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terça-feira, 6 de agosto de 2019

A DOR DA REJEIÇÃO



Talvez seja a maior dor que experimentamos como individualidades únicas, mas que tanto necessitam de aceitação, de valorização e de se sentirem especiais pelas pessoas ou pelos grupos onde estiverem. É tão intensa essa dor que foi estudada por médicos/universidades. Ela nos “queima” no peito, nos derruba, nos desequilibra física e emocionalmente.
A dor ácida e rascante da rejeição, muitas vezes aumentada por um sentimento de traição e de se ver preterido, traz, também, muita mágoa, raiva, vergonha, vontade de revide... Ela pode nos tornar submissos pela carência, pela vergonha, ou então, amargos, críticos, agressivos...
Na infância, quando nos sentíamos continuamente rejeitados e não o bastante acolhidos e valorizados como necessitávamos, deformamos, muitas vezes, a construção de nossa auto estima, distorcemos imagem de quem somos, do que podemos.
Na vida adulta a rejeição amorosa, e até a profissional, estilhaça nossa auto confiança, nossa auto imagem, nossa segurança pessoal, e passamos a nos perceber sem valor, indignos, incompetentes...   
Em ambos os casos, podemos tornarmo-nos muito inseguros, arredios, fechados, com dificuldade de estabelecer novos vínculos afetivos e profissionais, desconfiados das pessoas e de nós mesmos, com um sentimento de incompetência e um medo imenso de sofrermos novas rejeições.
E a rejeição social, quase sempre baseada nas diferenças entre grupos ou em atitudes pessoais não aceitas socialmente, nos envergonham, humilham, nos excluem e nos tornam desconfiados, defensivos/agressivos.
Em algum momento de nossas vidas, todos iremos experimentar algum tipo, ou intensidade, de rejeição, até porque criamos expectativas ideais de amor e valorização. Fantasiamos de forma irreal a vida, as nossas relações e as pessoas que amamos. Entramos nas relações de peito aberto, mas com uma percepção fora da realidade das possibilidades, ou dos desejos, dos Outros para atender nossos sonhos e expectativas.
A cura para nossa auto imagem agredida e tão deformada pela rejeição, a cura para nossos sentimentos tão massacrados, poderá ir iniciando-se pelo entendimento dessas nossas expectativas irreais sobre o Outro, qualquer Outro. Seres humanos falham/traem, tantas vezes são cruéis, fazem escolhas diferentes de nossos desejos, não se enquadram em sonhos alheios.  
Como precisamos todos de amor, cuidados e valorização, devemos encontrá-los, antes de tudo, em nós mesmos. Esqueça o Mundo!  Preciso ter paciência, compaixão e carinho com uma Dor que só eu, a pessoa única que sou, posso avaliar. A auto aceitação, o auto encorajamento e auto valorização, perseverantes e contínuos, irão, um dia de cada vez desenvolvendo, ou nos  devolvendo, a auto confiança perdida e a alegria de SER ...

terça-feira, 30 de julho de 2019

AUTO ENGANO



         Vivemos na aparente superfície de nós mesmos e distraídos pela aparente superfície dos outros à nossa volta. Assim, somos enganados e enganamos a nós mesmos e uns aos outros. Antenados com tudo que nos ensinaram, querendo atender às expectativas do mundo para sermos valorizados e amados, fomos criando e moldando uma imagem irreal do que somos, ou do que deveríamos ser, ou do que queríamos ser, ou do que “vendemos” ao mundo. Criamos uma concepção e uma imagem de alguém que não somos nós!

         Vamos nos enganando, sem realmente saber um mínimo de quem somos. O que, realmente, queremos? O que, realmente, sentimos? Ao agir, ou reagir, o que realmente nos move? 

