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terça-feira, 5 de novembro de 2019

OS LIMITES E O AMOR



          AMAR NÃO É MISTURAR! Como é difícil entender isso em nossas relações mais íntimas, mais queridas! (filhos, companheiros/amantes, pais) aos quais somos tão apegados!
          Como estamos buscando e lutando para manter o Amor deles por nós ? Atenção! Amar não é se anular pelo outro! Amar não é se escravizar, se submeter, com humilhação, ao outro.  Amar não é se calar, calar suas opiniões e gostos para não irritar o outro. Amar não é apanhar física, mental e emocionalmente para evitar “complicar”, para evitar ser rejeitado, para tentar ser mais amado ou por “amar demais”. Amar não é conceder para além de nossa dignidade. E, afinal. nada disso adianta, porque o  Amor não resiste à falta de respeito aos limites !
           Quando constantemente invadidos, submetidos, amordaçados, ... acabamos por nos desapaixonar, desamar, fugir, querer distância, mesmo das pessoas que mais amávamos. E ainda sofremos com um sentimento de culpa porque não aguentamos mais... Talvez porque nos ensinaram (e acreditamos) que “amar é sofrer” e que devíamos aguentar mais e mais! E acreditamos que, aguentando mais, conseguiríamos modificar o outro, fazê-lo entender que o nosso amor é demais! Mas nada disso adianta porque o Amor não resiste à falta de respeito aos limites!
           E como estou amando? Por amor, em nome do amor, invado a vida de quem acredito amar? Faço tudo por ele, tomo a frente nas tarefas e nas situações, trato-o como incapaz, acostumo-o a ser egoísta, transformo-o numa pessoa abusada, insensível... numa pessoa que não sabe amar, uma pessoa que ninguém quer ter por perto, com a qual as pessoas têm apenas relações superficiais?
Estou aleijando meus amados para a vida? Estou sempre me antecipando e tentando viver a vida do Outro, que digo tanto amar? Estou preparado para receber sua “ingratidão”, seu abandono, seu enjoo de mim e de meus cuidados, que o desprepararam para a vida, para relações mais sadias?
         Preciso entender que o amor não resiste à falta de respeito aos limites entre nós! É preciso haver limites, respeito, “espaço, para o Amor” a mim mesmo e ao Outro.     Respeite-se, cuide de você com respeito, carinho, assertividade. Ensine aos outros como quer ser tratado, ou deixado!  Não adianta choramingar implorando piedade ao mundo, porque seus limites são sua responsabilidade!   Viva e deixe viver!! O respeito aos limites é o “carro chefe” e o “abre alas” do Amor.


terça-feira, 29 de outubro de 2019

UM AMOR AMIGO



         Ainda nos entregamos, a princípio, a um amor de fantasia. Amores idealizados por nossas carências e por nossas crenças. Amores totais, amores perfeitos, amores eternos a que nos apegamos possessivamente: meus filhos adorados, meus pais tão queridos, meus companheiros apaixonados, meus familiares, meus amigos... Queremos segurar, prender, não perder! 
        Temos ciúme, amamos com um eterno medo de perder, porque “não podemos viver sem eles”! Queremos, então, dirigir, controlar... Criticamos, cobramos, ficamos agressivos, impacientes, até grosseiros, com aqueles que tanto amamos, e eles também conosco!  Com o tempo, já não nos escutamos! Cada vez menos nos abraçamos! Defensivos, magoados, já não estamos tão abertos e sensíveis às angústias, medos, agonias e carências uns dos outros!    Ainda apegados e possessivos, mas tristes, isolados e carentes, descobrimos que precisamos é de um amor amigo!   
          Precisamos de um amor que nos acolha, nos escute (sem orientações), que seja paciente e nos aceite pelo que ainda somos e nos encoraje e seja generoso conosco por tudo que ainda não somos. Um amor que nos inspire confiança porque seja honesto, franco e firme com nossos tropeços, sem, contudo, perder a gentileza e ternura. Um amor que tenha empatia e compaixão com nossos momentos de dor e fraqueza. Um amor de prontidão e carinho, que se revela través de atenção, de um toque, de um sorriso... e nos traga companhia e alegria à vida!
       Hoje, o grande e contínuo desafio para mim, em minhas relações amorosas, é a transformação de minhas atitudes e pensamentos possessivos, apegados, desrespeitosos, sufocantes, em um Amor simples, doce e que nos liberta.     Olhando para as pessoas mais queridas e significativas de minha vida, aquelas que mais amo, eu estou sempre me perguntando: Eu sou amiga de vocês? Porque, afinal, o Amor é Amigo!

terça-feira, 22 de outubro de 2019

AS NOSSAS PAIXÕES



       São delírios, desequilíbrios afetivos do ego, que nos empolgam e nos arrastam... Fazem parte da imaturidade do nosso ego e distorcem nossa capacidade de “ver”, de analisar, de fazer escolhas com um mínimo de isenção. São desvios e exageros das “necessidades” do nosso ego. Respondem às nossas carências afetivas, à defesa orgulhosa de nossas certezas e se revelam nas nossas escolhas amorosas, profissionais, políticas, ideológicas, culturais e religiosas.
       Pela intensidade de sua força, tornam-se perigosas em nosso mundo de relações, por si mesmo já tão complexo e difícil.  Odiamos com paixão tudo que parece ameaçar nossas escolhas, tão impregnadas de nós. Nas áreas mais sensíveis, nos identificamos tão completamente com nossas escolhas, amorosas ou não, que reagimos com agressividade e ”surdez” a qualquer observação contrária ao nosso anseio. Ficamos “cegos”, incapacitados de aceitar o que não se enquadra em nossas paixões. Não há lógica na paixão, apenas identificação com nossas carências amorosas, nossos sonhos, nossas fantasias, nossos medos/ódios...  O que percebemos como ameaça às nossas certezas e escolhas, nós detestamos intensamente!   O que amamos e  a quem amamos, é o certo, até perfeito.  Estamos apaixonados!
         Na verdade, as paixões, retratos de nossa imaturidade afetiva e racional, momentâneas ou não, tendem a se deixar transformar com as experiências e as verdades a que o tempo nos submete. Elas esmaecem e até passam... Entramos num processo de análise, de aceitação e valorização da realidade como ela vai   revelando-se. Abandonamos os delírios da paixão. Mais livres, aprendemos a avaliar, observar, escolher, para que possamos, finalmente, apenas desfrutar, deixar ir, ou, finalmente, amar... porque só aprendemos a amar quando abrandamos nossas paixões e deixamos de ver e sentir o outro como apenas nosso...!
         Então, poderemos lembrar com nostalgia e até bom humor, algo encabulados, as delícias, as agonias e os desmandos que curtimos, sofremos e fizemos sob a força de nossas paixões.