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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

RESSACAS E REFLEXÕES


             As festas natalinas se foram... Deixaram, no entanto, ressacas físicas,  materiais e emocionais pelo que “festejamos” demais:
- comemos demais porque queremos Ser e Estar fartos fisicamente, saciados de prazer, sem ligar muito para cuidados e restrições, pelo menos nas “festas”.
- compramos demais para ter a impressão de que o novo poderia dar novo colorido à nossa vida, às nossas relações. Compramos demais para dar agrados a quem amamos, demonstrando um apreço, um carinho, que muitas vezes já não conseguimos transmitir, por falta de coragem, por falta de tempo, por falta de jeito... Compramos demais para participar de troca de presentes que signifiquem que estamos algo receptivos, ainda que “ocultos”, para sermos amigos ou pelo menos colegas, para sentirmos que pertencemos ao grupo, que não estamos sozinhos...                                            
- bebemos demais para disfarçar e anestesiar nossas tristezas e carências que parecem doer mais ainda nestas festas familiares. Queríamos tanto nos sentir mais felizes! Se não conseguimos, queremos, ao menos, parecer ou estar mais “alegres”!

            Passada a euforia desses dias, sobrevém a ressaca, que nos dói física, financeira e emocionalmente, em resposta às agressões “demais” que nos fizemos. Ficamos com as indigestões, com as dívidas, com a vaga noção das emoções doces e puras não vividas, porque não tivemos coragem para nos emocionar, porque preferimos fugir, anestesiar...

            A ressaca é o prejuízo, mas podemos não ficar só no prejuízo. Podemos buscar um ganho. Podemos ter algum ganho ao refletir, ao re- passar “nós e o Natal”:
- o que foi o natal na nossa infância, a magia e a fantasia de Papai Noel...
Mais tarde, a perda dessa doce ilusão, mas a descoberta real da força da Família, da marca da Família em nós e a certeza da nossa marca deixada na Família. A busca do encontro com nossas raízes nos atrai a todos, de todas as distâncias e direções, e nos leva à reunião com a Família nesta data de tanto simbolismo amoroso. Chegamos carregados de emoções muitas vezes conflitantes, doces emoções, amargas emoções, mas tentando talvez renovar a esperança, o desejo de conseguirmos transformar alguns grilhões familiares em laços de ternura.

            Observando e refletindo, podemos entender a força da mensagem do Nazareno, sua promessa de felicidade através da busca interior do Reino de Deus, do reino do Amor. No “mundo de César”, um mundo tão violento, agressivo, competitivo, desapiedado, de prazeres só mundanos, ELE apontou o caminho através dos valores do Amor! A incrível vitalidade demonstrada por Sua palavra e Sua vida, tão simples e verdadeiras, superou a força do mundo egóico de César e o conquistou! Mas muito pouco, ainda, o transformou...

            É incrível observar nesta época natalina o quanto “defendemos” e propagamos os Valores do Amor, o quanto nos indignamos e brigamos por eles, o quanto policiamos e condenamos as pessoas à nossa volta por não seguirem os valores do Reino de Deus. Queremos “salvar” o mundo, levar para os outros o Reino do Amor, usando as atitudes, as armas e o julgamento implacável do “mundo de César”! É uma incoerência! Por isso nada se transforma! Ainda não entendemos que esse Reino de Amor e felicidade é interior – só o alcançaremos ao tentar, nós mesmos, um dia de cada vez, vivenciar seus valores de solidariedade, honestidade, ternura, compaixão...

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domingo, 25 de dezembro de 2011

COMO É BOM VIBRAR DE AMOR!



              A incrível experiência de sentir-se expandir para além do físico, da mente, apenas expandir-se, expandir-se... Não dá para falar ou descrever o que é puro sentir, vibrar... Palavras não podem explicar, nem para mim mesma! É uma sintonia, pura sinfonia, extrapolar-se, ir além de mim para um Todo Maior. Que pena que se repete tão pouco, que pena que é tão fugaz!

 Queria segurar esse momento de puro deleite, de uma alegria tão diferente das alegrias do mundo. Quero aprender o caminho que pode me fazer repetir esses momentos. O que pode fazê-los acontecer? Uma doce lembrança, uma paisagem, uma história, um sorriso, alguém, qualquer alguém, algum momento especial...? Se estiver de coração aberto, qualquer um deles poderá favorecer esse milagre de libertar a alma, de acessar a dimensão espiritual, de nos permitir, ainda que por um instante, ascender, acender, liberar a doce Luz de que somos centelhas únicas.

E como ficar receptivo, como ficar com disponibilidade e prontidão para esses momentos de pura magia, de sentir e refletir o Amor? Preciso estar pacientemente atenta à “estática” interior que impede essa sintonia com o Divino em mim. Preciso senti-la, pressenti-la, desmontá-la, com paciência, compreensão, compaixão... e assertividade. É um cuidado pessoal para poder receber essa dádiva especial.

Hoje é NATAL! Comemoramos o dia em que recebemos um Mensageiro Especial, que veio nos mostrar e demonstrar, sendo ele mesmo a Mensagem, que amar é sintonizar com o Divino em nós, que é muito bom, que só o amor pode nos dar Felicidade. Ele nos explicou docemente, amorosamente, pacientemente, que só vivenciando o amor em nós e depois, transbordando-o para o mundo, poderemos sentir tal Felicidade. Só a partir dessa vivência espiritual é que descobrimos e podemos realmente acreditar em nossa origem divina. Esse Mensageiro, JESUS DE NAZARÉ, veio nos mostrar que podemos. Ele nos chamou de Irmãos, porque somos filhos da mesma LUZ. Acredito que precisamos comemorar todo ano a generosidade desse Mensageiro para ver se em algum momento passaremos a acreditar e viver Sua mensagem.

Como é bom vibrar de Amor!
FELIZ NATAL!


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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

PERFECCIONISMO


            Não é uma virtude! Ser chamado de perfeccionista não é um elogio!
A perfeição é uma busca equivocada, um alvo que nos foi ensinado desde criança a ser perseguido como algo positivo, como uma virtude a ser cultivada. Fomos “educados” a acreditar que a perfeição é possível, que só depende de nos esforçarmos mais, mais e mais, de não falharmos... Quando isso acontecia, nos faziam sentir relaxados, culpados, maus, fracos... Aqueles de nós, mais rígidos, que levavam muito a sério essas expectativas, passaram a buscar angustiadamente a perfeição em várias áreas de nossas vidas e nos outros. Ou passamos a incorporar o perfeccionismo como uma faceta do nosso orgulho: “Outros podem falhar, não eu, que sou melhor!”

            A perfeição nos leva a uma luta sem fim, sem louros de vitória, porque sabemos que, não importa o que fizermos de bom, sempre poderia ser ainda melhor! Leva-nos muitas vezes a adiarmos, ou simplesmente  desistirmos, de iniciar projetos, tentarmos a realização de sonhos, assumir papéis e atividades, porque acreditamos que não conseguiremos atingir o nível necessário de perfeição.

            Com estas mesmas expectativas nos relacionamos e então  magoamos, criticamos, até humilhamos, aqueles mais próximos, aqueles que mais amamos! Desistimos de iniciar ou continuar relações porque nossos pares não eram perfeitos como prometeram ou como nós acreditávamos que seriam.

            “Por amor”, passamos adiante as crenças irreais que recebemos, perseguindo, agoniando, desestimulando as novas gerações, perpetuando a utopia da perfeição no aqui e agora.

            Todos precisamos de um norte, algo que nos norteie, que aponte o ideal – a perfeição. Só não podemos é crer na possibilidade real de nós mesmos vivenciá-la agora. É uma tolice arrogante que nos infelicita, tira o sabor de tudo que fazemos, tira a gostosura de nossas relações. Só podemos viver o hoje. E hoje, a minha “perfeição” é o que eu posso.  Estou aprendendo a aceitar minhas possibilidades e limitações Só por Hoje. Estou tentando deixar a prepotência que me humilha por não conseguir ser perfeita e cultivar a humildade e responsabilidade de ser o melhor que posso. É isso que pode me libertar para ser eu mesma e ter boa vontade com os outros. E a vida fica tão mais leve! 


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sábado, 17 de dezembro de 2011

ACONTECEU.....


            Eu estava me sentindo triste, frágil, cansada, irritada, “quase injustiçada” pelas dificuldades que enfrentava. Como eram “meus problemas”, como pesavam em mim, eles me pareciam “grandes problemas”! Irritava-me com os outros, que me invadiam, me atropelavam, me “sugavam”, me tiravam a “graça de viver”! Logo reconheci que precisava rever e reaver meus limites tão desrespeitados e honrá-los, para não me deixar tanto incomodar. Mas me sentia “sem gás”, sem graça, sem vontade para agir. Precisava e queria, mas continuava paralisada, encalhada numa praia feia, triste, desolada...

