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terça-feira, 18 de agosto de 2020

Olhar e Não Ver, Escutar, Mas Não Ouvir.....

 

          Hoje descubro, cada vez mais, o quanto não vi nem ouvi as pessoas que mais amava/amo.             Distraída pelo seu modo, sua aparência(muito cuidada ou relaxada), por suas palavras, suas opiniões e atitudes ( ternas ou agressivas)... Eu me relacionei com eles na superfície, achando que, realmente, eu os via e ouvia! Acho que, tristemente, é  assim mesmo! Olhando e escutando-os no desempenho de seus papéis em minha vida, eu me contentava e respondia de dentro do meu próprio papel. E juntos boiávamos, surfávamos, nadávamos, na superfície de nossas vidas, enfrentando mares calmos ou ressacas, o que viesse...

           Aprendemos a ser cuidadosos, não mergulhávamos em nós mesmos, nem nos outros. Não mergulhávamos em nossos sentimentos mais profundos, apenas nos defendíamos... No entanto, esses sentimentos estavam muitas vezes gritando nos “não ditos”, nas atitudes incompreensíveis e contraditórias... Quanta angústia  e confusão, quanto disfarce de medo, de raiva, de menos valia... Mas, então, eu não via, não ouvia seus gritos abafados e disfarçados, só reagia...

           Quanta “falação”, quanta “enganação”, quanta “falsidade”, quantas mentiras e manipulações, para tentar demonstrar poder, valorização, para esconder muito medo de ser “menos”, de não ser amado, para se enquadrar no esperado...  E eu só me irritava, me magoava, e reagia...

           Amei muito, amei tanto, mas hoje vejo que foi tão pouco, porque amei sempre na superfície. E na superfície nós só nos apegamos, julgamos, nos enganamos, cobramos...

           Hoje penso naqueles que amei e amo, mas que, medrosa e distraída, não mergulhei nas possibilidades de nosso amor. Hoje entendo que amar requer a coragem e o cuidado de uma outra escuta, que me leve a Ouvir o que não está explícito. Amar requer uma atenção curiosa e amorosa, requer Ver o que o outro não ousa, verdadeiramente, demonstrar. Mas acho que para isso, Amar requer antes um mergulho em mim, para melhor me “Ver e Ouvir”, e, então, sensibilizada, poder, realmente, chegar a quem amo.

 

terça-feira, 11 de agosto de 2020

CRENÇAS QUE APRISIONAM

 

           Desde que nascemos fomos “adestrados” a acreditar e pensar conforme as crenças, as certezas, os costumes e as tradições, de nossa família e de nossa cultura. Não cogitávamos de pensar diferente sobre as “verdades” que nos eram impostas, ainda que por amor, ainda que para o nosso bem. Quando tentávamos, éramos criticados, rejeitados e até castigados por deslealdade à família... Pensar e ser diferente chocava a Família e a expunha à vergonha por não ter sabido “educar”.

          Famílias muito rígidas em suas crenças, quando as transformam em dogmas, cobravam mais rigidamente de seus membros. E aquele que fosse naturalmente rígido e levasse tudo muito a sério, estava fadado à dor extrema e a uma imaturidade emocional e mental, porque a vida é movimento e exige flexibilidade e escolhas.

          A Família quer o melhor para seus membros, quer perfeição nos papéis que lhes atribuem, ainda que baseados em impossibilidades. A Família acredita que pode, e deve, modificar uns aos outros pelo bem comum. Acredita que pais, mães, irmãos... têm a tarefa sagrada de modificá-los, torná-los vencedores, perfeitos em seus papéis na vida e fazê-los felizes, sob o ponto de vista de suas crenças!!! É uma missão impossível, mas não se sabe!!! E tentamos, tentamos, e tentamos, mudando estratégias de controle, deixando de viver para tentar controlar e os “salvar”...  Muitos morrem tentando!

Outros deprimem, se revoltam, se quebram, se anestesiam com químicos, ou adoecem, sem vida, tentando se adaptar aos papéis, às expectativas que lhes são cobrados. Sentem-se menos, sentem-se desleais, inadequados, rejeitados, fracassados...

Como sair dessa prisão que faz tanto sofrer a todos? Como fazer diferente? Como deixar cada um viver sua própria vida, aprender com suas próprias experiências?  Como desligar desse apego, desses dogmas, que em nome do Amor estão nos infelicitando tanto?      Posso? Devo? Preciso ouvir que posso de outras pessoas que estejam vivendo esse mesmo impasse interior e familiar, preciso compartilhar em grupos de mútua ajuda,  ouvir e dizer das minhas dúvidas e dores, que são as mesmas! Preciso trocar as dúvidas por novas descobertas, para me confortar e ir descobrindo meu caminho, respeitando minhas possibilidades, aprendendo a me ouvir e a respeitar os outros.

        As Crenças são nosso primeiro chão. Elas nos dão segurança, mas também podem nos blindar, como as muralhas de um castelo, que nos defendem, mas também aprisionam. Crescer e ser adulto nos leva a transpor essas muralhas e refletir sobre nossos papéis, nossas possibilidades, nossa realidade, nossa responsabilidade conosco e com os outros.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

RESSONÃNCIA


      Pertencemos a um universo de energia pura, onde cores, emoções, pensamentos, sons... se inter-penetram, inclusive em nós.

      Imersos como estamos, num mundo de energias mais densas, de sensações tão físicas, de emoções tão fortes e pensamentos tão confusos, distorcidos pelas crenças e lutas do nosso ego... Distraídos, ofuscados e cegos pelo chamado das luzes enganadoras do mundo material, fomos aos poucos perdendo contacto com a Energia Primeira, de Pura Luz, que nos deu origem. Já quase não ouvimos o som original, o Som de Deus, vibrando em nós, perdido à nossa volta pela gritaria das lutas e dos sons alucinados da modernidade.

       Mas tudo está aqui, tudo existe em nós! Somos centelhas de uma Luz Maior e de um Poder Superior a esse mundo, Somos Portadores da Luz e já quase não percebemos... A Luz e o Som de Deus estão aqui, vibrando no Amor, na Beleza, na Alegria, na Compaixão... Eles ressoam em nós, num chamado insistente e paciente, aguardando o progressivo despertar de nossa Consciência.

       Em tudo, Luz e Treva nos cercam. Luz Original e treva acumulada pelo nossas escolhas equivocadas no mundo, por nossos pensamentos escuros e escusos, pelas emoções pesadas recorrentes a esse pensar, que acabam por sintonizar com as energias pesadas que lhe são afins...

       Se queremos a gostosura de relações amorosas e amigas, se queremos a orientação, consolo e força de Deus, se queremos trazer leveza, serenidade e alegria às nosso caminhar, precisamos buscar pensar, sentir e agir, a cada momento, sintonizados com a Luz que habita em nós e com tudo e todos que nos cercam.

        E precisamos buscar momentos afastados do mundo para poder prestar atenção ao Som e à Luz de Deus em nós. Momentos de intimidade com esse Poder Amoroso, através da oração e no silêncio da meditação, é que favorecem a uma melhor sintonia e ressonância com os sentimentos que podem nos elevar, orientar e fortalecer, dando força e brilho ao nosso caminhar.