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terça-feira, 8 de novembro de 2016

QUANDO A DOR NOS AFASTA





        Muitas vezes, por puro instinto de defesa, nos afastamos ou nos resguardamos de pessoas ou situações que nos trouxeram, ou trazem, repetidamente, muita dor.  Fugimos de pensar, de lembrar, de nos aproximar, de nos olhar, de falar... Tudo que nos relacionava, nos incomoda, como um enjoo físico, mental e emocional, mesmo quando acreditamos já estarem “superados” a raiva, o susto, a decepção, a mágoa... Quando uma situação se repete muito, incomodando e doendo muito, em algum momento parece nos havermos  tornados “alérgicos” a ela. Queremos, ou precisamos, apenas nos manter distantes. Perdemos o gosto e o jeito de nos relacionar, de fazer tudo voltar a ser como antes. Evitamos encontros, mesmo de olhares.  Ficamos cerimoniosos, tememos a intimidade, que antes parecia tão boa...  E ficamos confusos, porque amamos tanto aquelas pessoas!  No entanto, tristemente, é assim que, muitas vezes, nos sentimos!

            É uma reação não pensada, inconsciente, instintiva, ao que nos causa dor. É uma reação natural, mas que, a princípio, não compreendemos e por isso nos sentimos errados, desamorosos, culpados, por não sermos melhores, mais capazes de compaixão, de aceitação, de perdão...  Aos poucos, podemos ir entendendo, que, apenas, fomos nos tornando “escaldados” pela dor de tudo que permitimos naquela relação: invasões, cobranças, grosserias, manipulações, traições...  Por triste ironia, por crenças equivocadas sobre intimidade e a falta de respeito aos limites das pessoas, as relações mais próximas, as mais queridas, são as mais atingidas por esse “fastio” emocional. 

            É muito doído esse vazio entre nós e quem amamos, embora, a princípio, precisemos e prefiramos o conforto e a segurança desse distanciamento. Precisamos de um tempo para cuidar de nossas feridas e, principalmente, para repensar as bases daquela relação, seja com filhos, netos, pais, irmãos, companheiros, amantes, amigos...

Mas, se nada mudar, se Eu não mudar, as crises se repetirão e, em algum momento, não haverá volta, não desejarei ou aceitarei voltar... e minha vida será para sempre mais pobre e vazia do nosso  amor.


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