            Pedi à Energia Superior que abrandasse meu ego irritadiço, lamuriento, acovardado e acomodado, para que eu pudesse usufruir a força,   a boa vontade, a coragem, a energia que emanam de minha Dimensão Interior e me modificar no que fosse necessário. Pedi que me orientasse, que me desse “um oriente”, para recuperar minha energia, meu movimento sadio. Eu queria uma resposta que viesse diretamente para mim! No entanto, a sabedoria amorosa dessa Energia Superior não me chegou como uma doação generosa de um Poder Maior para alguém menor (eu). Ele sabe o quanto podemos e mostrou-me uma situação onde eu poderia descobrir uma resposta.

            Encontrei alguém, especial em sua simplicidade e humildade, vivendo situações especialmente difíceis e dolorosas, que revelou sem perceber sua própria mestria. Encontrei alguém que tinha humildade, abertura, que queria ouvir sobre vida, desafios, respostas, caminhos... Estava aberta para aprender sem perceber que sua história, suas atitudes, suas dores, seus desafios, encarados com tanta generosidade, determinação, perseverança e simplicidade eram, eles sim, motivo de atenção e aprendizado para mim.

Ela, na verdade, não precisava de outras orientações porque acessou suas próprias respostas ao viver com aceitação, coragem e amor os tão difíceis desafios que a vida estava lhe apresentando. E naquele momento ela foi a resposta enviada para mim! A emoção desse Encontro sacudiu-me da auto piedade, abriu caminho através de minhas defesas e reivindicações, fez-me sentir compaixão, ternura, solidariedade... levou-me, enfim, até onde eu precisava – minha dimensão espiritual.

            Ela queria ouvir e aprender, mas também precisava de quem a escutasse. E eu, de quem me relembrasse que as respostas estão na aceitação, humildade, na simplicidade e na força interior que emana de nossa Dimensão Espiritual. Ela nos leva a uma ação amorosa e sadia para a melhor condução de nossa vida. Depende de cada um de nós acessá-la. Isto é fazer a nossa parte!

           SOLTE-SE das lamúrias e querelas do ego e ENTREGUE-SE de mente e coração abertos ao Poder Superior, que se revela utilizando sinais maravilhosos, todo o tempo, à nossa volta. Esteja atento!
E pergunte-se: ATÉ QUE PONTO ISSO É IMPORTANTE?
Quer ser feliz? MANTENHA-O SIMPLES e principalmente,

                                              MANTENHA-SE SIMPLES.


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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

SENTIMENTOS



              Embora nos pareça que os sentimentos eclodem “de repente” dentro de nós, eles, na verdade, assomam em resposta às crenças e pensamentos que temos sobre as situações que estamos vivenciando. Assim, nosso ego é que “cria”, dirige, libera nossos sentimentos ou os nega, bloqueia e  aprisiona atrás das máscaras julgadas adequadas. Esse ego, nosso sistema de defesa, está sempre voltado para fora, atento ao mundo competitivo, material, de ganhos fugazes, de onde poderá vir o perigo (perdas, rejeição) e de onde esperamos receber tudo que pode nos dar prazer e, se possível, felicidade.

            O primeiro sentimento que esse sistema de crenças egóico, defensivo, invasivo, de trocas, cobranças e comparações, faz nascer é o medo: medo de não conseguir, de falhar...
Também somos “assaltados” pela frustração, a raiva, a revolta, por não conseguirmos controlar esse mundo exterior. E a culpa, a vergonha... E a tristeza, a mágoa, o ressentimento de tanto tentar e nada receber... E o desespero de “ter que” tentar mais, mais, e mais... E o sentimento de fracasso, desamor, desvalia, desesperança, quando já se tentou tudo e não se conseguiu nada ... E o desgaste de tentar manter os sentimentos sob controle, negados ou escondidos... o desgaste, o cansaço, a depressão, a confusão, a dor! Esse mesmo ego poderá nos proporcionar, às vezes, compensações  momentâneas, sentimentos prazerosos, ao nos sentirmos vencedores ou possuidores, mas esses prazeres exigem constante luta para mantê-los ou alcançá-los e não afastam o perigo constante de perdê-los.

            No entanto, se aprendermos (e escolhermos) um novo modo de pensar, um novo modo de olhar (para nós mesmos), sem comparações, sem competições... Se apaziguarmos nosso ego pelo entendimento de como ele funciona, sem luta interna ou externa, se ficarmos cada vez mais receptivos à nossa Consciência Interior, se “ouvirmos” sua orientação amorosa, de cooperação, de aceitação... poderemos começar a usufruir novos sentimentos:  sentimentos que nos tragam alegria, paz interior... e gostosura às nossas vidas.

            Já entendi, então, que nossos pensamentos detonam e dominam nossos sentimentos. E entendi que sou responsável pelo que decido pensar e pelos sentimentos que faço nascer em mim!
Mas, e os dolorosos, os que já trago comigo, aprisionados, aderidos a mim? Como descobri-los, tanto tempo estão negados e escondidos? Como livrar-me de sua pressão e das dolorosas impressões que ainda me causam?
Acredito que faz parte do meu processo de auto libertação, a responsabilidade pelo exercício paciente e cheio de boa vontade de estar atenta, de buscar uma nova “escuta” desses sentimentos em mim. É importante trazê-los à luz amorosa de minha Consciência, descobri-los, acolhê-los, respeitá-los. Dando-lhes voz, vou tirando-lhes o poder secreto de me machucarem tanto e posso assim deixá-los ir indo, saindo...

O Compartilhar, numa Sala ou no Mundo, é o que possibilita ou favorece a mudança de crenças e pensamentos necessária para essa transformação interior; favorece também a descoberta dos sentimentos na troca de nossas humanidades e nos dá Coragem para Mudar. O exercício espiritual de cooperação, de honestidade, de aceitação, de buscar crer e pensar com compaixão, alegria, respeito... só poderá “detonar” em nosso interior novos e doces sentimentos.

Fica a importância de uma reflexão constante: O que quero para mim? Que sentimentos quero despertar em mim? A escolha é minha! Essa é a minha responsabilidade!

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

TRAZENDO O FOCO PARA MIM


             Algumas vezes me pego pensando, triste e controlada ou descontrolada e revoltada: Meu Deus, que mundo é esse!? As pessoas se mostram tão difíceis! Algumas são muito possessivas, outras mal intencionadas, agressivas, falsas, mentirosas; outras ainda, caluniam, são maldosas, manipuladoras... Elas decepcionam, irritam, nos mantém inseguros nas relações... Ai, que mundo! Parece-me, então, injusto que eu tenha caído por aqui! Mas, na verdade, é o meu mundo, mundo do qual eu faço parte por algum bom motivo que um Poder Superior em Amor e Sabedoria assim determinou!

            Quando me prendo a todos esses aspectos negativos das pessoas e dos fatos, fico, é claro, com uma visão também muito negativa da vida. E se permaneço com o foco fora de mim, nesse mundo que vejo tão torto e errado, torno-me cada vez mais negativa e reativa. Quando me sinto ameaçada ou atingida pelo mundo exterior, reajo a ele em pensamentos, sentimentos e comportamentos de defesa e revide. Mas, toda reação é uma forma de prisão. Quando reajo não estou com as “rédeas de mim”, não estou livremente escolhendo como pensar, sentir ou agir. Se conseguir nessa hora não tomar atitudes, se conseguir esperar a “onda” do descontrole  passar para poder “ouvir” a voz cheia de sabedoria de minha Consciência Interior, ela irá me sugerir que “traga o foco para mim”. Só assim poderei  reassumir a direção de mim mesma na busca da liberdade.

            Trazer o foco para mim é poder “ver” como estou reagindo às circunstâncias e às pessoas em minhas relações; é tomar conhecimento, tomar pulso de mim mesma e isso é o que interessa, porque só posso modificar a mim! É de mim que devo cuidar! Essa é uma responsabilidade só minha! Preciso, realmente, entender que, se me decepciono, se me magôo e fico ressentida é porque ainda jogo expectativas nos outros, na vida... e sou a única responsável por essas expectativas que eu mesma criei! Se me irrito e me sinto tomada pela raiva, é porque estou com dificuldade de aceitar fatos contrários ao meu desejo, pessoas diferentes de mim ou de como desejei que fossem ou porque deixei que invadissem meu espaço, meu tempo, minha vida. Assim, não vivo como gostaria, nem tampouco deixo que vivam e assumam suas próprias responsabilidades!

