformações internas. Ele mexe com nossos medos, com nossas potencialidades, faz-nos descobrir o que podemos e o que queremos, ensina-nos a interagir com os outros...

Trabalho busca um sentido, uma finalidade... Ele está sempre a Serviço de que?  O Serviço nos traz ganhos materiais em nossa relação com o mundo e ganhos afetivos e psicológicos nos grupos aos quais pertencemos (família, trabelho, igrejas...).  Mas, cuidado com o excesso de serviços aos quais nos sentimos “obrigados”, porque demonstra necessidades do ego de elogios e louvores ou busca de controle!

Conforme vamos entendendo melhor nossos ganhos e necessidades com o Trabalho e o Serviço, vamos além, descobrindo as alegrias e a gratificação do Servir. Nossa relação com eles  alcança agora um nível além do ego – é Espiritual! Servir traz uma transformação interna; sentimo-nos como instrumentos, parceiros e ajudantes de Algo Maior.

Servir, cuidar, ajudar... nos faz sentir e conhecer a alegria gostosa de simplesmente doar, de participar... (Ajudar alguém a atravessar, sorrir e cumprimentar um “ignorado”, fazer uma doação anônima, cuidar de um doente, animal ou planta, escutar alguém...  ) .   Ao fazê-lo estamos entrando “de carona” numa outra dimensão -  a  Espiritual! Nela, não se espera troco ou gratidão de fora, porque o ganho foi nosso...  Ao Servir, o Trabalho e o Serviço são sempre gratuitos, anônimos, respeitosos... São marcados pelos valores espirituais de generosidade, solidariedade, justiça, beleza, alegria, simplicidade...

O Servir traz uma contínua Transformação Interior. Tornamo-nos mais humanos, pacientes, mais humildes/simples e conscientes de nós  e do outro.


sexta-feira, 24 de maio de 2024

TEMPESTADES E RECOMEÇOS

 


Passamos a maior parte de nossas vidas como folhas soltas , à deriva, inconscientes, buscando as alegrias que o Mundo nos promete na imaginação...

Em algum momento, no entanto, somos colhidos por tempestades! São tempestades que nos derrubam, nos arrastam, nos gritam e nos fazem gritar... Conhecemos, então, dores desconhecidas, desilusões que nos despedaçam os sonhos, as “certezas”, o nosso chão, o nosso mundo!   Parece que nada mais faz sentido: por que? Para que? Como pode tudo acontecer? Parece que a Vida nos sacodiu de nosso sonho infantil, de nosso passeio, de nosso caminhar inocente ao vento...  Somos despertados, sacudidos, chamados para outros níveis e para outras descobertas em nossas relações com Deus, com outros seres humanos (tão humanos), conosco mesmos...

Iremos, então, descobrindo, muito mais próximo, um Deus Amoroso que nos acolhe e nos fortalece; descobrindo o que há de pior e mesquinho/egoísta no ser humano cego pela materialidade e descobrindo a sensibilidade/generosidade amorosa de amigos também humanos...Vamos descobrindo a força sagrada de nossa origem divina! As tempestades têm esse poder de nos sacudir e despertar...

Depois das Tempestades vem a Bonança, glorificante e merecida! São momentos de refazimento de nossas forças; é um tempo para apagar velhas mágoas, ilusões... É como fazer uma operação de rescaldo no passado que passou para seguirmos adiante num eterno recomeço...

Acredito que as tempestades pelas quais passamos – mortes ou separações, seja em nossas relações mais íntimas e familiares como casamentos, amizades ou com as perdas materiais com as incertezas da natureza,  elas têm o duro e bom propósito de nos sacudir e despertar para recomeços, mas que não sejam eles meras repetições infantis, sem aprendizado, sem auto responsabilizarmo-nos pela parte que nos coube na possível prevenção ou condução das tormentas, afetivas ou não.  