         “Até que ponto sou bom, generoso e solidário, ou isso alimenta minha superioridade, vaidade e “orgulho cristão”?  Preciso me mostrar, e acreditar, ser pacífico ou isso esconde medo de enfrentar questões de assertividade e limites? Sou desafiador e agressivo ou é assim que escondo minhas inseguranças e fraquezas? Sou defensor da verdade total, ou a uso para intimidar os outros? Sou crítico em tempo integral, superior a tudo e todos, ou ajo assim para me sentir mais confiante, livre talvez de ser eu mesmo criticado?  Sou tímido, “humilde” e sem talentos ou me escondo nessa “zona de conforto” para não ser questionado e desafiado?    E tantas outras questões...”

         Na verdade, somos mocinhos e somos bandidos! Somos Sombra e Luz!   Precisamos de um olhar e uma escuta interior, atentos e contínuos, para conhecer nossa sombra, nossos verdadeiros motivos, para que não nos enganemos, não nos confundamos e não nos percamos na caminhada. Quanto mais luz trouxermos para nosso interior, mais Luz irá clareando e anulando os escondidos de nossa sombra.

        Não se perca de você, não perca o tempo de você, nos descaminhos do auto engano. Cada descoberta resgata aspectos de nós mesmos para, com aceitação, com paciência, carinho e coragem, podermos ir corrigindo o rumo e acertar... É esse o caminho para a construção da auto estima, de uma auto imagem mais verdadeira e para a auto valorização de quem, realmente, somos.  

terça-feira, 23 de julho de 2019

ALGEMADOS AO PASSADO



        Somos caminhantes em eterno prosseguir, mas muitas vezes nos permitimos ser puxados para atrás, dificultando, ou até mesmo impedindo, a nossa marcha, pelas amarras do passado. 

         Em nossas relações afetivas de Homem/Mulher tivemos expectativas, quase sempre idealizadas, sem respeitar a realidade possível uns aos outros...  E sobrevieram decepções, cobranças, traições, agressões, manipulações, lutas... Tudo isso desencadeou muita mágoa, muita frustração/raiva, revanchismo, culpa, vergonha, marcando-nos a “ferro e fogo”. E tudo que se iniciou “por amor”, transformou-se em muita dor. 

         Na verdade, isso aconteceu no passado. Já passou... Mas, será que deixamos tudo isso ficar no passado?  Em alguns relacionamentos os parceiros conseguem superar dificuldades e fantasias, transformando a relação em parcerias mais maduras e intensas.  Outros, não! Sonhos e fantasias se estilhaçam e as relações, simplesmente, se quebram e acabam! Os dois aceitam o fim e, mesmo doídos e chamuscados, continuam sua caminhada, abertos a novos relacionamentos.

         Outros, ainda, até parecem, finalmente, resolvidos. O casal se separa, se abandona, se divorcia, mas só na superfície... Os sentimentos de mágoa, rancor e ódio, gerados por suas expectativas frustradas no passado continuam vivos e os mantém na luta. É uma doentia fixação que os aprisiona ao passado e nem mesmo novas relações afetivas conseguem neutralizar. A capacidade de amar no presente fica negada ou contaminada, enfraquecida, pela sombra amarga do passado. E essa sombra amarga, marca e mancha, muitas vezes, as relações amorosas com os filhos, nutridos pelo ódio dos pais e usados como instrumentos de trocas nas lutas eternas.   Estão algemados, prisioneiros desse passado, sempre retroalimentado.

         A chave para nos libertar está numa reflexão mais amadurecida desse passado. Em entender que numa relação não há mocinhos e bandidos, mas pessoas reais (feias ou bonitas), diferentes das nossas fantasias, carências e desejos. Poder ressignificar esse passado sob esse olhar mais humanizado e generoso, com o Outro e conosco mesmos, nos aquieta e consola. Aceitar e perdoar o casal que fomos, ou que conseguimos ser, nos traz paz.    Tudo já passou! Não volta! Não podemos consertar, ser diferentes ou fazer diferente! A maturidade advém desse novo olhar realista e sereno onde a dor pôde nos amaciar, servir de lição e nos curar.  E a libertação  nos faz mais livres para amar...