            Trazer o foco para mim é deixar baixar a poeira emocional que me turva a visão, respeitando aquele momento “errado”, reativo, descontrolado, para poder estar realmente comigo: é escolher deixar de me envolver em jogos de poder, verdadeiros “cabos de guerra”, e desistir de querer vencer, ter razão, ter “última palavra” nas discussões, nas relações; é escolher não ser um “normótico”, competitivo, num mundo “normalmente” tão torto e agressivo.

            Trazer o foco para mim é aprender a perdoar-me por não ser, ainda, quem gostaria de ser e então, acolhida e aceita, poder perdoar aos outros por eles serem, ainda, quem são. É ter a possibilidade de acessar meu poder interior e encontrar coragem para modificar o que posso em mim: minha assertividade nas minhas relações. É poder descobrir que tenho voz e decidir usá-la por lealdade a mim e honestidade com os outros.

            Trazer o foco para mim é poder perceber o quanto estou permitindo trazer o passado, com seu peso de raivas, mágoas, culpas, vergonhas... para o agora, fazendo-o tão presente e ainda atuante em minha vida.

            Trazer o foco para mim é me permitir um constante, delicado e atento contacto comigo mesma, com minha humanidade, com minhas dores e meus dons, com minhas prisões e minhas possibilidades de libertação interior. E então descubro um paradoxo: quanto mais trago o foco de minha atenção dessa forma amorosa, para mim, melhor consigo entender, aceitar e me relacionar com os outros!

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

DESCONTROLE


             Sentimentos negados, guardados, sufocados... “voltam sempre a incomodar”! Eles são pedaços congelados de nós que se revelam de improviso, num repente, nos dão uma rasteira, nos assombram, fazendo reviver questões do passado com a mesma intensidade emocional de então.
Foram medos de rejeição, de não valorização, de não aceitação... Foram frustrações pelo tanto que tentamos e não conseguimos... uma grande raiva pelo que não entenderam... uma grande mágoa por não reconhecerem nossos esforços... uma grande vergonha por termos falhado...

Banalizamos, minimizamos tudo isso, racionalizando, explicando, justificando...e mais uma vez, negando-os e amordaçando-os: “Superei, nem ligo, nada disso vale a pena, dei a volta por cima...”
Parece tudo sob controle, até que uma determinada situação, talvez em algum aspecto semelhante às do passado, sacuda nossas muralhas defensivas e abra uma brecha por onde uma avalanche de sentimentos reprimidos nos atropelam, descontroladamente. E reagimos então com agressividade descontrolada, desproporcional ao fato atual. E ficamos humilhados, confusos, decepcionados conosco mesmos, sem entender nossa “recaída”. E magoamos e continuamos magoados, ressentidos! Talvez possamos sentir um alívio momentâneo com essa descarga, com esse breve desbloqueio emocional, mas só até nova crise, até novo descontrole.

Esse processo perverso nos desgasta muito, trazendo novas esperanças que se frustram e nos frustram a cada nova crise e vão corroendo nossas relações. Ficamos andando em círculos, peregrinos perdidos e prisioneiros das emoções reprimidas, mascarando sentimentos e  sempre prontos para reações disfarçadas ou descontroladas. Andamos muito, mas não caminhamos!

            Como nos libertar? Lembro-me do 7º Passo dos Anônimos que nos sugere substituir a humilhação do descontrole pela humildade de pedir auxílio à Sabedoria de um Poder Superior que nos libere dessas imperfeições, dessas dificuldades... E Ele, que nos sente, nos ouve e nos habita, aponta o modo e a direção – uma caminhada perseverante, paciente, gentil, bem humorada e amorosa por nosso Mundo Interior!


                                                                                              
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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

AUTO – ENGANO



           O que é mesmo que vim fazer aqui?

           Esquecidos de nossa origem divina, nos distraímos e ficamos prisioneiros de um mundo material, de seus prazeres, das certezas e dos saberes do ego, da forma, enfim, que fomos condicionados a viver. Os fatos da vida, no entanto, nos emitem sinais, nos chamam a retomar nosso caminho, a buscar o Despertar de uma Espiritualidade que nos aponta a felicidade ao vivenciarmos a Liberdade e o Amor. Apesar disso, permanecemos, quase sempre, surdos, distraídos desses chamados – e nos perdemos...
Parecemos enfeitiçados, hipnotizados, paralisados, enganados, pelos prazeres, disputas e conflitos de um mundo que é apenas passagem e não moradia! Esse mundo que nos engana com promessas a curto prazo de prestígio, sucesso, poder, posse ...

            O perigo, no entanto, não está na força e constância dessas promessas, mas, sim, em nós mesmos. É nossa própria voz que nos engana. A voz que advoga as razões do ego mundano; a voz que tudo explica e até justifica; a voz do auto-engano, que nos afasta de quem, realmente, somos, de como estamos; a voz que grita bastante alto para não me deixar ouvir uma outra voz, a voz da minha consciência espiritual, aquela que poderia me conduzir a patamares de vida mais felizes, verdadeiros e menos conflituosos.  Quando assim me distraio, eu me engano e me perco de mim mesma, do meu caminho, do que busco. Pior que paralisada, fico perdida, desnorteada... Até quando?  O momento do redirecionamento é sempre Agora! Ainda que o caminho possa parecer difícil, não quero me justificar e me enganar. Quero a Verdade para orientar meu olhar e meu caminho, porque acredito que só ela me libertará!

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sábado, 26 de novembro de 2011

CONFLITOS FAMILIARES II - UMA OUTRA OPÇÃO


             A Família ficou disfuncional porque se desestruturou, se desorganizou, misturou espaços, papéis ... ou ficou “engessada”, rígida, presa ao passado, presa ao que creditava ser o correto desempenho de seus papéis, presa às suas “verdades” indiscutíveis... ou se diluiu num “salve-se quem puder”... Ela não consegue mais uma comunicação simples e honesta entre seus membros. A Família está em grande sofrimento, ainda que tente negar e a seus membros pouco reste, a não ser “... a ventura de parecer aos outros venturosa.” A Família não sabe como mudar, a não ser tentando mudar uns aos outros. E, Por Amor, tentamos muitas vezes até o fim: o fim da saúde, da ternura, da gentileza, da alegria, da esperança...

            Mas finalmente, depois de muita dor, entendi:  Não posso “salvar” minha Família! Não tenho o poder de modificá-la ou a qualquer de seus membros, por mais que os ame! Não sou incompetente, sou apenas impotente perante os outros! Entender isso faz  toda a diferença. Entender que somos únicos, com pedaços de nossas histórias em comum, mas caminhos individuais a percorrer. Podemos nos enriquecer mutuamente ou nos perder...

             Mas, afinal, como mudar? Quem muda? Muda aquele que estiver mais incomodado, aquele que a dor dos conflitos conseguir quebrar a arrogância do ego e, com humildade, finalmente entender: Só posso mudar a mim, ao modo como me relaciono em Família!  Então, “Que comece por mim”! O que posso fazer é procurar me conhecer, entender meus papéis (os que me deram, os que aceitei, os que eu mesma forjei), confrontar-me com minhas perdas, danos e ganhos nesses jogos “amorosos” e  perversos de poder, reconhecer minhas expectativas e cobranças em família. Posso, também, aprender a me respeitar, delimitando meu espaço, estabelecendo meus limites e, honestamente, comunicando-os ao grupo.

            Só posso, realmente, mudar a mim, mas quando o faço, liberto-me dos grilhões que me sufocam e escolho ir estabelecendo laços amorosos, “arejados”, livres e ternos com meus familiares. Estarei dando à minha Família um referencial diferente de relacionamento, com respeito e honestidade. Passo a ser um elo de sanidade num sistema ainda adoecido; um membro respeitoso e amoroso que exerce sua auto-responsabilidade, é assertivo e por isso jamais cobra. Com o tempo talvez os inspire, talvez não. Sem discurso, sem orientação, sem promoção... apenas uma possibilidade de atração. Essa é a minha parte, minha responsabilidade comigo mesma e com a  Família.

            Acredito que um Poder Superior aprovou que nos encontrássemos  em família. Por impossível que, às vezes, nos pareça, essa Sabedoria Maior  acredita que aí poderemos florescer. A força dos laços que nos unem se fará sentir para sempre em nossas vidas. Cabe a cada um de nós decidir que tipo de laços escolheremos e  nos responsabilizaremos por manter.

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terça-feira, 22 de novembro de 2011

CONFLITOS FAMILIARES I



             A Família é um grupo humano. Os grupos, em geral, têm a função de acolher, proteger e orientar seus membros de acordo com seus propósitos.
Eles se organizam, possuem uma hierarquia, criam regras, determinam papéis, comunicam suas expectativas, esperam lealdade às suas crenças e ao grupo. A Família é um grupo especial, na medida em que seus membros estão unidos por laços afetivos, embora nem sempre de escolha voluntária ou por parentesco sanguíneo. Ela nos acolhe, cria, protege, nos passa seu sistema de crenças -  tudo em que acreditam e “sabem” sobre o mundo, Deus, as pessoas e nós mesmos. Internalizamos essa “marca da família” e é através dela que iremos viver, fazer escolhas...