            As tempestades continuarão a se apresentar de diferentes formas em nosso caminhar, mas os recomeços nos exigem contínuos e continuados ressignificados – de Deus, das pessoas, de nós mesmos!




domingo, 12 de maio de 2024

QUANDO AMAR É DEIXAR PARTIR...



Para as Mães (e pais), é esse o maior desafio, o maior sacrifício, a maior dor, o maior ato de amor. É devolver ao mundo difícil e cruel a criatura que você mais ama, que você desde o inicio cuida, defende, ensina... É, finalmente, ir entendendo que seu papel mudou, criou novas nuances ...mas sempre com o mesmo incomensurável Amor!

Na verdade é um processo que se iniciou desde que aquele filho se anunciou. O medo que algo estivesse “errado”, que algo ameaçasse aquela cria de amor... Não o conhecíamos, mas já o amávamos, já intuíamos que nosso papel era amar, cuidar, defender... Esse amor nos levou a um apego intenso, apesar de sabermos que estávamos num mundo de passagem, onde tudo é tão transitório!

Nosso Amor era intenso e para sempre, mas nosso papel na vida do filho era mutante, porque ele também estava em constante mudança. Ele crescia para a Vida, para suas próprias escolhas, por vezes tão diferentes das nossas, dos nossos cuidados... Eles precisavam sair do nosso colo, se arriscar, desafiar, cair, se magoar, aprender, crescer... Para isso um Poder Maior de pura sabedoria amorosa nos havia criado. Meu Deus, como é difícil, doído, aceitar essa distância que se faz necessária.

Quando insistimos em, “por amor”, querer controlar,  facilitar, orientar seus novos desafios (casamentos, educação de filhos, empregos...), sem que sequer fosse solicitado o conselho, nós os infantilizamos ou sufocamos. Noutras vezes nós os afastamos, deixando em nós saudade e tristeza e neles, libertação com culpa!

É muito difícil entender e aceitar nosso papel de Mãe ao longo dessa caminhada com os filhos. Amar libertando cada vez mais, ter disponibilidade  para ele a qualquer tempo e ter Respeito a esse Ser que não é nosso, que apenas Deus nos confiou nessa passagem...   É um Amor  muito complicado para as mães e precisamos de perdão para as vezes que nos confundimos e falhamos! 


quinta-feira, 2 de maio de 2024

AUTOENGANO


 

Nossa “inocência” e desconhecimento de nós mesmos, nos levam, ante os desafios da Vida, a nos defendermos com máscaras que acabam por nos esconder de nós mesmos, a viver e conviver num auto engano.

Os desafios que enfrentamos nos assustam e, sem pensar, inconscientemente, procuramos esconder nossos medos, carências e inseguranças sob uma máscara de  poder e superioridade, máscaras de orgulho, de vaidade, arrogância, esnobismo ... Cuidado! Absorvemos tanto essas máscaras sem atentar para suas raízes que entramos num processo de Auto  engano!

Essas máscaras, que disfarçam nossas fragilidades, nos encantam, fazem os outros sentirem-se menores e nós mais seguros em nosso auto engano. No entanto, se formos confrontados com desafios maiores, com as consequências de nossos erros, que ameacem nossas posições ante o Mundo e ameacem nossas máscaras (orgulho, vaidade...) seremos capazes de quaisquer atitudes, mesmo as mais egoístas, para não ficarmos expostos em nossas vulnerabilidades e fraquezas.

Toda essa luta, que acaba por nos trazer culpa e vergonha por nossos atos, se trava em nosso interior e muitas vezes ainda inconscientes do que nos leva às essas atitudes.  As raízes desses nossos excessos e distorções de caráter de todo tipo passam muitas vezes desapercebidas por nós por auto desconhecimento ou auto engano.

Só buscando analisar nossos porquês, com honestidade e perseverança, poderemos trazer para nosso Consciente a raiz dos nossos medos e disfarces, nos tornando mais livres e senhores de nós mesmos.