É como aprendemos a amar.! Até biologicamente, nascemos sendo amados dessa forma. É um amor primitivo, básico, animal, possessivo, de defesa, sobrevivência... É o amor da fêmea/mãe pela cria. Em nosso processo evolutivo pouco modificamos esse modo de amar! Nascemos tão frágeis e dependentes, que os cuidados contínuos, favorecem a ligação afetiva cada vez maior entre nós e esse “Outro”. Temos então dificuldade em identificar no filho uma outra pessoa, única/diferente, que chaga, também ela, num processo evolutivo.
Na verdade, esse modo de amar, sem limites e sem limite, torna o outro apenas o objeto do nosso amor, de nossas necessidades e carências afetivas, do nosso eterno medo de perder. Desenvolve-se assim a crença que é nossa obrigação cuidar, salvar, resgatar nosso filho –“é nossa missão”! Nós não o ouvimos, apenas dizemos como deve ser para atender às nossas expectativas, às nossas fantasias e sonhos. Mesmo com os filhos já adultos, temos muita dificuldade de amá-lo com respeito à sua unicidade, às suas escolhas, ao seu processo de aprendizado na vida.
Na escolha e na relação amorosa com parceiros permanece o “ranço” do modo de amar com medo, com possessividade. Após a paixão, que nos tolda e distorce a visão do Outro, voltamos ao amor sem limite, ao medo, à vigilância, aos queixumes, cobranças, à agonia de ver que esse modelo de amar com eterna vigilância, com tentativa de controle, manipulação... transforma-se numa luta sem vencedores onde todos se perdem com raivas, culpas, mágoas, solidão e desamor!
Esse é o amar sem limite e sem limites Esse é o que se diz ” Amar é Sofrer”! É o amor onde todos se cassam se cobram, e não se respeitam... Esse é o amor sem limites, desorganizando a relação, desrespeitando quem eu Sou e quem o Outro é, sem entender que as pessoas crescem, se modificam. Esse amor morre na medida em paralisamos e não mais nos descobrimos e não respeitamos uns aos outros.
Hoje, já posso vislumbrar a importância de um Amor mais equilibrado, menos medroso, mais respeitoso com minhas dificuldades e possibilidades, mais centrado na minha própria humanidade. Isso é importante em nossas relações quando sentimos a necessidade de, também, entender e respeitar as limitações dos outros. Acredito que isto nos aproxima e favorece um amor suave de aceitação e até compaixão.
Um Amor, em qualquer
relação, requer Respeito, Ordem, Equilíbrio, Verdade, Gentileza, Generosidade...
primeiro comigo mesmo, para então chegar ao Outro!
Atenção! Não podemos trocar essa ordem para não desorganizar
toda a relação!

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