            A função da Família seria servir de ninho a cada um de nós, para que pudéssemos atingir nosso propósito de vida: libertarmo-nos de nossas amarras interiores e anteriores e florescer, desenvolvendo nossos dons únicos, de seres únicos, em busca da felicidade, em contínua evolução.
Nesse processo é tão importante cuidar, proteger, ensinar, como garantir espaço, liberdade (com respeito aos limites na vida de relação) e Amor (carinho, elogios, atenção, verdade, ternura... )

            Mas o que é Felicidade para cada família? Num mundo material e materialista, competitivo, com o foco de atenção fora, buscando sucesso, aprovação e valorização, com crenças repetidas através de gerações e expectativas idealizadas, irreais, sobre seus membros, a Família acredita que “sabe o que é melhor” para cada um e que, “por amor”, tem o poder, o direito e até o dever, de modificá-los, direcionando-lhes o que pensar, sentir e agir. Em família, acreditamos que somos responsáveis pela felicidade de quem amamos (e eles pela nossa!) e se atendermos às expectativas de cada um e do grupo, seremos valorizados, amados e teremos cumprido nossa missão! Baseados nesse tipo de crenças, Por Amor e para Ter Amor, aprendemos a negar aspectos de nós mesmos ou a escondê-los sob máscaras. Passamos a viver em constante luta para nos controlar, para controlarmos uns ao outros e para fugirmos ao controle!

            Se a Família for rígida (ou algum de seus membros) e tentar cumprir à risca toda essa “missão impossível” de controle, a hierarquia será rígida, as regras serão rígidas, os papéis rigidamente definidos e “congelados”. Não conseguirá se adaptar às mudanças naturais decorrentes do ciclo de vida da família: nascimentos, casamentos, mortes, adolescência, aposentadorias, divórcio, re-casamentos, desempregos... bem como aceitar as diferenças individuais de seus membros. Ao longo dessa luta constante, a comunicação se perverte, servindo às disputas pelo poder, pela razão. É utilizada para cobranças, lamúrias, estratégias (segredos, mentiras, manipulações...).

Todos, que tanto se empenham em suas relações familiares, ficam desgastados, ressentidos, confusos... porque sentem-se cada vez mais distantes daqueles que mais amam! É muito doloroso!
E nos perguntamos: Onde erramos? De quem é a culpa? Quem tem que mudar? Precisamos achar um “bode expiatório”, porque assim tudo se explica e a Família não precisa se olhar! Continuamos analisando uns aos outros, apontando erros, emitindo julgamentos, condenando ou nos defendendo... e nada muda! Às vezes, continuamos juntos, em conflito, até que a morte, misericordiosamente, nos separe; noutras, permanecemos superficialmente juntos e, em outras ainda, simplesmente desistimos, nos desligamos, abandonamos – para sobreviver. Mas, mesmo assim, carregamos a mágoa pelo que não conseguimos de amor e um sentimento amargo, disfarçado, de tristeza, fracasso e deslealdade com a Família. Podemos tentar recomeçar em outro lugar, com outras pessoas, formando novas famílias – para vermos, confusos, tudo se repetir!  
Será que Família - só em retrato?


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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

LIBERDADE E EVOLUÇÃO



              Movimento, mudança, transformação, evolução. Todo o universo é assim – e nós também! Estamos todos, sempre, em constante processo – evoluindo. Esse é o sentido da Vida! Para onde? Acredito que para a Perfeição, para a Felicidade, para a Luz Maior. Quando? Onde?... em aberto.Como? Entregando-nos ao processo, procurando entendê-lo em nós mesmos, facilitando, acreditando... e jamais abrindo mão da Liberdade interior, característica da centelha divina que somos, nessa caminhada para a Luz Maior.

            Todo esse aprendizado passa pela libertação das amarras do instinto, das crenças materialistas e competitivas, dos sentimentos bloqueados e escondidos, dos comportamentos repetitivos e copiados e pela busca de um despertar espiritual através de todo esse processo. Mas tudo só pode acontecer a partir de nossas Livres Escolhas. Para fazê-las, precisamos exercer nossa criatividade, refletir, sermos honestos e corajosos. Escolhas são como semeaduras. Escolhemos livremente as sementes e tornamo-nos responsáveis pelo que fazer com o que colheremos. Desse processo natural nasce a possibilidade do aprendizado. Podemos ainda escolher livremente como analisaremos os resultados quando eles não forem os esperados. Podemos escolher, também livremente, nos fechar em revoltas e negações, em nosso orgulho e arrogância, culpando os outros, o mundo, Deus, por nossas decepções, humilhações e azares. Mas podemos, ainda livremente, reconhecer nossas avaliações erradas e, humildemente, abrir nossas mentes racionais para poder “escutar com o coração” o que nos for intuído por nossa Consciência Espiritual. É assim que fazemos descobertas, aprendemos, mudamos, nos transformamos e evoluímos. Os repetidores, os preguiçosos, as dóceis criaturas que só obedecem, que jamais ousam pensar ou fazer do seu próprio jeito, que não se arriscam, que não se revelam realmente, são bastante aceitos socialmente, mas permanecem na aba dos outros, buscando aprovação, se eximindo de qualquer “culpa” ou responsabilidade e permanecem à margem do processo, encalhados, com grande dificuldade de crescer.

            Em nossa dimensão física, animal, somos regidos pelo instinto para saciar nossas necessidades básicas, materiais. Nossa dimensão psíquica  nos torna curiosos, indagadores, estudiosos, podendo ousar fazer diferente, livres no pensar, em busca de novos patamares de conhecimento, alavancando nosso progresso material, científico e tecnológico. Nesse processo utilizamos nossa inteligência racional, adquirindo grande saber, ainda que com pouca Sabedoria. Esta é mais abrangente. Ela deriva do saber anterior que adquirimos, mas que precisa atravessar nossa dimensão espiritual, amorosa, livre, para ali ganhar sentido e significado e assim nos levar a evoluir. Por isso, ela vai além do progresso material, do saber científico, das mudanças de comportamento, da “domesticação” dos instintos. Sabedoria, Evolução,envolvem transformações. Para isso precisamos nos remeter livremente, amorosamente, ao nosso mundo interior em busca de uma sintonia cada vez melhor com nossa Consciência Espiritual, que poderá nos libertar e transformar.

            Torna-se necessária uma atenção cuidadosa, uma escuta destemida, Livre, desse mundo velado, escondido, dissimulado, de nossos pensamentos e sentimentos mascarados.
 - tenho noção que escolho livremente, a cada instante, o que pensar ou sentir? E o que ver e ouvir no mundo a minha volta?
 - consigo perceber que quando não faço escolhas, até isso, é uma decisão que escolhi livremente?
 - como escolho lidar com os pensamentos e sentimentos detonados nessa interação com o mundo exterior?
 - como escolho me relacionar comigo?
 O que escolho: Ser rígido, poderoso, ter razão, saber mais, competir... Ou ter abertura, humildade, poder descobrir, mudar, transformar, evoluir...?
Para onde minhas escolhas poderão me levar? Para o frio e brilhante sucesso mundano, para a estagnação conflituosa ou para a Luz e a Alegria amorosa? É importante haver coerência entre o que desejo colher (felicidade) e as escolhas que, livremente, estou semeando!

            Estamos em processo. Querendo ou não, com maior ou menor  dificuldade, estamos a caminho. Apenas na infância e na velhice nossas atitudes ficam em parte cerceadas por condicionamentos físicos e legais. Na adolescência “descobrimos” nossa capacidade de ser livres, nos deslumbramos e assumimos atitudes de desafio, confronto, irresponsabilidade. Sentimo-nos confusos... Como jovens adultos, começamos a colher os frutos da liberdade irrefletida. São os primeiros sustos, as primeiras dores, as primeiras oportunidades de aprendizado.  Adultos e pela maturidade, já “amaciados”, podemos entender que escolhemos livremente nossos destinos: ficar congelados em nosso orgulho, teimosia, revolta e preguiça ou caminhar atentos, humildes, com boa vontade e Sabedoria... evoluindo!


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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A SÉTIMA TRADIÇÃO. AUTO-SUFICIÊNCIA “ANÔNIMA”



                        Envolvidos num mundo tão material, lutamos, compramos, manipulamos, perdemos, às vezes até vencemos... mas não fomos felizes.
Um dia, encontramos esse Programa de 12 Passos, um programa de busca Espiritual. E ele nos nutre, nos toca, nos satisfaz, porque é espiritual!. Tão envolvidos estamos com nosso mundo material, que não nos damos conta que somos seres espirituais, apenas numa passagem material! Atuamos temporariamente nessa dimensão, mas pertencemos à outra!

                        A sétima tradição, no entanto, nos sugere que estejamos atentos a essas duas realidades. Assim, ela nos sugere buscarmos auto-suficiência nos dois aspectos onde atuamos.

                        A busca da auto-suficiência me leva à Responsabilidade de
cuidar de mim, e de, juntos, cuidarmos do Grupo, da Irmandade. E isso nos garante independência e liberdade. Ao atender a essa sugestão estamos exercitando e desfrutando princípios que nutrem nossa dimensão espiritual. Esse exercício nos proporciona a descoberta de que podemos, de que temos capacidade, eficiência, que somos responsáveis...

Depois de tanta “incompetência”, lutas, desencontros, dores,
abandono, fui acolhida, entendida, aceita. Por isso quero estar aqui, quero aprender e desfrutar tudo que a riqueza desse programa e desse grupo podem me proporcionar; quero levar essa mensagem de felicidade... Estou começando a entender que para eu ter o sentimento de Pertencer a tudo isso, preciso sentir-me participando, fazendo parte. Não quero ser alguém “de fora”, uma eterna visitante! Estou descobrindo o desejo de tomar parte e assumir serviços. Estou desfrutando a satisfação de poder estar junto e o gosto de me sentir competente. Esta participação, a realização, o Servir, me fazem sentir que sou capaz, que aceito compromissos, que sou confiável!

                    Ter participação também nos gastos de uma sala ou nos gastos diversos inerentes a Divulgação e ao “Levar a Mensagem” é atender às imposições de nossa materialidade para poder atingir nossos objetivos Espirituais. É importante atentarmos para a suficiência; por tempo demais nos sentimos “insuficientes” em vários aspectos de nossas vidas. Precisamos de cada um na contribuição material, na objetividade dos serviços, na espiritualidade do compartilhar. Para darmos continuidade a esse caminhar, para podermos estar juntos, desfrutando e transmitindo forças e esperanças, precisamos realmente do material servindo ao espiritual. Precisamos, todavia, estar atentos para a “suficiência sem excessos” de dinheiro, coisas, projetos puramente materiais, personalismos... para que não percamos o foco da espiritualidade que buscamos, para que o excesso material ou pessoal não venha a gerar luta pelo poder, controle, prestígio... velhos conhecidos que não nos trouxeram felicidade.

                        Comprometidos em entender, aprender, exercitar nossa auto-suficiência grupal, estaremos nos nutrindo de respeito, solidariedade, generosidade, responsabilidade, lealdade, fidelidade, Gratidão... Estaremos imersos no processo do Despertar Espiritual.

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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

MEDO



             Sentimento básico, primal, que nasceu da minha equivocada percepção de separação, de isolamento, de incompletude, de não pertencimento a Algo Maior. Sentimento que nasceu instintivamente e me fez criar defesas contra o que, me parecia, estava fora, separado de mim: os outros, o mundo, o amanhã, o desconhecido, o escuro... Assim é o medo que, ao querer me proteger, me cerca, me tolhe, me aprisiona. Medo que me faz negar, brigar, agredir, fingir, mentir... Medo que faz eu me defender do que está fora e, ao mesmo tempo, me faz lutar para não perder tudo e todos que fui buscar lá fora para, eu acreditava, me completarem! Medo e agonia com essa grande confusão interior!

            São tantos medos...
- medo de não ser bom o bastante, de ser derrotado, do desamor, do “desvalor”...
- medo de ser livre, de assumir minhas escolhas...
- medo da solidão, do sentimento de desconexão com os outros, com tudo, com o Todo.
- medo do abandono, da perda, da separação, da saudade...
- medo de amar, de sentir, de ouvir... e doer.
- medo de dizer, de me revelar... e decepcionar, perder ou fazer sofrer.
- medo de ousar pensar diferente, fazer diferente... e falhar.
- medo da grande vergonha de não ser aprovado, valorizado...
-medo de acreditar e estar enganado; medo de ser enganado...
- medo de me ver, do que ver, do meu mundo interior, de ir descobrindo quem sou...
- medos, medos... São tantos mais...

            Mas, acredito que eles irão perdendo o poder de me paralisar na medida em que vou conseguindo percebê-los, aceitá-los, entendê-los, nomeá-los – olhá-los de frente! Na medida em que vou abandonando as crenças equivocadas e irreais, os “tenho que” idealizados, partindo para a ação de modificar “o que posso”.

É ocupar-me com a realidade do Agora, soltar-me das lembranças ruins do passado e das possibilidades terríveis do futuro. É, principalmente, mais e mais, internalizar a certeza de minha origem sagrada e de minha ligação com tudo e todos. É o exercício de me ver e aceitar como uma criatura única, inteira, completa, que faz parte e está conectada a um Poder Maior!

Nos momentos em que o medo ainda se fizer presente e tanto  maltratar, “Solte-se e Entregue-se a Deus” , lembrando:

 “Tudo posso Naquele que me habita, me fortalece, me consola...”


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domingo, 6 de novembro de 2011

VOCÊ, QUE ME ACOMPANHA...



            Você, que nem sei o nome...
            Você, que nem conheço a expressão...
            Você, que sinto junto a mim, mas não habita em mim...
            Você, que acompanha meus passos e meus tropeços...
            Você, que tenta me proteger de mim mesma, até onde eu deixo, até onde você acha que deve.
            Você, que, mesmo quando me fecho e não quero ouvi-lo ou senti-lo, quando me rebelo e caio, ainda assim, você permanece paciente, esperando uma brecha em minhas muralhas para que possa, de novo, tentar orientar-me.
            Você, que “tira a mão”, respeita minha liberdade e permite que eu caia, quando sabe ser, aquele, o momento do aprendizado maior – o aprendizado da humildade. A humildade, que possibilita todos os outros aprendizados.
            Você, a quem me apego nas horas do medo, buscando o conforto, a certeza de que não estou sozinha.
            Você, o irmão mais próximo a quem fui confiada por um Irmão Maior e pelo amor de uma Luz Maior, numa maravilhosa hierarquia de Luz, numa incrível cascata de Amor!
            Você, a quem foi delegado o cuidado de me acompanhar, cuidar, não me deixar tão só, num mundo tão egóico e material.
            Você, que todos, em todos os lugares, culturas, religiões, nos ensinam desde a infância a reconhecer a existência e o nomeiam: Anjo que nos guarda, Guia ou Mentor espiritual, Gênio do bem, Deva...
          
            A você, todo o meu carinho, minhas desculpas pelo trabalho que tenho dado, minha eterna gratidão e a esperança de num tempo, um dia, poder melhor vê-lo e abraçá-lo!

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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

CORAGEM PARA SER HONESTO


             Haja coragem! Fui ensinada a me esconder da Verdade. A Verdade era perigosa! Podia nos criar problemas! Por ironia, era exigido sermos honestos e verdadeiros, mas quando isso acontecia, éramos, muitas vezes, castigados, rejeitados, desprezados, pelas atitudes, pensamentos ou sentimentos revelados. Só podia a verdade “aceita e combinada”. Qualquer outro tipo de verdade passou a ser escondida dos outros, escondida “em mim”, escondida até de mim. Com o tempo, muitas foram de tal forma negadas, que perdi o contacto com elas, prisioneiras, reféns que foram, dessas máscaras, familiar e socialmente aceitas. Essas máscaras é que me defendiam nesse mundo competitivo, de lutas... A honestidade ficou só para “uso externo”. Minha relação comigo mesma ficou cheia de “remendos e buracos”. Sentia-me sempre faltando pedaços e sobrando “lantejoulas e purpurinas”. Era desleal a mim... e aos outros! E quando isso acontece, as relações tornam-se superficiais, estudadas, com estratégias de defesa e ataque. Não entregamos nosso ouro, nossa verdade... nem o Outro! Às vezes, perdemos o controle de nós mesmos e um pedaço de nossos segredos transborda em rompantes, mas nós tratamos de reverter a situação culpando os outros ou situações pelo descontrole... Outras vezes, num momento de “fraqueza”, deixamos transparecer um pouquinho de nós, mas logo nos arrependemos porque isso nos é cobrado. Cuidado! “Tudo que você falar poderá ser usado contra você”!

Assim é. Assim tem sido. Mas não precisa continuar a ser!
Hoje, quero ir me libertando dessas amarras, quero sentir-me inteira, verdadeira. Quero resgatar essas partes de mim acorrentadas pelo medo! Quero ser leal a mim! Quero aprender a dar voz a mim! Dar voz aos meus sonhos, às minhas idéias, aos meus sentimentos... Quero aprender a dizer Não sem culpa e Sim sem me sentir vítima, sem cobrança, sem manipulação, sem desonestidade...
Mas, como é difícil! Quanta coragem é preciso para ir, Um dia de cada vez, Um momento de cada vez, abrindo mão da segurança da prisão para enfrentar os desafios de libertar meus “segredos”, alguns bem mais difíceis que outros!

            “De repente ser livre até me assusta...”, mas vale à pena!
Todo esse processo interior se reflete nas minhas relações com o mundo exterior. A força da necessidade cada vez maior de ser leal a mim, de ser honesta comigo mesma, me leva à necessidade de ser honesta com o Outro.
Não importa que o Outro continue a se esconder!
Não posso obrigá-lo a ser verdadeiro!
Não posso modificá-lo!
Mas minha Coragem para ser honesta torna-se uma referência diferente em minhas relações. A gostosura de minha Liberdade sendo conquistada e desfrutada pode ser uma tentação, uma meta a ser também buscada.
            “... e a Verdade vos libertará”!


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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

NÃO DEIXE TANTA VIDA PRÁ DEPOIS...


O momento é agora!

-para dizer do meu amor
-para um toque, um carinho; prá ternura...
-para chegar, cooperar, servir...
-para deixar o medo de lado e ficarmos juntos
-para um passeio com as crianças, mesmo durante a semana, mesmo em horário de trabalho e em horário de aula!
-para contar aos jovens histórias da nossa história, da nossa Família
-para rirmos juntos de lembranças gaiatas
-para parar tudo e Ouvir...com interesse, sem “achar” nada, sem “dar retornos”, apenas ouvir...
-para uma gentileza, um mimo...
-para um elogio, um encorajamento
-para compartilhar um lanchinho especial
-para uma caminhada, rindo, leves, soltos, debaixo de chuva fininha...
-para sairmos à toa, sem rumo certo, apenas sairmos...
-para tantas outras gostosuras... É a parte boa, leve e doce da Vida.

Não espere que alguém, ou algum momento especial, chegue para nos fazer felizes. Faça e desfrute o que é bom, Agora! Amanhã, talvez já não nos tenhamos, ou não tenhamos a oportunidade ou até mesmo o desejo de estarmos juntos! “A Vida pode afastar nós dois”

A parte dolorosa, os desafios para o aprendizado, logo, infalivelmente, virão. Precisamos nos fortalecer com sorrisos, carinhos, doçuras e amores para atravessá-los.

É importante desfrutar da benção de estarmos juntos, de termos nos encontrado!

“Não deixe tanta vida prá depois...”


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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

ESSE FILME É MEU ?



             Muitas vezes, quando amava, acreditava que era responsável pela felicidade daqueles que amava! Acreditava ser minha obrigação cuidar e guardar a paz familiar e até de outros ambientes que freqüentava. Acreditava que sabia o que era melhor para cada um e para todos. Afinal, eu os amava! Afinal, eu sabia mais, tinha sempre razão e muito bom senso!

            Nessa tentativa de controle, por amor, ficava atenta a assuntos que não eram meus, tomava a frente e queria dar soluções a problemas que não me diziam respeito, interferia em discussões que não eram minhas, invadia relações e pessoas, “com a melhor das intenções”... por amor e até por dever!

            Hoje, já entendo, o que não percebia: minha prepotência, minha arrogância, em achar que sabia mais, que minhas idéias e soluções eram as melhores, que a família dependia de mim para decidir o que era adequado à paz familiar. Hoje, vejo que os tornava dependentes de mim e que eu, embora clamasse e reclamasse que tudo “acabava nas minhas costas”,  precisava que precisassem de mim para me sentir importante e necessária, para que tudo fosse sempre do meu jeito! Hoje, vejo que essa dependência das minhas intervenções, embora às vezes lhes fosse cômoda, humilhava-os e favorecia que mantivessem baixa a auto imagem, a auto confiança e a auto estima. Hoje, entendo que cada um de nós tem a capacidade e o direito de ir aprendendo a resolver suas questões e relações, a seu tempo, do ser jeito.

            Embora já tenha entendido, é importante o exercício de estar atenta a mim mesma, todas as vezes que desejar dar um “palpite” que não foi solicitado ou me enredar e permanecer ligada em questões dos outros, mesmo que tenha sido solicitada.

           É o momento de me perguntar: Esse filme é meu?

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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A VOCÊ - NÃO BRIGUE COM SUA LUZ



               Não a ache ridícula, tola, piegas... Não se envergonhe dela! Não tente sufocá-la, distrair-se dela, fugir dela! Não tenha medo das doces emoções que o levam às lágrimas, que expandem seu peito de pura energia amorosa e o impelem, amorosamente, em direção das pessoas e do mundo, que revelam o seu íntimo solidário e compassivo. Resista à opressão dos modismos e da mídia, porta vozes dos valores materiais, da força física, que são exaltados pelo mundo competitivo, agressivo, consumista de coisas, pessoas... Eles tentam nos desviar, nos distrair, de nossa Luz. Não aprisione sua Luz atrás de um semblante fechado, mal humorado, preocupado, zangado, indignado... Sorria, permita que Ela brinque e brilhe no seu rosto, dance à sua volta, buscando outros sorrisos...
            
                 Essa Luz manifesta-se tão intensa, que chega a doer fisicamente quando você se fecha, tentando bloqueá-la. Os músculos se retesam, a garganta se fecha, os olhos ardem e teimam em nos trair, deixando transbordar emoções que não conseguimos negar. Sentimo-nos mal, com essa estranha e esquisita sensação a que, infelizmente, já nos desacostumamos, tentando ser duros e vencedores, tentando não “pagar mico” com fraquezas, tentando sobreviver...

            Mas você foi criado para vôos maiores! Respire fundo, descruze os braços que travam seu peito, tentando travar suas doces emoções, e Solte-se, Entregue-se a sua Luz! Ela é a sua necessidade de amar, de ser generoso, terno, gentil, acolhedor... Sua Luz revela-se na sua capacidade de emocionar-se, enternecer-se. Não é fraqueza, pelo contrário, é sua força! É uma Força Original, Essencial, capaz de libertá-lo, transformá-lo, e de fazê-lo iluminar o mundo à sua volta. É a Luz do Sagrado que habita em você!

            Não brigue com sua Luz! Desfrute-A, compartilhe-A e seja feliz!



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sábado, 15 de outubro de 2011

À PROCURA DO AMOR II - O Foco Interno. Auto estima.



            A imensidão da dor de nossos impasses internos é o instrumento que  possibilita abrir, “quebrar”, nossas mentes fechadas, flexibilizar nosso ego arrogante e tirar-nos da fixação da busca exterior.

Existe uma nova direção para reiniciarmos a procura do Amor, da felicidade que ele significa em nossas vidas? Nós, Anônimos, acreditamos que sim! Aliás, esse outro caminho já foi sinalizado muitas vezes, através dos tempos e por seres plenos de muita sabedoria (e entendidos em Amor!). É a busca interior, é trazer o foco de nossa atenção para nós mesmos!

            Para iniciar a tomada dessa nova direção, o primeiro passo é nos responsabilizarmos por nós mesmos.  1º EU 
Entender, acreditar: Eu sou minha responsabilidade!
Preciso de amor para ser feliz e é minha responsabilidade cuidar amorosamente de mim!

Para amar precisamos conhecer, entender, aceitar... Nessa nova busca, é necessária uma nova escuta e um novo olhar, honesto, “minucioso e destemido”, cuidadoso, atento, gentil. É um paciente e amoroso trabalho para nos irmos libertando das muralhas disfarçadas a que nos aprisionamos. Primeiro, eu preciso ir desvendando a pessoa que eu sou, que se esconde sob máscaras, segredos, mentiras... Que sentimentos escondidos, amordaçados, esquecidos, são esses que me agoniam, que me tiram a alegria de viver, sem que eu entenda bem o porquê? Que crenças equivocadas fazem de mim um eterno pedinte de amor, um eterno competidor? Que características trago ou conservo em meu caráter que reforçam, ou me mantêm, nesse lutar inglório que só me desgasta e entristece?
Preciso abandonar o individualismo que me mantém em luta contra tudo e contra todos e entender que é mais gratificante cuidar atenciosamente de mim, descobrir minha individualidade.

            Auto estima é o resultado da busca do autoconhecimento com o exercício da auto aceitação, do auto-respeito. É possibilitada pela constância em nos mantermos interessados, focados, atentos, a tudo que vamos descobrindo em nós... Todo esse processo nos leva à revisão de nossa história, a um novo entendimento que vamos tendo do nosso passado, ao auto perdão, às reparações.  Traz-nos, também, entusiasmo com todas as novas possibilidades que passamos a vislumbrar para nossa vida a partir da valorização de nossas superações, pequenas ou grandes. Leva-nos a descobrir, estabelecer, comunicar e honrar nossos limites – leva-nos ao auto-respeito, à auto valorização.

            Auto estima é a gostosa intimidade que vamos desfrutando nesse caminhar, paciente e bem humorado, mas firme, honesto e assertivo, com total lealdade a nós mesmos.
Auto estima é um estar amoroso conosco, com compaixão, gentileza e ternura. É nos sentirmos cada vez mais inteiros, tranqüilos, adequados a quaisquer circunstâncias, dignos participantes da vida, podendo fazer escolhas mais objetivas, relacionando-nos com mais firmeza e honestidade.

Construir nossa auto-estima faz parte de um processo amoroso que, ao entender, apaziguar e flexibilizar nosso ego, nos leva a um Despertar de nossa Espiritualidade, a descobrir e experimentar as muitas faces do Amor.
Entender as possibilidades e dificuldades de nossa humanidade, leva-nos a ser mais compreensivos e amorosos com a humanidade dos outros. É um paradoxo: todo esse caminhar Interior à procura do Amor nos leva a um “transbordamento” desse Amor para o Exterior. Agora sim, tendo aprendido a amar, podemos chegar amorosamente aos outros.
            “Aprende a amar a ti mesmo para poderes amar teu próximo”


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terça-feira, 11 de outubro de 2011

À PROCURA DO AMOR I - O Foco Externo



              Nascemos indefesos, centrados em nossas necessidades básicas de sobrevivência e dependendo inteiramente de fora, do exterior, para satisfazê-las. Assim, crescemos e ficamos condicionados a focar nossa atenção no exterior, onde buscaríamos bens materiais, prazeres físicos, ganhos psíquicos (valor) e nutrição espiritual (Amor). Buscamos fora para saciar uma demanda de dentro! Aprendemos a estar atentos às expectativas externas; precisávamos atendê-las para obter a recompensa do Amor! Construímos máscaras que escondessem o que, dentro de nós, não seria aceito fora. Para isso, renegamos e amordaçamos eternamente idéias e sentimentos, partes “erradas” de nós, partes secretas de nós, muitas vezes tão secretas, que até de nós mesmos se escondem! Nossas atitudes também são analisadas por nossa censura e muitas delas passam a fazer parte de nosso eu secreto, o eu envergonhado. Carregando tantas sombras, passamos a nos sentir errados, inadequados, inseguros, ainda que sob uma fachada de auto-suficiência. Algumas características pessoais, distorções de caráter que muitas vezes trazemos, ainda mais reforçam essa busca exterior equivocada (inveja, cobiça, raiva, luxúria, gula) e outras dificultam nossas possíveis mudanças no buscar (orgulho, preguiça).

            Junto a essa luta interna, enfrentamos outras, constantes, no competitivo mundo exterior de nossas relações.
Lutamos para acumular bens, para vencer, para ter aprovação, prestígio, poder, para sermos amados, admirados. Lutamos para manter o controle, para não perdermos valores, coisas, pessoas, amores... Acreditamos então que “Viver é lutar” e nessa incessante luta externa e interna, fechamo-nos, defensivos, endurecidos, sob controle do ego. Tornamo-nos, sofridos encarcerados e duros carcereiros de nós mesmos, partidos, impermeáveis ao Amor, que se origina de nossa dimensão espiritual, e cegos ao Valor intrínseco que possuímos como seres únicos que somos. Assim, submissos à tirania da razão rígida e condicionada, que nos orienta para fora, na busca e na defesa, permanecemos prisioneiros e desconectados justamente do nosso interior, de nossa Dimensão Essencial.

            Famintos, mendigando ao mundo de fora Valor e Amor, amordaçados e podados de partes de nós mesmos, cansados, desgastados de tanta luta, sentimo-nos confusos, num vazio que nada preenche em alegria e numa dor que se vai revelando em tristeza, mau humor, irritação, ressentimento, insatisfação crônica, angústia, depressão... São gritos de nossa alma, querendo nos alertar para o equívoco dessa direção, dessa busca exterior!
E a “solução” externa, também equivocada, nos chega através das anestesias químicas e prazeres físicos e materiais, de efeito efêmero e que exigem doses/quantidades/variações cada vez maiores, aprisionando-nos cada vez mais! Meu Deus, e aí!?

            Existe uma saída, mas é noutra direção!


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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

SEMPRE ALERTA !



             É um lema dos escoteiros que vale para qualquer ser vivo, incluindo nós. Estar alerta, atento, curioso... é estar vivo. A natureza, a qual todos pertencemos, nos mostra isto a todo instante, em todos os seus seres. Basta que observemos o mundo à nossa volta: todos inteiros, no Momento.
No entanto, nós, os humanos, passamos grande parte de nossa vida em desatenção. Passamos nossos dias acreditando estar “ligados”, mas na verdade vagamos como zumbis, robôs, funcionando no automático, condicionados, repetindo crenças e atitudes aprendidas enquanto a vida, verdadeiramente, passa.

Permanecemos em desatenção porque estamos sempre revendo, revivendo, saboreando ou lamentando o ontem e imaginando ou programando as várias possibilidades e necessidades do amanhã. Pensamos estar muito vivos aqui, mas, na verdade, permanecemos, grande parte do tempo, fora, meio “desencarnados”... e nem notamos!

Tão internalizado temos esse modo de estar que, para acordarmos dessa hipnose do antes e depois, precisamos de boa vontade, paciência, perseverança... Precisamos acreditar que o Momento pode nos proporcionar muito mais, pode nos fazer sentir muito mais vivos. Podemos começar com o exercício de estarmos inteiros nas atividades mais simples e triviais: comer, passear, banhar, caminhar, saborear, ler... Continuando, além da utilização dos nossos sentidos físicos, da percepção das nossas reações e daquilo que nos cerca, buscaremos a percepção mais abrangente de nossos pensamentos, atitudes e sentimentos em cada momento. Isto nos permite viver cada instante de modo integral e nos faz sentir realmente vivos, únicos e fazendo parte de algo maior.

Estar Atento e Alerta é estar inteiro de corpo/mente/alma. “Descobrir seu estado de Alerta é destruir sua sonolência, seu sonambulismo. É um tremendo despertar da alma” Osho

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sábado, 1 de outubro de 2011

De CORAÇÃO ABERTO - I



             Já entendi a necessidade de buscar manter a minha “mente aberta”, podendo assim analisar e desfrutar de mais possibilidades, de escolher, crescer, de ser mais livre! Agora, tento lembrar-me disto e de caminhar na vida, nas minhas relações e comigo mesma – de Coração Aberto. Quero manter-me em um estado que seja muito confortável, aconchegante, gostoso! Dessa forma, acredito criar um campo suave, luminoso, que me envolva e dilua energias mais pesadas, ásperas, em quaisquer ambientes.

            Estar de Coração Aberto é buscar e querer ver, o que de bom, qualquer situação, qualquer pessoa, possa ter. É diferente de estar de “peito aberto”, ousado, às vezes inconseqüente, arriscando-se ou confrontando-se nas relações e na vida.

É simplesmente estar disponível para acolher o melhor numa situação pior ou no convívio com pessoas “difíceis”.

É ouvir com o coração, com simpatia, buscando realmente sentir o outro, ainda que muitas vezes sem concordar.

É preferir ouvir com atenção e isenção, em vez de desconfiar e pré-julgar.

É escolher sentir a doçura da vida em vez de apenas fugir ou se contrapor às amarguras.

É se encantar com a natureza, como ela se oferece a cada dia, em vez de maldizer a chuva e o calor.

É olhar para crianças, jovens, adultos e idosos, emocionando-se com as tão diferentes fases de nossa vida, em vez de amaldiçoarmos as dificuldades de cada uma.

É estar inteiro no momento, sorrindo ou chorando, mas aberto, aceitando a vida.

É preferir a compaixão, a generosidade e a alegria, à indiferença, raiva ou amargura.

É desejar, realmente desejar, descobrir e desfrutar o melhor em cada pessoa, em cada situação, na Vida.

            Na verdade, vamos descobrindo que só conseguimos ser realmente felizes com o Coração Aberto!


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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

AMOR SEM TERNURA



              A Ternura é o que perfuma, é o que dá viço, ao amor. Mas, por que acabamos amando, àqueles que mais amamos, sem ternura? Por que nos negamos à doçura, à gostosura, de externar nosso amor pela ternura? Por que nos negamos um toque carinhoso em quem amamos; por que negamos palavras doces, gentis...
Por que estabelecemos um deserto árido e espinhoso entre nós e os que amamos?
Fico pensando, às vezes relembrando, tentando entender nossos porquês, tão individuais. Os porquês de nos negarmos ao maravilhoso desfrutar da ternura, do amor expressado de forma tão doce.

Acredito que essa negação, essa clausura tão desamorosa que nos impomos, vem do medo de nos revelarmos, medo de nos sentirmos inseguros, vulneráveis às dores do desamor, das perdas... Aprendemos a amar com apego, com possessividade, com controle (aos filhos, aos pais, aos companheiros) e, aos primeiros sinais de perigo, de desapego, de perda de controle na relação, o medo e a desconfiança nos invadem. Medo de acreditar e ser mentira, medo de nos deixarmos manipular, medo de nos decepcionar, medo, medo... Esse medo nos leva a levantar muralhas para nos defender da dor, mas o que era para nos proteger acaba nos afastando, aprisionando, manietando, amordaçando nosso amor! Ele já não se atreve a se “denunciar”, a se expressar pela ternura. Não consegue atravessar o espinheiro defensivo, agressivo, “indiferente”, “durão”, que estabelecemos entre nós e nossos amados. A relação vai tornando-se então doída, chorada, ácida, árida! Confusos, nos perguntamos: Onde foi parar nossa ternura?
Assustados, descobrimos: Não encontramos mais um jeito de expressá-la!

            Juntos,“como pedras que choram sozinhas no mesmo lugar” ou separados, quando eles se vão de nossas vidas, quando não mais podemos lhes transmitir toda a ternura represada, resta uma triste agonia, uma imensa agonia, um triste sentimento de perda pelo que deixou de ser vivido, pelo que poderíamos ter desfrutado.
Não podemos resgatar relações ou fases de relações – é o passado. O que passou não volta, mas pode nos ensinar! Pode nos ajudar a entender que nos entregamos a expectativas equivocadas, irreais, idealizadas, de poder, apego e posse sobre pessoas, quaisquer pessoas. Podemos aprender a reconhecer e cuidar de nossos medos, aprender a ser assertivos, honestos...

           Todo esse processo vai libertando-nos para podermos amar com “pés no chão”, mantendo nossos limites, mas preenchendo os espaços entre nós
com respeito, carinho, bom humor, gentileza... Expressando todo esse amor com as delícias da Ternura.

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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A DESCOBERTA DO VALOR


              O que, talvez, mais nos importa na vida, é a percepção de nosso valor. Afinal, nós existimos! No entanto, essa percepção está atrelada ao reconhecimento desse valor pelos outros! É isso o que perseguimos, todo o tempo, ansiosamente, às vezes com desespero: atitudes de gratidão, palavras de elogios, que confirmem nosso valor. Para receber essa validação externa, abrimos mão de quem realmente somos, do que pensamos, do que sentimos, tentando agir de forma a não decepcionar. Disfarçamo-nos com as mais atraentes máscaras, dizendo aos outros aquilo  que querem ouvir, fingindo ser quem não somos, buscando todo o tempo “mostrar serviço”... Assim, passamos a vida mendigando o reconhecimento do nosso valor numa lamúria escondida (ou não), revoltada, sofrida, falada, pensada: “Sou bom, sou capaz, faço bem, faço até melhor, merecia ser visto, ouvido, reconhecido! Mereço sua gratidão, ser valorizado.” Quem não disse, ou pelo menos pensou, em algum momento, ressentido: “O dia em que eu morrer, ou me for, é que vocês vão me dar valor!”. Muitas vezes, essa mágoa pelo não reconhecimento a contento nos leva à inveja e ao despeito pelo valor dado aos outros ou acabamos por nos acreditar menores, incompetentes, desqualificados, com a auto-imagem enfraquecida, pequena.

            Todo o tempo nos medimos pelo olhar dos outros. Isto é Foco Externo. Não nos foi ensinado a nos olharmos, nos apreciarmos, a nos valorizarmos. Mas, hoje, já adultos, é nossa responsabilidade começarmos a valorizar nossas qualidades, nossas qualificações, nossos dons únicos, nossas infinitas possibilidades; aceitar nossa história, nossos sucessos e insucessos, nossas coragens e covardias, nossa humanidade... Poder dar voz a quem somos e mesmo quando fracassarmos em projetos, podermos valorizar a honestidade e o nosso crescimento ao reconhecê-los e analisá-los.

Precisamos lembrar de manter o foco em nós mesmos, recusando comparações externas. Precisamos lembrar que somos seres únicos, centelhas únicas de uma Luz Maior, “criações únicas de um Criador tão criativo que não trabalhou com cópias”. Temos um valor intrínseco que independe de julgamentos externos. A cada um de nós cabe acreditar e caminharmos, respeitando o valor dos outros, “curtindo” sermos aplaudidos e admirados, mas sem ter necessidade dessa afirmação externa. Iremos assim desenvolvendo uma segurança tranqüila e um senso de valor e dignidade própria.

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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O APRENDIZADO DO AMOR


            Somos seres originados de um Amor Maior. Por isso, só o amor, realmente, consegue nos preencher, dar um sentido maior à nossa vida. Só ele pode nos dar uma sensação de saciedade interior, de plenitude. JeanYves Leloup afirma que “nascemos e vivemos para aprender a amar”. Eu também acredito nisso. Afinal, buscamos todos ser felizes!

Em nosso ainda imaturo mundo interior, podemos perceber o Amor apenas em momentos especiais, quase em flashes, que nos deslumbram e aquecem. Na maioria das vezes, nos enganamos sobre ele, deformando-o, apequenando-o, confundindo-o com sensações apenas físicas e emocionais.
É natural, na medida em que o Amor nos perpassa também nestas dimensões. Mas ele é maior, mais abrangente... A busca dessa totalidade amorosa é incessante, contínua, em nossa evolução. Sentimos, até pressentimos, que dele nos originamos e que só nos encontraremos e completaremos quando pudermos vivenciá-lo de todas as formas, em todos os momentos... Ele é a nossa vocação (o que nos chama), nossa direção, nosso propósito, nossa destinação!

            Desde que nascemos iniciamos nosso aprendizado e exercício do amor. Aprendemos a amar com instinto de sobrevivência, buscando fora amar quem ou o que nos garantisse a vida, o conforto, o prazer. Nosso pequenino ego, defensivo e inseguro, nos levava a amar com apego, sugando, tirando do outro, do mundo, o que nos era prazeroso, necessário. Era um amor egoísta,  primitivo, possessivo, do Eu e do Meu, do dominador e do dominado. Atendia necessidades primárias que, quando evoluímos, já não nos satisfazem. (e se satisfazem, é porque não evoluímos!).Começamos, mais tarde, a entender e sentir a gratificação de Doar e Receber. Era o aprendizado do Amor da Troca. Mas ainda tínhamos muito medo de perdermos o “objeto” do nosso amor, de sermos rejeitados, preteridos. Ainda buscávamos fora. Aprendemos a usar máscaras que nos fizessem parecer mais bonitos e desejáveis e acabamos por nos apaixonar por nossas fantasias! E amamos corpo e alma, com paixão. E por ela mergulhamos em abismos, fizemos desatinos, fingimos, mentimos... Estávamos deslumbrados, apaixonados pelo Amor. Mas era um Amor de Troca, queríamos o mesmo do outro! E esse amor troca transformou-se em amar com perseguição, competição, luta, cobrança... Quem se doou mais? Quem fingiu mais? Quem recebeu menos? Quem é o melhor, e o pior?
A dor do desengano, das desilusões, a amargura de assistir à falência desse modelo amoroso, nos leva muitas vezes a desistirmos de amar ou a tentarmos repetir etapas, mudando apenas de pessoas.
Mas também pode nos preparar para a possibilidade de iniciarmos uma nova etapa do aprendizado do Amor: desapaixonar-se, deixar as fantasias, para nos vermos com mais realidade, maturidade, humanidade. É o início desse novo aprendizado, o exercício do Amor Parceiro, generoso, gentil, amigo. Amor que se respeita e respeita as diferenças, que aceita, que tem compaixão, que é solidário, que nos mantém unidos, mas livres. Um amor que trás alegria e gostosura às nossas vidas.

            Mas, precisamos mudar o foco. Todo esse processo precisa acontecer em mim, primeiro em mim. Preciso vivenciar esse processo interno que me leva a conhecer-me, aceitar-me e me ensina a amar com alegria, amar  descobrindo as muitas faces do Amor. Então, ele naturalmente transborda para os outros, para qualquer das minhas relações amorosas, familiares ou não.

            Estamos vivos, em movimento, em processo. Assim também o nosso aprendizado do Amor. Desde o Amor que suga e aprisiona, o amor que
troca e conflita, o amor que ilude e desilude, o amor que aproxima mas nos deixa livres...Ainda não estamos completos e nosso aprendizado também não. Em algum dia, em algum tempo, em algum momento, conseguiremos alcançar uma nova etapa, a do Amor Maior, Total, Abrangente a Tudo e Todos, Incondicional. E é exatamente de onde viemos!

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